O sistema de saúde de Itaúna virou alvo de duras críticas na Câmara Municipal. Durante sessão recente, o vereador Israel fez um apelo veemente ao secretário de saúde do município, Alan da Silva, responsabilizando-o diretamente pela morosidade e falta de estrutura para a realização de cirurgias eletivas. Alan, que já foi secretário de saúde de Divinópolis e deixou má impressão por sua gestão considerada fraca, volta agora a ser centro de polêmica, desta vez em Itaúna.
O vereador destacou casos dramáticos de cidadãos que aguardam há anos por procedimentos cirúrgicos, muitos deles em situações críticas. Em um dos relatos, uma mulher diagnosticada com câncer em um dos rins e cálculo renal no outro, viu-se obrigada a recorrer a uma vaquinha online para custear uma cirurgia de urgência, diante da completa ausência de contrato entre a prefeitura e instituições hospitalares para a realização desses procedimentos.
“É revoltante ver a regulação dizer que a fila está parada, enquanto vidas estão por um fio”, desabafou o vereador Israel, visivelmente indignado. Ele afirmou ter sido procurado por diversas famílias desesperadas, que não conseguem atendimento adequado, e alertou que a falta de planejamento da secretaria de saúde local está levando pacientes a situações de risco de morte.
Ex-secretário repete erros em nova gestão
Alan da Silva, conhecido dos divinopolitanos por sua controversa passagem pela Secretaria de Saúde de Divinópolis, volta a ser criticado por deficiências que se repetem. Em Divinópolis, sua gestão foi marcada por promessas não cumpridas e pela incapacidade de solucionar filas e melhorar o atendimento. Agora, em Itaúna, a população começa a sentir os mesmos problemas.
Israel também destacou um caso de uma jovem de 24 anos, pesando pouco mais de 30 quilos, aguardando uma cirurgia de esôfago sem qualquer previsão para atendimento. Outro caso citado foi o de uma mulher com laudos médicos para redução de mama, esperando há quatro anos sem resposta, sob o argumento de que o SUS não cobre o procedimento, mesmo com comprovação médica de necessidade.
“Falta humanidade, falta empenho e, principalmente, falta competência para resolver essas questões. A população está morrendo à míngua”, criticou Israel, dirigindo-se diretamente ao secretário Alan.
Defesa evasiva e falta de soluções
O secretário tentou justificar a situação alegando que a prefeitura depende de “habilitações” e não de “contratos”, como fora informado aos vereadores. No entanto, a explicação não convenceu. A falta de ações práticas por parte da secretaria levou o vereador a afirmar que não há esperança para os que estão na fila de espera.
A crítica foi além, sugerindo que a gestão atual de Itaúna precisa olhar com mais seriedade para a crise da saúde. “A responsabilidade também é da população de avisar quando não vai comparecer à cirurgia, mas como fazer isso quando o próprio sistema não funciona?”, questionou Israel, referindo-se às justificativas do secretário sobre ausência de pacientes.
Repercussão política
O caso deve ganhar repercussão na cidade, pois evidencia a fragilidade da administração municipal em um setor vital como a saúde. Com a pressão popular aumentando e os vereadores de oposição ganhando força, o prefeito Gustavo Mitre poderá ter que rever sua política de saúde para evitar maiores desgastes.
Israel finalizou seu discurso com um apelo ao prefeito e à secretaria: “Que olhem com carinho para o povo de Itaúna, que clama por socorro. Não é só uma questão técnica, é uma questão de humanidade.”
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