A luta da família de Juliana Marins, de 26 anos, por respostas sobre a tragédia no Monte Rinjani, na Indonésia, ganhou novo desdobramento. Os pais da jovem e a Defensoria Pública da União (DPU) protocolaram um pedido urgente para a realização de uma nova autópsia, assim que o corpo dela chegar ao Brasil nesta quarta-feira (2).
O objetivo é revisar o laudo oficial emitido por legistas indonésios, que apontaram hemorragia interna causada por múltiplos traumas como causa da morte.
Família acusa negligência e aponta culpados
O caso ganhou repercussão nacional após o programa Fantástico, da TV Globo, exibir imagens inéditas da tragédia no último domingo (29). Em entrevista emocionante, a mãe de Juliana, Estela Marins, desabafou:
“É uma indignação muito grande. Esses caras mataram minha filha.”
Segundo relato da família, o guia responsável pelo grupo teria abandonado Juliana por cerca de 40 minutos, após ela reclamar de cansaço. Enquanto o profissional supostamente saía para fumar, a publicitária seguiu sozinha pela trilha, considerada uma das mais perigosas da Indonésia.
“O guia deixou a Juliana sozinha. A empresa que vende o passeio não tinha estrutura. O parque demorou horas para iniciar o resgate. A Defesa Civil só chegou ao local às 19h, sendo que o acidente ocorreu por volta das 4h da manhã”, disse o pai, Manoel Marins.
A família acusa o guia, a empresa de turismo local e também a administração do parque pela tragédia.
Pedido formal à Justiça Federal
O processo judicial tramita em caráter de urgência na Justiça Federal no Rio de Janeiro. A Defensoria Pública, com apoio da Prefeitura de Niterói, reforçou o pedido para que a nova autópsia ocorra antes do sepultamento.
“Queremos um laudo independente e feito por profissionais brasileiros. Precisamos entender tudo o que realmente aconteceu”, afirmou a irmã de Juliana, Mariana Marins.
Laudo da Indonésia apontou hemorragia interna
Segundo o exame oficial feito por médicos legistas na Indonésia, Juliana morreu por hemorragia interna, com múltiplas fraturas e danos a órgãos internos. A causa foi classificada como “trauma contuso múltiplo”, o que é compatível com a queda de centenas de metros.
Mas para os familiares, o laudo é insuficiente. Eles alegam que a perícia asiática não respondeu todas as dúvidas sobre o acidente e o estado do corpo antes do resgate.
Mobilização nas redes sociais
A comoção pela morte de Juliana se transformou em uma campanha online. Portanto, amigos e internautas têm utilizado a hashtag #JustiçaPorJuliana para cobrar respostas e exigir maior rigor na apuração dos fatos.
Além disso, várias entidades ligadas aos direitos dos turistas e vítimas de acidentes no exterior também se manifestaram em solidariedade à família.
Próximos passos
Agora, a expectativa gira em torno da decisão da Justiça Federal. Caso o pedido seja aceito, a nova autópsia será feita por peritos brasileiros especializados em mortes no exterior. Enquanto isso, a Prefeitura de Niterói confirmou que custeará o translado do corpo, como forma de apoio humanitário à família da vítima.






