O voto do ministro Luiz Fux no julgamento da investigação sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro revisitou uma contradição difícil de ignorar. Em sua argumentação, Fux citou o precedente da anulação das condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato para sustentar que o processo contra Jair Bolsonaro estaria tramitando no foro errado, ou seja, no Supremo Tribunal Federal, configurando nulidade absoluta e, consequentemente, a invalidação de todos os atos processuais até então.
Porém, o que chama atenção é que, em 2021, quando o STF analisou justamente o caso de Lula, Fux defendeu posição contrária. Naquele julgamento histórico, a Corte decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar o petista. O resultado foi a anulação das condenações, restabelecendo os direitos políticos de Lula por 8 votos a 3.
Entre os ministros que divergiram estava justamente Fux, que argumentou que, apesar da incompetência da Vara, não houve prejuízo concreto à defesa, e que anular as sentenças seria apenas corrigir um vício formal, sem necessidade de invalidar todos os atos processuais. Em outras palavras, Fux rejeitou o mesmo argumento que agora evoca como central para o caso de Bolsonaro.
A contradição se torna ainda mais evidente quando se compara os dois contextos. Em relação à Lula, Fux priorizou a manutenção das condenações e minimizou o impacto da incompetência jurisdicional.
Já diante do processo contra Bolsonaro, o ministro trata a questão da competência como vício insanável, capaz de anular todo o caso antes mesmo de análise do mérito sobre as acusações de tentativa de golpe de Estado.
Luiz Fux votou contra competência do STF em março
O paradoxo fica mais claro ao observar outro episódio recente. Em março de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República e tornou Bolsonaro e mais sete investigados réus pela tentativa de golpe.
Na ocasião, a Corte reafirmou que o Supremo era competente para julgar o caso, pois os crimes cometidos durante o exercício da Presidência, em função do cargo.
Fux, mais uma vez, ficou vencido e manteve sua tese, o STF não deveria julgar o caso, reforçando que sua leitura sobre competência tem sido seletiva, moldando-se ao contexto do réu.
Impacto político e jurídico
Essa mudança de postura não é apenas técnica, mas também possui consequências políticas e jurídicas. Ao recorrer ao caso Lula, ignorando seu próprio voto contrário, Fux cria um paradoxo.
Ele relativizou a competência para manter Lula condenado e absolutizou o mesmo critério quando a potencial beneficiada seria Bolsonaro. O contraste evidencia como conceitos jurídicos aplicados de forma flexível conforme o contexto político.
A insistência de Fux em se posicionar de maneira distinta em duas ocasiões reforça a percepção de que critérios jurídicos podem ser adaptados ao réu, questionando a uniformidade do entendimento do STF.
Especialistas apontam que, ao instrumentalizar um precedente do qual discordou, o ministro expondo contradição explícita, o que torna sua argumentação vulnerável a críticas de parcialidade e seletividade.
Especialistas analisam o paradoxo
O advogado criminalista Henrique Oliveira comenta: “Fux cria um precedente perigoso ao aplicar uma lógica jurídica diferente para dois réus com situações semelhantes. A decisão de anular ou manter processos não pode ser seletiva, sob pena de fragilizar a confiança no STF.”
Para a cientista política Mariana Torres, a leitura seletiva evidencia como interpretações jurídicas pode usar de forma estratégica: “O Supremo não deve ser visto apenas como tribunal técnico, mas também como arena de disputa política. Esse tipo de contradição reforça debates sobre imparcialidade e consistência.”
Comparação entre os dois casos
| Caso | Competência | Posição de Fux | Consequência |
|---|---|---|---|
| Lula (2021) | 13ª Vara Federal de Curitiba | Contra anulação | Manutenção das condenações |
| Bolsonaro (2025) | STF | Contra competência do STF | Proposta de nulidade de todo o processo |
A tabela evidencia a dualidade de critérios, mostrando que o mesmo conceito de competência interpretado de forma oposta, dependendo do réu em questão.
Repercussão e implicações futuras
O posicionamento de Fux será determinante para o andamento do processo contra Bolsonaro, podendo influenciar debates sobre foros especiais, nulidades processuais e limites do STF.
Ao mesmo tempo, fortalece a narrativa de que decisões jurídicas politicamente calibradas, provocando debates intensos na sociedade, no Congresso e no meio jurídico.
Para juristas, o caso emblemático sobre a necessidade de uniformidade na aplicação da lei e consistência na interpretação de precedentes, evitando a percepção de que decisões moduladas conforme interesses políticos.
O voto de Luiz Fux no caso de Bolsonaro expõe um paradoxo no STF, evidenciando como argumentos jurídicos aplicados de forma seletiva. Ao citar um precedente do qual contrário, o ministro reforça o debate sobre imparcialidade, consistência e credibilidade da Corte.
A contradição entre os dois votos, minimizando a incompetência jurisdicional em 2021 e absolutizando-a em 2025 revela que a aplicação da lei no STF pode, em determinados contextos, moldada conforme o réu, reforçando debates sobre política, justiça e neutralidade judicial.







O voto do Juiz Luiz Fux foi a única coisa real neste teatro de julgamento. Qualquer um com um mínimo de discernimento percebe isso, só não vê quem não quer. Vc é jornalista ou militante petista? Sugiro que mude o nome do blog pra “Página Petista”, “PT em Foco” ou algo do tipo.