Acelino “Popó” Freitas decidiu colocar um ponto final em sua trajetória no boxe. O tetracampeão mundial, visivelmente abalado, anunciou sua aposentadoria nessa segunda-feira (6), durante coletiva de imprensa do Fight Music Show 7 (FMS 7). Aos 50 anos, Popó chorou diante da imprensa e do público, afirmando que não quer mais subir em um ringue.
O baiano participou das seis primeiras edições do FMS e compareceu ao evento para divulgar a luta entre Davi Brito e Sacha Bali, substituindo o confronto que teria com Diego Alemão. A cirurgia na mão direita, consequência da confusão generalizada entre as equipes de Popó e Wanderlei Silva no Spaten Fight Night, o deixou fora da disputa.
Durante o pronunciamento, Popó desabafou sobre a dor física e emocional que o levou à decisão.
“Pessoal, foram 35 anos tomando soco na cara. Saco de boxe a gente troca porque apanha demais. Imagine uma cabeça. Quero preservar minha saúde. Não quero que o boxe me deixe doente e que alguém diga: ‘Olha ali, o esporte acabou com ele’. Meu esporte é de vida, de saúde, é um esporte que transforma pessoas. Eu paro hoje, consciente, porque tudo tem começo, meio e fim. E o meu ciclo acabou”, afirmou o campeão, emocionado.
Popó recordou a briga no Spaten Fight Night e classificou o episódio como o momento mais humilhante de sua carreira.
“Foi vergonhoso. Eu não precisei substituir ninguém pelo dinheiro, e sim para o evento acontecer. Mas apanhar daquela forma foi uma das piores humilhações da minha vida. Hoje, encerro minha história no boxe por causa daquela vergonha. Não quero mais saber de luta”, desabafou o baiano.
Com lágrimas nos olhos, ele ressaltou que o episódio marcou não só a sua imagem como atleta, mas também o orgulho de sua família. “Nunca saí machucado de uma luta. Saí porque fui agredido fora do que é o boxe. Tenho 50 anos, um neto e uma vida para curtir. Não preciso me expor daquele jeito. Vergonhoso para mim, vergonhoso para o boxe.”
O tetracampeão ainda aproveitou o momento para fazer um apelo por paz no esporte.
“Vamos selar a paz no boxe brasileiro. A encarada é parte do show, mas sem violência, sem empurrão, sem desrespeito. A gente precisa dar exemplo. Hoje o boxe sela a paz”, pediu o atleta, chorando e sendo aplaudido por todos no local.
Popó encerrou o discurso agradecendo aos fãs, aos organizadores do FMS e a Deus pela trajetória. “Já mostrei tudo o que podia. Ganhei sete títulos mundiais. Provei que o boxe é grande, é foda, é do Brasil. E, como homem, não volto atrás: parei. Palavra dada não volta.”






