A madrugada desta terça-feira (24) nasceu com uma promessa voando alto ou pelo menos tentando: o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, apareceu nas redes sociais anunciando com pompa que assinou um decreto proibindo balões na cidade, especialmente após uma tragédia nacional envolvendo balonismo.
Segundo o próprio gestor, balão por aqui “não, ainda mais balão vermelho”, e que a Prefeitura havia acabado de soltar um decreto proibindo esse tipo de evento, por considerar um “crime ambiental e um crime à vida”.
Mas bastou o sol nascer e o Diário Oficial bater no ar, às 00h00 desta terça-feira, para a dúvida começar a pairar no céu como… um balão que nunca existiu: nenhum decreto com tal proibição foi publicado. Isso mesmo. Nem rastro de decreto, nem rabisco de balão.
Decreto fantasma ou marketing de ar quente?
A ausência do documento no Diário Oficial chamou a atenção. Afinal, se é pra proibir, que seja por escrito e com data, número e publicação. Até o momento, o ato segue mais para peça de retórica que norma com validade jurídica. E o pior: em 113 anos de existência, Divinópolis nunca teve tradição alguma com balões. Nem os juninos, nem os de gás quente.
Na internet, o tom virou piada. “Nem balão de São João sobe por aqui, imagina balonismo!”, brincou um internauta. Outro comentou: “Divinópolis agora proíbe até o que nunca teve. Se continuar assim, o próximo decreto vai proibir neve e tsunami”.
Só sobra o balão da Secretaria de Cultura
Em tom de deboche, o próprio prefeito ironizou a situação em seu vídeo, dizendo que “balão em Divinópolis, só os da Secretaria de Cultura”. A fala arrancou risos, mas também críticas quanto ao uso de tragédias como argumento para medidas midiáticas sem efeito prático.
Enquanto o decreto não aparece, o episódio deixa no ar uma pergunta simples: se não há prática, nem tradição, nem decreto, o que exatamente está sendo proibido?
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Não merece atenção.