A exclusão da advogada Eloisa Helena Santos Aquino, uma das mais experientes integrantes da subseção de Divinópolis da OAB-MG, da equipe de vôlei que representará o município nos Jogos da Advocacia Mineira (JAM) provocou uma onda de indignação e acusações graves que vão de racismo institucional a etarismo e perseguição político-ideológica.
Com mais de 40 anos de inscrição na Ordem (nº 43.409) e atualmente em seu terceiro mandato como Conselheira Estadual da OAB-MG, Eloisa foi comunicada de que não participaria da equipe após 17 anos consecutivos integrando o time. A justificativa oficial seria um limite de 60 atletas, imposto pela Caixa de Assistência do Advogado (CAA-MG), com preferência para participantes “mais competitivos”.
Experiência nacional e internacional ignorada
A decisão surpreendeu não apenas pelo histórico da advogada — que há quase 25 anos atua na equipe master do Estrela do Oeste Clube, com participações em torneios internacionais no Peru e Estados Unidos — mas pela falta de critérios transparentes. Eloisa foi reconhecida como melhor levantadora em diversas ocasiões e sempre foi presença ativa nos treinos e jogos.
Segundo apuração do Divinews, outras atletas que permanecem na equipe estariam participando irregularmente dos treinos ou até mesmo afastadas por licença-maternidade, como as advogadas Iara Gonçalves Cristina e Tatiana Oliveira Corgosinho. Ainda assim, não foram excluídas.
Conflito político e suposta discriminação
A decisão foi tomada por uma comissão formada por Ariana da Silva Miranda (OAB-MG 214.808) e Silvana do Vale, sob aval da presidente da subseção, Dra. Ellen Ariadna, e do vice-presidente Marcelo. De acordo com Eloisa, as duas integrantes da comissão mantêm divergências políticas profundas com ela, o que levanta a suspeita de perseguição ideológica.
Mais grave, porém, é a denúncia de racismo institucional. “A comissão é composta por três mulheres brancas, e a exclusão de uma mulher negra, com trajetória consolidada, é no mínimo simbólica. Existe um racismo velado sendo praticado sob o pretexto de competitividade”, afirmou Eloisa.
Ações na OAB Nacional e denúncia formal
Eloisa confirmou que levará a denúncia ao presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun, e formalizará uma representação junto à Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Nacional, com base no Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003), que caracteriza como crime qualquer forma de discriminação que dificulte o acesso a atividades sociais, esportivas ou culturais em razão da idade.
A exclusão ocorre em um cenário de forte divisão política dentro da subseção da OAB Divinópolis, onde, na última eleição, a chapa vencedora superou a oposição por apenas 32 votos, refletindo uma polarização que agora parece ter migrado para os espaços de lazer e confraternização da advocacia.
Espaço aberto para manifestação
O Divinews reforça que não procurou previamente a presidência da subseção de Divinópolis nem a Caixa de Assistência da OAB-MG para comentar o caso, mas reitera que o espaço está aberto para manifestações de todos os envolvidos.
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