A alimentação básica voltou a ser prioridade no carrinho de compras do consumidor mineiro. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG revelou que 86,2% dos empresários do setor alimentício afirmam que os clientes estão concentrando suas compras em itens essenciais, como arroz e feijão, deixando carnes e hortifrutis em segundo plano.
Conforme os dados, apenas 12,7% citaram a carne vermelha entre os produtos mais procurados, enquanto outras carnes tiveram 11,9% e os hortifrútis 10,4%. Para 70,2% dos empresários, o consumidor tem se restringido a categorias específicas de produtos no momento atual.
A pesquisa, realizada entre 21 de julho e 7 de agosto em todas as regiões de Minas, mostra também que o consumo de alimentos ficou estável em relação a 2024 para 51% dos entrevistados. Por outro lado, 22,3% notaram aumento e 25,1% identificaram queda nas compras, principalmente devido à crise econômica e ao preço elevado dos produtos.
Estratégias e comportamento do consumidor
Para atrair o público, 52,9% das empresas têm apostado em promoções e liquidações, enquanto 40,6% investem em propaganda e divulgação. O atendimento diferenciado aparece como estratégia de 32,7% dos empresários.
Quando se trata da frequência, 49,2% apontam que os consumidores fazem compras semanais, 26,7% realizam compras diárias e 23% preferem as mensais.
O levantamento mostra ainda que a forma de pagamento preferida é o cartão de débito (31,2%), seguido pelo Pix (25,7%), cartão de crédito à vista (16%) e dinheiro (15,4%). O cartão de crédito parcelado foi citado por 10,7%, com destaque para a divisão em até duas vezes (43,9%).
Expectativas para os preços
Na avaliação dos empresários, os preços de produtos de higiene pessoal (60,9%) e limpeza da casa (61,78%) devem permanecer estáveis. No entanto, a cesta básica pode sofrer aumento, segundo 56,28% dos entrevistados. Já outros alimentos fora desse grupo devem subir para 59,42%.
As bebidas dividem opiniões: 44% acreditam em alta, enquanto quase 50% esperam estabilidade.
Vendas online
O estudo mostrou que o setor alimentício ainda é resistente ao comércio eletrônico: 52,4% das empresas não trabalham e nem pretendem trabalhar com vendas online.
Enquanto isso, 38,7% já atuam nesse formato e 8,6% demonstram interesse em iniciar. Entre os que vendem pela internet, 45,9% registraram estabilidade em relação a 2024, 39,9% crescimento e apenas 12,2% relataram queda.
Análise da Fecomércio MG
A economista Gabriela Martins destacou que a pesquisa revela a preocupação das famílias mineiras em manter o controle financeiro. “As famílias ajustaram suas cestas de consumo, priorizando alimentos básicos como arroz e feijão em detrimento das carnes e hortifrútis.
Essa substituição mostra a sensibilidade ao aumento dos preços e pode impactar até a qualidade nutricional do que é consumido. Além disso, nota-se o predomínio das compras à vista, o que demonstra a busca pelo não endividamento e maior cautela na hora de consumir”, explicou.
Com o estudo, a Fecomércio MG reforça a importância de acompanhar o comportamento do consumidor mineiro para compreender como a economia influencia o dia a dia e as escolhas alimentares da população.






