Os servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) iniciaram uma greve por tempo indeterminado no dia 1º de setembro. O movimento foi aprovado por maioria absoluta em assembleia que reuniu 371 participantes o maior encontro virtual da categoria e contou com 99,62% dos votos válidos pela paralisação. Nesta quinta-feira (11) haverá manifestações nas regionais, incluindo a região Centro-Oeste.
Falta de diálogo com o governo
De acordo com o Sindsema, a categoria enviou ofícios, participou de reuniões e apresentou uma lista com 19 pleitos. No entanto, não houve resposta efetiva do Governo de Minas, que manteve silêncio mesmo após o prazo dado pelos trabalhadores. A postura foi considerada um sinal claro de descaso, levando à deflagração da greve
Sucateamento e perda de efetivo
O comunicado do sindicato denuncia que o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) passa por um processo avançado de desmonte. Hoje, Minas Gerais conta com apenas 1.353 servidores concursados para fiscalizar atividades em 853 municípios, gerir unidades de conservação, licenciar empreendimentos e monitorar emergências ambientais. O número é insuficiente, ainda mais após tragédias como Mariana, Brumadinho e Conceição do Pará, que expuseram a necessidade de uma fiscalização robustaO Sindsema lembra ainda que o último concurso foi realizado há 12 anos e que, desde 2016, quase mil servidores deixaram o quadro. Enquanto isso, cresce o número de terceirizados, sem que o governo trate os servidores ambientais como profissionais essenciais.
Defasagem salarial e condições precárias
A categoria denuncia perdas salariais de mais de 80% e afirma que há servidores recebendo menos que um salário mínimo. Além disso, benefícios obrigatórios, como insalubridade e periculosidade, não são pagos. As diárias para viagens de fiscalização estão defasadas e os trabalhadores chegam a custear do próprio bolso deslocamentos e hospedagens. A frota de veículos também está sem seguro, expondo os servidores a riscos adicionais.
Contradição na propaganda oficial
O sindicato aponta uma contradição: enquanto o governo Romeu Zema anuncia feitos ambientais e investe em “propaganda verde”, a realidade dentro do Sisema é de desmonte e precarização. Apesar da arrecadação de mais de R$ 1,2 bilhão ao ano em taxas e multas ambientais, menos de um terço retorna para a estrutura da secretaria. O restante vai para custeio de projetos sem relação com a recuperação ambiental.
Pautas prioritárias
Entre as 19 reivindicações, destacam-se:
-
Cumprimento do acordo judicial de 2016 sobre plano de carreira;
-
Reposição das perdas inflacionárias acumuladas;
Continua depois da publicidade -
Realização de concurso público para recomposição imediata de 400 vagas;
-
Reajuste das diárias e benefícios;
-
Pagamento de adicionais de insalubridade e periculosidade;
-
Instituição de mesa de negociação permanente;
-
Garantia de que nenhum servidor receba salário inferior ao mínimo nacional
Impacto social e ambiental
O Sindsema ressalta que a paralisação não é contra a população, mas um alerta: sem servidores, não há fiscalização ambiental de qualidade em Minas. A entidade cobra respeito ao trabalho dos fiscais, lembrando que eles são responsáveis por evitar tragédias, garantir água limpa e fiscalizar atividades de mineração e agronegócio.







Sou engenheiro florestal aposentado pelo IEF, o nosso salário é irrisório e a arrecadação na área ambiental é muito grande, o trabalho prestado gera alta arrecadação, produz oxigênio, absolve o gás carbônico nocivo aos seres vivos. O trabalho do reflorestamento aos produtores rurais gera um renda fabulosa. Uma das maneiras de conseguirmos êxito nesta luta pela melhoria salarial e estrutura dos órgãos ambiental é solicitar ajuda dos prefeitos, vereadores, cooperativas, sindicatos para pressionarem o governador.