Um estudante do curso de Engenharia Civil da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) – Unidade Divinópolis, identificado no Instagram como Cleyton Q.G (@cleyton_edificacoes) lançou um rap, contra a ameaça de privatização da instituição de ensino superior. Segundo compositor, objetivo é mobilizar a comunidade acadêmica e ao movimento estudantil, para ser resistência à pauta de sucateamento das 19 unidades pelo estado mineiro.
No caso divinopolitano, a UEMG, ex FUNEDI, foi absorvida em setembro de 2014, ainda na gestão do governo Anastasia. De 2015 para cá, com as primeiras turmas da estadualização, entre os governos Pimentel e principalmente de Romeu Zema, não só a unidade de Divinópolis como muitas outras, enfrentaram uma série de percalços.
Das reivindicações locais, está a finalização da manutenção predial, reforma, conclusão, reajuste salarial acima da inflação, realização de concursos para técnicos e professores, inauguração e funcionamento do Restaurante Universitário, cobertura da quadra esportiva, instalação dos aparelhos de ar-condicionado, suporte das conexões e velocidade de internet, compra de equipamentos adequados e suficientes para os cursos de comunicação, bem como outras melhorias gerais.
A UEMG não se vende
No clipe, “A UEMG não se vende!” tem rimas e frases de efeito com diversos registros sobre a última paralisação dos professores (corpo docente) e alunos, bem como a ida destes à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última quarta-feira (28/05), durante a votação do projeto de lei PL 3.731/25. A preocupação da comunidade é que a aprovação do projeto e, com as eleições para Governo Estadual e Federal ano que vem, possa abrir porta para uma futura privatização das unidades de ensino mineiras.
O que fala o projeto?
O projeto fala sobre o refinanciamento de dívidas mineiras para com o Governo Federal, possível entrega de 343 imóveis do estado para a União e o projeto de transferência para a União da gestão da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Atualmente, a dívida entre as partes atualizada e corrigida com juros, está na ordem de R$ 165 bilhões de reais.
O PL 3.731/25 vincula o Estado ao cumprimento das regras estabelecidas pela Lei Complementar Federal 212, de 2025, para o refinanciamento da dívida com a União. A proposição também prevê o encerramento da adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), a partir do pedido de adesão ao Propag.
O texto aprovado em votação final foi o recomendado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (substitutivo nº 1 ao vencido), com a emenda nº 1, apresentada no Plenário pelo deputado João Magalhães (MDB), líder do governo na ALMG.
O texto substitutivo insere dispositivo sobre a criação do comitê interinstitucional de acompanhamento do contrato de adesão, tratando de sua composição e atuação. Já a emenda retira a expressão “direto” do trecho que dizia: “o comitê deverá terá acesso direto a todos os dados, relatórios, contratos e documentos financeiros e patrimoniais relacionados à execução do contrato com a União no âmbito do Propag, ressalvados aqueles que possam impactar negativamente a relação negocial entre as partes e observada a legislação pertinente”.
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