Durante coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (13), em Formiga (MG), a Polícia Civil e o Ministério Público de Minas Gerais trouxeram à tona novos elementos sobre o assassinato do professor Jhonatan Silva Simões, de 31 anos, ocorrido em 29 de maio. As autoridades apontam o vereador de Araújos, Lucas Coelho, como autor dos disparos que vitimaram o educador, também conhecido como Jhony.
De acordo com o delegado Ricardo Augusto de Bessas, a apuração dos fatos levou à conclusão de que se trata de um homicídio doloso qualificado, cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. “A Polícia Civil tem convicção de que o crime foi premeditado. O autor aguardou a chegada da vítima em emboscada, demonstrando frieza e intenção clara de matar”, afirmou.
As investigações revelam que o relacionamento entre os dois era marcado por possessividade e episódios de violência. A situação teria se intensificado após Jhonatan descobrir que havia sido contaminado pelo vírus HIV, informação que teria sido omitida pelo parlamentar.
Ainda segundo a Polícia Civil, em fevereiro deste ano, Lucas teria agredido a vítima na zona rural de Araújos, danificado seu veículo e feito ameaças explícitas. Uma delas, citada pelo delegado, foi: “Vou derramar seu sangue. Formiga vai chorar seu luto”.
O promotor de Justiça Ângelo Ansanelli informou que o Ministério Público pretende apresentar denúncia formal contra o vereador. “Com a finalização do inquérito, a promotoria vai solicitar a conversão da prisão temporária em preventiva e oferecer a denúncia. Após isso, será marcada a audiência de instrução, e acreditamos que o réu será submetido a júri popular”, explicou.
Lucas Coelho permanece recolhido no presídio de Bom Despacho. Sua defesa declarou que aguardará o encerramento da investigação para se manifestar.
O caso
Jhonatan Simões foi morto ao chegar em casa, após o expediente de trabalho, em Formiga. Câmeras de segurança mostram que o atirador, com o rosto coberto, o esperava por pelo menos 45 minutos. A vítima foi alvejada por seis tiros, todos pelas costas.
O principal suspeito é seu ex-companheiro, com quem manteve um relacionamento por aproximadamente um ano. Familiares relataram que a convivência era conflituosa e cercada de perseguições, ameaças e atitudes abusivas por parte de Lucas Coelho.
Jhony chegou a solicitar uma medida protetiva contra o ex-noivo, mas o pedido foi indeferido. De acordo com o primo da vítima, a justificativa da Justiça foi que o instrumento legal seria exclusivo para mulheres.
O vereador se apresentou à polícia no dia 5 de junho, na cidade de Bom Despacho, acompanhado de um advogado. Sua prisão foi decretada no mesmo dia.
Após a detenção, a Câmara Municipal de Araújos anunciou a suspensão do mandato e dos vencimentos do parlamentar, com base em seu regimento interno. Em nota, o Legislativo lamentou o crime e expressou solidariedade à família da vítima.







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