A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta segunda-feira (25), em Olinda, Pernambuco, Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 21 anos. Ele ameaçou o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, e lucrava com a venda de fotos e vídeos de crianças vítimas de estupro virtual. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) autorizou a quebra de sigilo de dados e possibilitou a localização do suspeito.
Investigação e localização
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, informou que os policiais identificaram e prenderam Cayo Lucas em Pernambuco. As investigações mostraram que ele vendia material envolvendo crianças e, ao mesmo tempo, enviava ameaças de morte para Felca.
Os e-mails partiram no dia 16 de agosto. Neles, Cayo citou diretamente o vídeo em que Felca denunciou a exploração de menores em redes sociais e acusou o influenciador Hytalo Santos.
Detalhes das ameaças
O suspeito escreveu frases como “prepara pra morrer”, “você vai pagar com a sua vida” e “você acha que vai ficar impune por denunciar Hytalo Santos”. As mensagens colocaram a segurança de Felca em risco.
O TJSP exigiu que o Google Brasil enviasse em até 24 horas os dados do autor das mensagens, incluindo os IPs de acesso. A ordem judicial permitiu rastrear e capturar Cayo Lucas.
Prisão em Olinda
Policiais encontraram Cayo acompanhado de outro homem. Eles o levaram para a delegacia e também apresentaram o segundo suspeito, investigado por invadir dispositivos eletrônicos.
No local, os agentes flagraram o computador de Cayo aberto na tela da plataforma de Segurança Pública de Pernambuco. A polícia considerou a situação grave e decidiu incluir a evidência na perícia.
Felca e a segurança reforçada
Felca afirmou que recebeu várias ameaças de morte e acusações falsas de pedofilia depois de publicar o vídeo “Adultização”.
Em entrevista ao PodDelas, o youtuber contou que contratou seguranças e passou a circular em carro blindado em São Paulo. Ele também relatou que sofreu ameaças quando criticou influenciadores ligados a apostas esportivas, as chamadas “bets”.
Produção do vídeo “Adultização”
O vídeo “Adultização” durou 50 minutos e levou mais de um ano para ser produzido. Felca contou com apoio de uma psicóloga especializada em infância, que explicou os riscos da exposição de crianças na internet.
A gravação viralizou e provocou debate nacional. O material mostrou como os algoritmos ampliam a distribuição de imagens de crianças e atraem criminosos sexuais. Felca destacou que muitos pais incentivam a exposição sem entenderem o perigo e a exploração por trás dessa prática.
O alerta sobre “sharenting”
O caso reacendeu a discussão sobre o “sharenting”, quando pais compartilham fotos e vídeos dos filhos em redes sociais.
Uma juíza explicou que, mesmo em perfis privados, criminosos conseguem acessar esse conteúdo. Ela lembrou que a imagem de crianças pertence a elas e que os pais não podem tratá-la como propriedade.
Debate em andamento
A prisão de Cayo Lucas mostra os riscos enfrentados por influenciadores que denunciam crimes digitais. O episódio reforça a urgência em responsabilizar pais, influenciadores e plataformas pela proteção de crianças contra a adultização e contra conteúdos criminosos na internet.






