Dois padres mineiros do Centro-Oeste de Minas foram reconhecidos pelo Vaticano como “Servos de Deus”, marco essencial no processo de canonização. O reconhecimento, assinado pelo cardeal Marcello Semeraro e confirmado pelo Papa Leão XIV, envolve o cônego Ananias de Paula Vieira, de Oliveira, e o padre José Erlei de Almeida, de Candeias.
A carta chegou à Diocese de Oliveira em 1º de julho, enviada pelo Dicastério para a Causa dos Santos. Com o “nihil obstat” expressão latina que indica “nada impede”, a Santa Sé autorizou o avanço das investigações que podem levar ambos ao título de santos.
Esse reconhecimento oficial como ‘Servos de Deus’, não só eleva os dois religiosos como também fortalece a fé de milhares de fiéis, que intensificam romarias, orações e homenagens nas cidades onde eles atuaram.
Quem foram os padres reconhecidos como ‘Servos de Deus’?
O cônego Ananias de Paula Vieira nasceu em 1869, em Iguatama, e ordenado padre em Mariana. Atuou como vigário em Piumhi antes de assumir, em 1912, a Paróquia Nossa Senhora de Oliveira. Viveu até os 89 anos e morreu em 1958, deixando um legado de fé, acolhimento e empatia.
Conhecido por tratar bem os animais e ouvir os fiéis com atenção, ele virou símbolo de paz espiritual. Em Oliveira, seu túmulo no Cemitério São Miguel ainda atrai romeiros. Dezenas de crianças recebem seu nome como homenagem, e sua batina, após exumação, encontrada intacta, o que muitos consideram um sinal milagroso.
Entre os fiéis, há relatos de curas inexplicáveis e um episódio emblemático: uma suposta aparição em sua cabeceira em 1960, com imagem semelhante à de Nossa Senhora de Lourdes.
Já o padre José Erlei de Almeida nasceu em Campo Belo, em 1967, e criado na zona rural de Candeias. Ordenado sacerdote em 1994, iniciou seu ministério em Carmópolis de Minas, onde fundou comunidades, liderou obras sociais e foi figura importante na Diocese de Oliveira como reitor, diretor espiritual e comunicador.
Sua trajetória terminou tragicamente em 2 de novembro de 2001, aos 33 anos, vítima de um acidente de carro. Mesmo após a morte precoce, sua sepultura passou a atrair devotos, e diversas graças atribuídas a ele relatadas. Fiéis criaram um memorial e recolheram assinaturas que levaram à abertura do processo de beatificação.
Etapas para se tornar santo: do reconhecimento à canonização
O processo de canonização envolve etapas bem definidas. Começa com o reconhecimento da “fama de santidade” e do impacto do religioso entre os fiéis. A fase local reúne documentos, testemunhos e relatos. Depois, o Vaticano concede o título de “Servo de Deus”.
Portanto, na sequência, o religioso pode ser declarado “Venerável”, título dado àqueles que viveram com virtudes heroicas. Se um milagre é comprovado geralmente uma cura sem explicação científica , a beatificação ocorre, e ele se torna “Beato”. Um segundo milagre, após a beatificação, pode levá-lo à canonização.
O Dicastério das Causas dos Santos, responsável por avaliar os processos, realiza sessões regulares em Roma, onde analisa detalhadamente cada caso. O caminho é longo, e o prazo varia conforme a complexidade das investigações e a comprovação de milagres.
Outros mineiros na jornada pela santidade
Padre Ananias e padre Erlei agora se unem a outro nome conhecido na fé mineira: o padre Libério Rodrigues Moreira, sepultado em Leandro Ferreira. Desde 2012, ele também percorre o caminho rumo à santidade. Em 2024, declarado “Venerável”, etapa anterior à beatificação.
Assim, o Centro-Oeste de Minas consolida-se como um berço de religiosos que deixaram marcas profundas de fé e espiritualidade, com potencial para integrar o seleto grupo de santos brasileiros reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica.
Fé que atravessa gerações
Portanto, reconhecimento dos padres pelo Vaticano fortalece a religiosidade da região e renova a esperança dos fiéis. Em romarias, celebrações e orações, a população demonstra gratidão e crença na santidade daqueles que viveram entre eles.
Além disso, muitos já consideram os dois padres santos, mesmo antes do título oficial. E enquanto o processo avança em Roma, as cidades de Oliveira, Candeias e Carmópolis de Minas continuam a viver com intensidade a fé e a herança deixada por Ananias e José Erlei.






