A bebê Cecília, nascida há cerca de 15 dias no Hospital São João de Deus, se tornou o centro de uma batalha judicial e familiar. Filha de uma mulher em tratamento contra dependência química em uma clínica de recuperação em São Gonçalo do Pará, a criança teve alta hospitalar recentemente, mas acabou sendo acolhida institucionalmente por determinação judicial. Porém, familiares do municipio de Novo Gama reivindicam guarda da bebê, que tem apenas dias de nascimento.
Segundo relato da família, a tia materna, Lorraine de Jesus, que se deslocou do Novo Gama (GO) para acompanhar a bebê desde seu nascimento, afirma que buscou a guarda provisória da criança apresentando um termo de responsabilidade emitido pelo Conselho Tutelar de Arinos (MG), município onde a mãe da criança residia antes da internação. No entanto, o hospital e as autoridades locais não reconheceram a validade do documento por não ter origem no município de residência da tia.
A situação se agravou quando, no dia da alta da bebê, a assistente social do hospital informou que a criança poderia ser encaminhada a um abrigo por ausência de decisão judicial. Mesmo diante da presença constante da tia no hospital e dos laços familiares, a Justiça determinou, em caráter provisório, o acolhimento institucional da bebê em uma casa de acolhimento ou, na ausência de vaga, em um abrigo.
A família, que se hospedou em uma pousada em Divinópolis para acompanhar de perto a situação, afirma ter sido tratada com descaso por parte de algumas autoridades. Relatam também que a conselheira tutelar de Divinópolis, identificada como Adma, retirou a criança dos braços da tia de forma brusca e sem o devido acolhimento humano, gerando forte comoção entre os familiares.
A defesa da família, representada por uma advogada, já ingressou com pedido de guarda provisória urgente, alegando que a criança tem parentes de sangue disponíveis e aptos para o acolhimento. O Ministério Público argumentou que, embora a tia materna demonstre interesse, não houve estudos sociais suficientes na comarca de origem, o que justificaria a medida cautelar de proteção.
O caso expõe falhas de comunicação entre os conselhos tutelares de diferentes municípios, dificuldades de articulação entre instâncias judiciais e críticas à atuação de assistentes sociais. A família teme que a bebê seja encaminhada à adoção sem que seus direitos familiares sejam respeitados.
Em meio à tensão, a assistente social do Hospital São João de Deus, segundo relato da família, negou o direito da família de permanecer com a criança, alegando falta de autorização judicial. A situação piorou quando, no momento da entrega da bebê ao Conselho Tutelar, a conselheira Adma teria arrancado a criança dos braços de Lorraine sem diálogo ou acolhimento, gerando um clima de forte comoção.
“Aqui não deixo saudades”, diz sogra em pranto
Em um momento que marcou a live transmitida sobre o caso, a sogra de Lorraine, visivelmente abalada, chorou ao relatar a dor vivida pela família:
“A gente não queria tirar a criança de Divinópolis, só queria cuidar dela com amor. Mas ela foi arrancada dos nossos braços, como se não fôssemos nada. Eu nunca vivi nada tão cruel.”
Com a voz embargada, ela continuou:
“Não quero nunca mais pisar aqui. Divinópolis vai ficar marcada como o pior lugar que já conheci. Tudo isso por causa da frieza desse hospital e de uma assistente social que sequer nos ouviu.”
Críticas contundentes ao Hospital São João de Deus
A atuação do Hospital São João de Deus, especialmente de sua assistente social, foi alvo de críticas severas. A família afirma que não houve nenhuma tentativa de mediação ou apoio humanizado diante do drama vivido pelos familiares. Ao contrário, destacam que foram tratados com indiferença e desconfiança, apesar da presença constante da tia no hospital desde o nascimento da criança.
“A assistente social já tinha decidido que a criança iria para o abrigo, independentemente de qualquer manifestação nossa. Isso não é acolhimento. Isso é imposição fria, sem empatia”.
O Divinews que soube do caso ainda no inicio da madrugada desta sexta-feira (02), e acionou imediatamente a CEO do CSSJD, Elis Regina Guimarães, que se inteirou do caso, informando ao Portal o que a equipe lhe informou. Contudo, sem os detalhes trazida à tona, na live feita pelo Divinews com os familiares de Janaina, que reivindicam a guarda do seu bebê.
Fato é que, a família agora aguarda a decisão judicial sobre o pedido de guarda provisória, já protocolado por sua advogada, e denuncia que a burocracia e o despreparo de alguns profissionais podem resultar na destituição injusta de vínculos familiares legítimos.
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