Após 40 anos, turma dos anos 80 do Dona Antônia Valadares revive memórias em reencontro

Publicado por: Geraldo Passos

O sítio Vale do Sol foi palco, no último sábado (13), de uma celebração marcada por abraços, reencontros e histórias que resistem ao tempo. Depois de quase quatro décadas, os ex-alunos da Escola Dona Antônia Valadares, formados na década de 80, se reuniram para o primeiro grande encontro da turma.

Organizado a muitas mãos, o evento surgiu de uma ideia de Alvimar Mourão Neto,  lembrado carinhosamente como “Alvimarzinho”, que, embora não tenha podido comparecer por motivos particulares de família, foi citado por todos como o articulador que plantou a semente dessa reunião. A execução contou com a dedicação de Isabel Cristina, que narrou com emoção todo o processo de mobilização.

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“Pra gente conseguir reunir essa turma foram meses garimpando contatos, pedindo telefones de um para o outro, porque muitos não têm rede social. Foi difícil, mas conseguimos”, contou.

Ela ainda destacou que este não será o único encontro: “Esse é apenas o primeiro de vários. Hoje escolhemos o sítio Vale, com a receptividade da Elia e sua família. A ideia é que outros encontros venham.”

Memórias de uma época sem internet

As lembranças da juventude surgiram naturalmente, com toques de humor e nostalgia. Isabel recordou os tempos sem tecnologia: “Na década de 80 não tinha internet, não tinha telefone celular. A diversão eram os bailinhos nas casas dos colegas, com radinho e música. Era assim que a gente se encontrava.” Os colegas riram e concordaram: eram tempos de encontros simples, mas marcantes, que moldaram uma geração inteira.

Já Luiz Henrique, afirmou que reencontrar a turma daquela época  é muito prazeroso; “Muitos aqui, estivemos  juntos desde o primeiro ano, fomos até o oitavo a sete juntos. E eu não poderia faltar em um evento desse de jeito nenhum” 

Quem veio de longe

O reencontro também atraiu ex-alunos que viajaram horas para rever os amigos. Foi o caso, por exemplo de Meuris, que se deslocou por duas horas e meia: “Valeu cada minuto. É emocionante rever os colegas depois de tanto tempo.”

Adriana Faria reforçou esse sentimento: “É com muito carinho e gratidão que participo desse momento. Está sendo emocionante demais.”

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Convidado especial

Isabel Cristina fez questão de destacar que o convidado especial foi Kildare Coelho, que mesmo com problemas de saúde, já que há algum tempo teve um AVC, mas mesmo assim, como parte dos alunos que se formaram na  década de 80, feliz da vida, ele participou.

Histórias de amizade, amor e profissão

A trajetória de muitos ali foi marcada por conquistas pessoais e profissionais, e o reencontro trouxe à tona como a escola foi fundamental nesse processo. Angelina lembrou: “Eu entrei em 1977, me formei em 1983, no oitavo ano, que naquela época não tinha o nono ano. Aí fui para o instituto, me formei lá, depois fiz Direito. E hoje eu sou companheira da Elia, oficial de justiça. E a gente tem um grupo no WhatsApp com todos os alunos e professoras que formaram em 83. Só que essa turma aqui é a turma geral. Tem aqui pessoal que formou em 81, 82. Tem várias profissões. O Luiz Henrique é psicólogo, o Jamil é médico. Essa aqui é empresária, professora. Então, assim, nós somos muito felizes. Foi o ensino do Dona Antônia, eu posso dizer que foi, assim, melhor do que o ensino particular.” Outros citaram os rumos profissionais da turma: psicólogos, médicos, empresários e professores que iniciaram sua base ali. “Foi uma escola que preparou para a vida”, resumiu.

Ana Améria resumiu, também formada na década de 80,  resumiu o seu sentimento:  “É um prazer muito grande estar aqui hoje, encontrando meus amigos, que são amigos a vida inteira. Trouxe muitas lembranças boas dessas amizades que nunca se acabaram. Não esquece, né? E estamos sempre juntos por aí.”

Ronaldo, o ex-integrante da turma do “Ranger”, contou: “Quando a gente estava no Dona Antônia, nós tínhamos um grupinho que se chamava Ranger. Éramos nove pessoas. Um já faleceu, que é o Eduardo. Nós nos encontramos todo ano, duas, três vezes por ano. De um desses encontros surgiu a ideia de reunir todo mundo. O Alvimar encabeçou, passou para a Isabel. A Isabel divulgou e hoje estamos aqui. Esse é só o primeiro de muitos encontros que virão.”

Histórias de amor também tiveram espaço. Rosângela revelou: “Eu e o Honor estudávamos no Dona Antônia. Ele uma série acima da minha. Todo mundo era amigo, ainda é turma. Arteiro, eu acho que eram quase todos, menos eu. Você acredita que foi quase lá que começamos a nos olhar? Eu tinha 14 anos, ele tinha 15. Cheguei a sair da escola, mas eu fui para a escola dele para não perder ele de vista, e hoje seguimos juntos, e é um privilégio poder estar aqui com ele.”

Já Honor Caldas, emocionado completou a história de amor: “Faço parte com muito orgulho de ver essa moçada, rever grandes amigos, rever a história construída. Cara, é muito bacana, muito bom. Muito legal. (…) Eu tive a felicidade de encontrar a Ró nos meus 15 anos. Eu tinha uma trajetória de muita bagunça, mas ela me alinhou e me trouxe para o centro. Tive a honra de dividir uma vida inteira com ela. Se eu tivesse que escolher hoje, eu voltaria lá e começaria tudo de novo com ela”.

Travessuras e lembranças divertidas

Entre risos, as travessuras estudantis também vieram à tona com a indicação de um segundo nome da turma da bagunça, já que o primeiro citado, foi do Kildare. César, lembrado pelos colegas como “o mais arteiro”, logo se defendeu e economizou palavras: “Não tinha bagunça não, isso é fofoca. Todo mundo fazia arte, mas eu era estudioso.”, disse ele, sem a concordância dos demais.

Já a  Kelly foi relembrada pelo restante da turma como a mais bonita e que provocava disputas e até mesmo confusão, ela rebateu com bom humor: “Isso é intriga da oposição. Não tinha nada disso, mas beijo roubado existiu, sim. E fazia parte da adolescência. Dizem que eu era a mais bonita, mas tinha muita menina bonita na nossa sala. Era uma turminha muito boa. Eu tô muito feliz de reencontrá-los hoje”. Perguntada sobre se ela fazia parte do footing que existia antigamente próximo a Cervejaria Savassi, na Antônio Olimpio, ela respondeu que sim, “Fazia parte da nossa adolescencia 

Homenagens e agradecimentos

Elia, dona do espaço escolhido para o evento, expressou gratidão: “É uma alegria muito grande receber vocês aqui. É gratificante demais saber que escolheram o nosso sítio para um encontro tão importante na vida de vocês.”

Ao final, o sentimento coletivo era de gratidão. Uma escola que marcou uma geração, uma cidade que abraçou seus filhos e amizades que o tempo não conseguiu apagar. A turma da década de 80 da Escola Dona Antônia Valadares provou que, mesmo após anos, a essência da infância e da juventude permanece viva.

O reencontro terminou com a promessa de que novos encontros virão. Afinal, como todos fizeram questão de reforçar, a história que começou nos corredores da Dona Antônia Valadares continua sendo escrita, agora com páginas de saudade, afeto e muitas risadas.

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  1. Maria Marta Pinto disse:

    Tbem estudei lá nesta época me lembro q Edna mourão tbm foi diretora
    Tempo bom amava aquela escola 😍

  2. Edvar Geraldo De Faria disse:

    Acompanhei os depoimentos, confesso que fiquei com lágrimas nos olhos, pois fui aluno do Antônia Valadares na praça da catedral

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