Apesar de lucros bilionários em bancos, arrecadação, construtoras e hospitais, os donos da SAF do Galo deixam salários atrasar e jogadores recorrerem à Justiça
O Atlético Mineiro vive um dos momentos mais críticos desde que virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF), justamente as vésperas da partida decisiva contra o Atlético Bucaramanga, pela Copa Sul-Americana, nesta quinta-feira (24).
Jogadores recorrem à Justiça para cobrar salários, direitos de imagem e premiações atrasadas, enquanto os quatro poderosos bilionários que comandam o clube, Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, os chamados 4Rs, permanecem silêncio.
A omissão se torna ainda mais grave quando comparada à atuação desses mesmos empresários em suas empresas privadas. Em bancos, hospitais e construtoras controladas por eles, os pagamentos seguem em dia, a gestão é elogiada e os lucros, exorbitantes. No Atlético, no entanto, o cenário é de caos, promessas descumpridas e um elenco cada vez mais desgastado psicologicamente.
Jogadores recorrem à Justiça e escancaram crise
Só nesta semana, pelo menos cinco atletas, entre eles Rony, Igor Gomes e Guilherme Arana, notificaram o clube por atrasos financeiros. Alguns tentaram rescisão. Outros ameaçaram formalizar ações trabalhistas caso os pagamentos não fossem regularizados.
O que era para ser exceção virou rotina. E a cada notificação, o silêncio da diretoria ecoa mais alto.
Prometeram o futuro, entregam o fracasso
Quando assumiram a SAF, os 4Rs prometeram reerguer o clube, profissionalizar a gestão e colocar o Galo entre os maiores da América do Sul. Disseram que o modelo seria exemplo para o futebol brasileiro. Anunciaram milhões em investimentos, centro de excelência, governança de ponta.
Hoje, dois anos depois, a realidade é dura: um time instável, treinador pressionado, atrasos salariais, processos na Justiça e uma torcida cada vez mais revoltada. A SAF do Galo caminha a passos largos para se tornar uma das piores do país.
Arena moderna, gestão retrógrada
A Arena MRV, símbolo da “nova era”, virou palco de vexames. Em campo, o time oscila e sofre com desorganização. Fora dele, ninguém aparece para dar explicações. A comunicação é falha, o presidente da SAF não concede entrevistas e os donos se escondem atrás de notas evasivas.
Enquanto isso, o torcedor, que lota estádios e compra produtos oficiais, espera e cobra respostas.
Omissão bilionária e a paciência que acaba
A situação atual reflete diretamente o que é a gestão da SAF do Atlético. E mais do que crise técnica ou financeira, o que se vê é uma falência moral de comando. Quem tem bilhões, tem que ter coragem de assumir erros e enfrentar a pressão. Quem prometeu o mundo, não pode entregar migalhas e depois fugir do microfone.
Além disso, a Massa atleticana não é ingrata. Reconhece o que os 4Rs fizeram em 2021. Mas vive no presente. E hoje, a realidade do clube é de promessas furadas, salários atrasados e falta de comando.
Se os donos do Galo têm compromisso com o clube e com o torcedor, é hora de aparecer. De falar. De explicar. Se não têm coragem, que deixem o Atlético nas mãos de quem respeita o peso dessa camisa.



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