A proposta do governador Romeu Zema (Novo) de federalizar a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) foi categoricamente rejeitada pelo governo Lula, em manifestação oficial dos Ministérios da Gestão e da Educação. A iniciativa, segundo o Planalto, sequer está sendo considerada, mesmo após o governador mineiro tentar emplacá-la como solução para a crise financeira do estado.
A movimentação de Zema, revelada pela Folha de S.Paulo, foi interpretada por parlamentares e especialistas como mais uma tentativa de desonerar o Estado da responsabilidade com a educação superior pública, entregando-a à União sem debate com a comunidade acadêmica ou com a população mineira. Mais do que isso, há quem enxergue na proposta uma jogada política alinhada ao projeto de privatizações da atual gestão estadual.
Deputada Lohanna França critica duramente a proposta
Entre as vozes mais críticas à tentativa de federalização está a deputada estadual Lohanna França (PV), que classificou a ação de Zema como “uma desculpa para passar a boiada privatista”. Em pronunciamento incisivo, ela disse:
“O governo federal acabou de dizer para o governo Zema o que todos nós já sabíamos: a UEMG é dos mineiros e não cabe falar em federalização, muito menos usar o Propag como desculpa para passar a boiada e tentar entregar o patrimônio da universidade.”
A parlamentar reforçou que Minas Gerais não pode abrir mão de manter uma universidade pública, gratuita e estadual de qualidade, à semelhança de outros grandes estados brasileiros.
Além disso, Lohanna levantou suspeitas sobre um possível plano de enfraquecimento da UEMG para justificar a entrega de seus bens. “Não vamos deixar essa tentativa de privatização e de venda dos lotes com descontão de mais de 40%”, alertou.
Governo federal freia avanço de projeto sem respaldo
Conforme apuração da Folha, a proposta foi levada informalmente ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI), mas não obteve acolhimento. O entendimento técnico é de que a federalização de uma universidade estadual não é simples, e muito menos desejável, sem ampla negociação, recursos garantidos e, principalmente, o desejo da comunidade universitária.
Fontes ligadas à UEMG também teriam relatado desconforto com a possibilidade, temendo impactos sobre a autonomia universitária e as diretrizes pedagógicas. Para muitos, o movimento revela um governo estadual que, ao invés de investir na educação superior, busca se livrar da responsabilidade.
Educação como trincheira política
Em meio ao embate, a discussão sobre a UEMG escancara as divergências entre os modelos de gestão de Zema e Lula. Enquanto o primeiro aposta na austeridade com viés privatizante, o segundo tem ampliado investimentos em universidades federais, expandido institutos federais e reafirmado a centralidade da educação pública.
A rejeição à proposta de Zema é um recado claro de que, ao menos por enquanto, a UEMG segue sendo um patrimônio dos mineiros — e não será “passada adiante” sem resistência política e social.
Com auxilio da IA ( Mas tem que saber usar )
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