O desaparecimento de Daniel Araújo Gondim, de 25 anos, intriga familiares e mobiliza a Polícia Civil da Bahia. O jovem mineiro de Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais, sumiu na quarta-feira (8), na Ilha de Itaparica, após enviar mensagens desesperadas pedindo depósitos bancários sob ameaça de morte.
Pouco depois dos pedidos, imagens com uma arma apontada para a cabeça dele circularam entre os parentes, que acreditam ter presenciado um sequestro em tempo real. A tensão cresceu quando as redes sociais de Daniel começaram a exibir mensagens com frases e símbolos ligados a uma facção criminosa.
Família transfere R$ 3 mil e perde contato com o jovem
A família de Daniel entrou em desespero quando ele afirmou que precisava de dinheiro para “salvar a própria vida”. Sem tempo para confirmar a veracidade da situação, os parentes transferiram R$ 3 mil em duas etapas para as contas informadas nas mensagens.
Depois das transferências, o contato cessou completamente. O telefone dele parou de funcionar, e nenhuma nova mensagem surgiu. O silêncio aumentou o medo de que ele tenha caído em um golpe violento ou esteja nas mãos de criminosos armados.
Postagens suspeitas e invasão de perfil
Poucas horas após o sumiço, publicações estranhas surgiram no perfil de Daniel. Frases cifradas e abreviações associadas a uma facção apareceram nas redes sociais, junto de uma foto com teor de intimidação. A família acredita que alguém invadiu as contas para confundir os rastros e simular envolvimento criminoso.
Amigos próximos garantem que Daniel nunca teve ligação com grupos ilegais e sempre viveu de forma simples, trabalhando com vendas de panelas, perfumes e roupas nas ruas de Salvador e cidades vizinhas.
Trabalhador itinerante e rotina dividida entre Minas e Bahia
Natural de Itapecerica (MG), Daniel mantinha uma rotina intensa. Ele passava cerca de 20 dias por mês em Salvador, onde vendia produtos de porta em porta e guardava o lucro para sustentar a família em Minas.
No dia do desaparecimento, ele dirigia o próprio carro e havia prometido retornar a Itapecerica no fim de semana. Desde então, ninguém o viu. O veículo também sumiu das câmeras e dos registros policiais, o que reforça o mistério.
Polícia rastreia contas e investigará possíveis facções
A Delegacia Especializada Anti-Sequestro (DAS) acompanha o caso com prioridade. Os investigadores rastreiam as contas que receberam o dinheiro e analisam a origem das publicações feitas nas redes do jovem.
As equipes acreditam que o desaparecimento possa envolver extorsão associada a facções da Região Metropolitana de Salvador. A polícia tenta identificar se os criminosos atraíram Daniel com uma armadilha ou se ele foi vítima de um golpe digital com ameaças reais.
Os agentes pedem que qualquer informação sobre o paradeiro de Daniel seja comunicada ao Disque-Denúncia 181. As denúncias podem ser anônimas.
Itapecerica em choque e clima de oração
Em Itapecerica, a notícia do desaparecimento se espalhou rapidamente. Amigos, vizinhos e familiares se reuniram em grupos de oração e pedem apoio das autoridades mineiras para reforçar as buscas.
A mãe do jovem, em estado de desespero, afirmou que não dorme desde o dia do desaparecimento. “A gente só quer saber se ele está vivo. Ele é um menino trabalhador, querido por todos. O dinheiro a gente resolve depois”, desabafou.
Atualização: polícia segue duas linhas de investigação
Fontes ligadas à investigação confirmaram que os agentes seguem duas frentes de apuração:
-
Sequestro com extorsão, possivelmente ligado a um grupo criminoso da região de Itaparica;
-
Golpe digital, com uso de perfis falsos e invasão de redes sociais para extorquir familiares.
Peritos da Polícia Civil recolhem registros bancários e dados de IP das mensagens e publicações. O objetivo é identificar a origem dos pedidos e reconstruir os últimos passos do jovem.






