A Diocese de Divinópolis viveu nesta semana um momento de profunda comoção com a despedida da irmã Maria Gertrudes do Coração de Jesus. O velório acontece em Conceição do Pará, cidade onde a religiosa passou as últimas décadas de sua vida. Desde cedo, os fiéis se reuniram para prestar a última homenagem a uma mulher considerada exemplo de fé, humildade e amor ao próximo.
A religiosa nasceu como Alexandrina Vanda de Melo, em Montes Claros, no ano de 1931. Desde muito jovem, ingressou na Congregação das Irmãs Carmelitas, dando início a uma trajetória marcada pela devoção e pela entrega. Inicialmente, atuou em Belo Horizonte, onde já demonstrava forte vocação espiritual. No entanto, com o passar do tempo, foi convidada a integrar o grupo que fundaria o Carmelo em Divinópolis, em 1966, um marco histórico para a região Centro-Oeste de Minas.
Depois de contribuir para a consolidação do convento em Divinópolis, a irmã tomou uma decisão singular. Com coragem, escolheu seguir o caminho da vida eremítica, dedicando-se à oração e à contemplação em Conceição do Pará. Ali, permaneceu por cerca de 40 anos, conquistando o carinho e o respeito da comunidade local. Os moradores afirmam que ela tinha sensibilidade única e conseguia perceber quando alguém enfrentava sofrimento. Assim, se aproximava com gestos simples, palavras acolhedoras e atitudes que transmitiam paz.
Entre as homenagens, a sobrinha Margarida de Melo descreveu a religiosa como “uma pessoa de luz, uma bomba de amor que se esvaziou dela mesma para ser exemplo de amor”. Essa lembrança traduz o sentimento coletivo de que a irmã Gertrudes viveu de forma intensa sua vocação e marcou todos aqueles que tiveram contato com sua espiritualidade.
A missa de corpo presente, celebrada pelo bispo diocesano Dom Geovane, reuniu familiares, religiosos e inúmeros fiéis. Durante a celebração, o bispo ressaltou a importância da trajetória da irmã para a Diocese de Divinópolis e destacou sua sensibilidade diante da dor alheia. Ele lembrou ainda que a religiosa sempre esteve disponível para acolher pessoas que buscavam consolo e orientação espiritual, especialmente em Conceição do Pará, onde sua presença tornou-se referência.
O enterro foi programado para o início da tarde no cemitério da própria cidade, atendendo ao desejo da irmã Gertrudes de repousar em Conceição do Pará. Esse local, que ela escolheu como morada espiritual e onde construiu uma relação profunda com a comunidade, agora se torna também o espaço de sua memória eterna.
Portanto, a despedida da irmã Gertrudes ultrapassa a cerimônia religiosa. Representa a celebração de uma vida dedicada à fé, à oração e ao amor ao próximo. Sua história, entrelaçada à fundação do Carmelo de Divinópolis e ao acolhimento vivido em Conceição do Pará, permanecerá viva no coração da Diocese e de todos que conviveram com ela.






