Neste Dia Internacional das Mulheres, Gleide Andrade, secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, publicou um artigo em um outro veículo de comunicação, abordando o machismo enraizado na sociedade e, especialmente, na política brasileira. Com uma visão crítica e reflexiva, Gleide analisa como o patriarcado ainda limita a presença das mulheres em esferas de poder e como as mulheres têm sido constantemente alvo de ataques machistas, seja por parte de adversários políticos ou pela própria mídia.
No artigo, Gleide faz um paralelo entre episódios marcantes da história política recente, como os ataques contra Dilma Rousseff e Janja Lula, para ilustrar o papel que a direita e as elites conservadoras tentam impor às mulheres: um papel de subordinação, silêncio e invisibilidade. Ela critica, ainda, a constante desvalorização das mulheres que ocupam posições de destaque, como a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e reafirma o compromisso do Partido dos Trabalhadores com a luta pela emancipação feminina.
“O machismo é algo estrutural, arraigado na sociedade. Romper com ele requer de todos nós, mas sobretudo dos homens de esquerda, lucidez e desprendimento”, escreve Gleide no artigo, destacando a importância de políticas públicas e a ampliação da participação feminina nos espaços de poder.
O texto também comemora a trajetória do PT, que completou 45 anos em fevereiro deste ano, e reforça o compromisso do partido com a luta por políticas de combate à violência contra a mulher e pelo aumento da representatividade feminina em todos os níveis de decisão política no Brasil.
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Os dois episódios, num intervalo de apenas 24 horas, expõem bem o papel que a direita e as elites conservadoras deste país reservam às mulheres. A direita quer as mulheres — incluindo a primeira-dama — caladas, apagadas, submissas ao homem, em casa, no trabalho e na política. É justamente por romper com essas expectativas que Janja, a esposa do presidente Lula, se tornou alvo frequente de ataques machistas daqueles que buscam autopromoção à custa da misoginia. Muitos dos que se incomodam com o papel que Janja desempenha ignoram que ela é militante do PT desde a adolescência e que, como mulher, petista e feminista, tem pleno direito de ter voz na política.
A visão de mundo atrasada e machista está também na raiz de boa parte das críticas à escolha do presidente Lula ao nomear Gleisi Hoffmann como ministra das Relações Institucionais do governo. Por ignorância ou preconceito (às vezes ambos) repetem chavões que se ouviram quando Lula a indicou para presidir o PT, em 2017. Omitem o sucesso de Gleisi ao manter o partido unido em seu momento mais difícil: pós-golpe, em plena farsa da Lava Jato e da prisão ilegal de Lula. Tentam apagar sua competência na articulação política da campanha presidencial de 2022, quando construiu uma coligação de 12 partidos e ampliou a frente democrática no segundo turno.
Em todos esses desafios, estive ao lado de Gleisi e do presidente Lula, seja como Secretária de Organização do PT de 2017 a 2019, ou como Secretária de Finanças do PT, de 2019 até hoje, durante uma das eleições mais difíceis que enfrentamos. Ser mulher e ocupar a Secretaria Nacional de Finanças do PT me levou a enfrentar as perseguições machistas, por meio da mídia e de adversários da direita, tanto a nível nacional quanto local, em Minas Gerais, e por vezes em meu próprio partido, o primeiro no Brasil a garantir a paridade entre mulheres e homens em todos os postos de direção. O machismo é algo estrutural, arraigado na sociedade. Romper com ele requer de todos nós, mas sobretudo dos homens de esquerda, lucidez e desprendimento.
O PT completou 45 anos em fevereiro deste ano e, agora, em mais um Dia Internacional das Mulheres, reafirmamos nosso compromisso com a luta pela emancipação feminina, pelas políticas de combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra a mulher, e com a ampliação da participação das mulheres em todos os espaços de poder para que possamos eleger mais mulheres comprometidas com a emancipação feminina.
Que neste 8 de março, reafirmemos que as mulheres devem ocupar todos os espaços que desejarem: na presidência de partidos, nas secretarias de finanças, à frente de ministérios estratégicos, como a Secretaria de Relações Institucionais, e em qualquer outra posição de poder e decisão que escolherem. A luta por igualdade passa pelo reconhecimento e pela garantia, na prática cotidiana, de que não há limites para a presença das mulheres na política e em todas as esferas da sociedade.
* Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do PT
Artigo publicado originalmente no Brasil 247







Parabéns Gleide!