O copo está na mesa. O rótulo é escolhido com carinho. O primeiro gole chega como abraço gelado, daqueles que fazem a garganta sorrir e o coração relaxar. Esse ritual, que se repete em mesas, balcões e varandas Brasil afora, ganha um capítulo especial nesta sexta-feira, 1º de agosto de 2025 é o Dia Internacional da Cerveja.
E em Divinópolis (MG), a data tem um sabor especial. A cidade ocupa o 8º lugar entre as que mais consomem bebidas alcoólicas em Minas Gerais, com mais de R$ 7 milhões gastos em 2024, segundo dados do setor varejista.
Embora o ranking inclua todos os tipos de bebidas, a cerveja reina absoluta. Ela está no churrasco de domingo, no pós-expediente da sexta-feira, no reencontro de amigos que não se viam há meses. Ela atravessa gerações, classes sociais, estilos de vida e preferências musicais. Em Divinópolis, a bebida é quase um patrimônio afetivo, com identidade própria.
A data, criada em 2007 por um grupo de amigos da Califórnia, tem três propósitos, reunir amigos para celebrar, homenagear quem fabrica e serve a bebida e brindar com rótulos do mundo todo. Ao longo dos anos, a ideia se espalhou, ganhou proporções internacionais e virou tradição. toda primeira sexta-feira de agosto, milhões de pessoas ao redor do globo erguem seus copos em reverência à velha conhecida.
Consumo em Divinópolis e Minas Gerais
Enquanto o mundo brinda, Divinópolis mergulha na data com entusiasmo. O município não apenas consome cerveja. Ele vivencia a bebida. Entre os dados que sustentam essa afirmação, está o salto de mais de R$ 700 mil no volume de vendas de bebidas alcoólicas em apenas um ano, conforme apontado por plataformas de inteligência de mercado. E não para por aí. Minas Gerais lidera o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, com R$ 3,6 bilhões gastos em 2024, e Divinópolis é uma peça importante nesse tabuleiro.
Mas a questão vai além dos números. A cerveja deixou de ser apenas bebida para se tornar cultura líquida. E, como toda cultura, ela é plural, viva, mutável e cheia de personalidade. Se antes bastava uma latinha gelada para animar a festa, hoje o consumidor divinopolitano quer mais, quer explorar sabores, testar estilos, aprender sobre malte, lúpulo, teor alcoólico e, principalmente, contar histórias em volta da garrafa.
Essa evolução pode ser observada no interesse crescente pelas cervejas artesanais. Em todo o estado, o número de microcervejarias explodiu nos últimos anos. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, Minas conta com mais de 230 cervejarias registradas, espalhadas por 102 municípios, o que representa um crescimento de mais de 150% em relação a 2017. E Divinópolis está no centro dessa revolução do paladar.
Cervejas artesanais
Na cidade, as artesanais conquistam espaço nas prateleiras, nos cardápios e nas conversas. A valorização dos produtores locais, o uso de ingredientes regionais e a criatividade nos processos fazem com que o público troque a “de sempre” por rótulos inéditos. Estilos como IPA (India Pale Ale), com amargor acentuado e aroma marcante, Weissbier, feita com trigo e toques frutados, ou as potentes Stouts, escuras como a noite e com notas de café e chocolate, ganham admiradores a cada dia.
Além do sabor, entra em cena a experiência. A harmonização, por exemplo, virou arte em Divinópolis. Combinar uma IPA com carne de porco desfiada e levemente apimentada, ou saborear uma Stout junto a um pudim de leite com calda queimada, não é mais coisa de especialista, é prática comum entre apreciadores que querem ir além do gole gelado. A cerveja se conecta com a gastronomia local, cria pontes com a cultura mineira e ganha vida nos almoços, jantares e petiscos de boteco.
E quando se fala em petisco, a tradição fala alto. Queijo curado, torresmo crocante, carne na chapa, linguiça acebolada e pão de alho entram na dança da harmonização. Cada mordida é um convite para um novo gole, e cada gole, um convite para novas conversas. É nesse ciclo saboroso e afetivo que a cerveja se estabelece como símbolo de convivência em Divinópolis.
Origem da bebida
A data comemorativa também impulsiona reflexões sobre a origem da bebida. Arqueólogos apontam que os sumérios, por volta de 5 mil a.C., já produziam uma bebida fermentada a partir de cereais.
No Egito Antigo, a cerveja era alimento sagrado e presente cotidiano. Durante a Idade Média, monges aprimoraram a técnica, dando origem às cervejas trapistas. Com a Revolução Industrial, o processo se modernizou, e o mundo nunca mais tornou o mesmo.
No Brasil, a cerveja desembarcou com os imigrantes europeus e rapidamente caiu no gosto popular. O clima quente favorece o consumo, e a criatividade nacional deu origem a estilos próprios, com sabores tropicais, frutas, especiarias e até ingredientes inusitados como pequi, jabuticaba e rapadura.
Divinópolis
Divinópolis, por sua vez, acompanhou esse movimento. A cidade viu o nascimento de rótulos locais, incentivou eventos, apoiou a produção e formou um público exigente. Se antes o brinde era apenas ritual, hoje ele é escolha consciente. A cerveja artesanal desafia o paladar, educa o consumidor e valoriza o pequeno produtor. A cidade entende isso e responde com entusiasmo.
No entanto, o crescimento do consumo também exige responsabilidade. Os números preocupam quando o assunto é direção após o brinde. Por isso, campanhas de conscientização se tornam essenciais. Portanto, em Divinópolis, o debate sobre o consumo consciente é cada vez mais necessário. A diversão precisa vir acompanhada da segurança, e o brinde precisa terminar com todos em casa e não no hospital ou na delegacia.
Dia da Cerveja
Apesar disso, a essência do Dia da Cerveja permanece, celebrar a vida. E a cerveja continua sendo uma das bebidas mais democráticas do planeta. Ela está na mesa do trabalhador e do empresário, do estudante e do aposentado, da roda de samba e do festival de rock. Adapta ao gosto, ao bolso e ao humor. Ela une pessoas que nunca se viram, desfaz tensões, quebra o gelo, transforma o ambiente.
Além disso, Divinópolis reconhece tudo isso. A cidade ergue o copo não apenas para brindar, mas para afirmar sua identidade. E neste 1º de agosto, o brinde é coletivo, cultural, envolvente. Mais do que espuma no copo, há história na bebida. Há tradição no líquido. E há futuro em cada fermentação.
Portanto, se alguém ainda duvida da importância da cerveja, basta caminhar pelos bares neste Dia Internacional da Cerveja. Lá estará o cheiro do lúpulo, o som das garrafas se abrindo, o riso solto, a conversa fluida e o copo cheio. Porque aqui, a cerveja não é apenas bebida. É parte da alma da cidade.






