O registro de um caso de gripe aviária em um sítio localizado no município de Mateus Leme, na região Central de Minas Gerais, despertou grande atenção entre produtores rurais, especialmente no Centro-Oeste do estado. A suspeita é de que o contágio tenha ocorrido a partir do contato com aves migratórias. Em decorrência do caso, o governador Romeu Zema (Novo) decretou estado de emergência sanitária por meio de uma edição especial do Diário Oficial.
Diante do cenário, a médica veterinária e professora do Centro Universitário Una, campus Bom Despacho, Flávia Ferreira Araújo, destaca a necessidade de adoção rigorosa de medidas de prevenção nas propriedades rurais. Segundo ela, evitar o avanço da infecção nos planteis depende de ações simples, mas fundamentais. “É preciso manter as aves confinadas em galpões telados, longe do contato externo. A água fornecida deve ser limpa e de boa qualidade, o acesso de pessoas estranhas precisa ser controlado, veículos devem passar por desinfecção e é essencial manter a higiene dos bebedouros, bem como o manejo correto de dejetos e sobras de ração”, orienta.
Flávia ressalta que o médico veterinário é o profissional mais indicado para conduzir ações de controle sanitário em casos como este. “Temos a missão de disseminar informações corretas para a população, sobretudo durante surtos. Criar condições adequadas de manejo evita a propagação de doenças e melhora a qualidade dos produtos destinados ao consumo”, pontua.
A docente recomenda que todas as propriedades — de pequenos criadores a grandes aviários — mantenham acompanhamento técnico contínuo. “Quem comercializa produtos de origem animal precisa garantir que esses alimentos passem por uma fiscalização adequada, com respaldo profissional”, afirma.
Entre os sintomas da influenza aviária estão sinais entéricos e neurológicos. “A primeira evidência pode ser o aumento repentino na mortalidade do plantel, ultrapassando 10%. Além disso, os animais podem apresentar dificuldades respiratórias, secreções nasais e oculares, aumento de espirros, perda de coordenação, torcicolo e diarreia”, detalha a veterinária. A presença desses indícios deve ser imediatamente comunicada às autoridades sanitárias competentes.
Flávia ainda tranquiliza os consumidores sobre o risco de transmissão para humanos. “O vírus da influenza aviária não se transmite por meio do consumo de carne. A principal preocupação é o impacto na produção, não a contaminação humana via alimentos”, esclarece.






