A Cemig fez um alerta contundente sobre os perigos das instalações elétricas mal conservadas ou improvisadas, responsáveis por incêndios e mortes em todo o país. Em 2024, foram 759 óbitos por acidentes elétricos, número próximo ao da meningite bacteriana (700) e mais que o dobro da leptospirose (346), segundo o Ministério da Saúde.
De acordo com a Abracopel, foram 2.373 ocorrências em 2024, um crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior. Mais da metade desses acidentes acontece dentro de casa, geralmente ligados a fios antigos, cabos irregulares e uso de benjamins ou extensões.
Risco dentro de casa
Segundo o engenheiro de Segurança do Trabalho da Cemig, Alexandre Pinto da Silva, o perigo é maior em residências antigas, onde reformas priorizam estética, mas ignoram a fiação. “Fios e cabos irregulares aquecem, derretem o isolamento e podem provocar incêndios. Reformas, em geral, não incluem a revisão da parte elétrica, e isso aumenta o risco”, destacou.
Ele também alerta contra as “gambiarras” e lembra que aparelhos de alto consumo devem ter circuito próprio, como chuveiros elétricos, ar-condicionado e micro-ondas.
Dispositivo DR e manutenção preventiva
Um dos recursos mais eficazes é o dispositivo DR, que desliga automaticamente a rede em caso de fuga de corrente elétrica, evitando choques fatais. A instalação é obrigatória desde 1997 em áreas como banheiros, cozinhas e garagens.
Alexandre reforça que qualquer adaptação deve ser feita por profissionais qualificados. Além disso, quando novos aparelhos são comprados, é necessário checar se a rede suporta a carga — e, se preciso, solicitar aumento da potência contratada junto à Cemig.
Cuidado com carregadores e tomadas
Outro ponto de atenção está no carregamento de celulares, que deve ser feito em superfícies lisas, ventiladas e longe de tecidos. Deixar fios expostos, sobrecarregar tomadas ou usar extensões de má qualidade pode transformar pequenos curtos em tragédias.
Fios de má qualidade
A Qualifio, entidade que monitora o setor, analisou 667 amostras de fios e cabos no primeiro semestre de 2025. O resultado foi alarmante: 500 estavam fora dos padrões de qualidade. Isso reforça a importância de comprar produtos certificados e de exigir fiscalização contra fabricantes ilegítimos que colocam a vida de milhões em risco.






