Politicando: Prefeita de Contagem, Marília Campos, desponta como fato novo na disputa pelo Governo de Minas; chega perto de Cleitinho em BH e Região Metropolitana

Chega perto de Cleitinho Azevedo em Belo Horizonte e Região Metropolitana

Publicado por: Geraldo Passos
Um levantamento realizado pelo Instituto Viva Voz, entre os dias 3 e 7 de janeiro de 2025, com 2.700 moradores de Belo Horizonte, trouxe um fato novo à disputa eleitoral para o governo de Minas Gerais, cuja eleição ocorrerá em 2026. Pela primeira vez, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aparece muito bem posicionada na corrida, alcançando 20,4% da preferência do eleitorado da capital mineira. Ela está em segundo lugar, atrás apenas do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera com 23,4%. Com uma margem de erro de 1,9 ponto percentual, a diferença entre os dois configura praticamente um empate técnico.
Outros nomes também figuram na pesquisa, estabelecendo um cenário ainda aberto e com potencial para mudanças. O deputado federal Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas Gerais por dois mandatos, ocupa a terceira colocação com 10,9%, seguido pelo presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD), com 9,8%, e pelo vice-governador Mateus Simões (Novo), com 4,6%. Além disso, a pesquisa apontou que 13,4% dos entrevistados declararam voto branco ou nulo, enquanto 17,6% não responderam. A pesquisa também foi divulgada pelo jornal de maior circulação no estado, o “Estado de Minas”, numa coluna política.
O destaque de Marília Campos na pesquisa gera preocupação entre os candidatos de extrema direita e direita, especialmente aqueles alinhados ao bolsonarismo. Nomes como Nikolas Ferreira (PL), Bruno Engler (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos), que disputam o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente inelegível —, enfrentam um cenário eleitoral mais desafiador do que o esperado. Apesar de tentarem se consolidar como o “fato novo” da política estadual, essa narrativa é colocada em xeque pelos dados recentes, que posicionam Marília Campos como uma liderança competitiva e embolada na disputa pela preferência dos concorrentes. O levantamento sugere que a campanha de 2026 pode ser marcada por um equilíbrio maior do que o inicialmente previsto, diminuindo uma disputa acirrada entre os diferentes espectros políticos.
A prefeita Marília Campos, do PT, está em seu quarto mandato à frente da Prefeitura de Contagem e, na última eleição municipal, foi a mulher mais votada do Brasil. Sua gestão é amplamente bem avaliada, consolidando-se como uma vitrine positiva que destaca sua experiência como administradora pública — um diferencial importante em comparação com candidatos de extrema direita e direita que nunca ocuparam cargos no Executivo. Enquanto esses candidatos precisam se apresentar como uma “esperança de mudança” em uma eventual campanha para governador, Marília Campos conta com um histórico concreto e bem sucedido como prefeita reeleita do terceiro maior colégio eleitoral de Minas Gerais. Além disso, ela é reconhecida por sua habilidade como interlocutora, conseguindo dialogar com diferentes grupos políticos e ideológicos.
Apesar de ser filiada ao PT, Marília Campos tem defendido a formação de uma frente ampla de centro para enfrentar as candidaturas de extrema direita e direita no estado. Em diversas entrevistas, ela já manifestou apoio à possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas. No entanto, um levantamento recente do Instituto Viva Voz, considerando a opinião dos moradores de Belo Horizonte, revelou que o nome de Pacheco não apresenta o mesmo nível de facilidades que o de Marília Campos, cuja trajetória política vem ganhando força e destaque no cenário mineiro.
O levantamento realizado pelo Instituto Viva Voz, e publicado pelo Jornal Estado de Minas, na coluna de Bernardo Estillac, embora tenha sido restrito a Belo Horizonte, funciona como uma dinâmica do eleitorado mineiro, já que uma capital reúne famílias de todas as regiões do estado. A repercussão positiva das quatro administrações de Marília Campos e sua fama de articuladora política, com habilidade para unir o centro, são compreensíveis devido à proximidade entre Contagem e Belo Horizonte. Contagem, o terceiro maior colégio eleitoral de Minas Gerais e parte da Região Metropolitana, tem uma conexão dinâmica com a capital, com centenas de moradores que residem em Contagem, mas trabalham diariamente em Belo Horizonte, ajudando a disseminar informações sobre uma gestão bem avaliada de Marília Campos entre os belorizontinos.
O maior desafio de Marília Campos, no entanto, é ampliar seu reconhecimento no interior do estado. Ainda assim, ela se destaca como uma das líderes políticas de centro e esquerda com maior engajamento nas redes sociais, demonstrando capacidade para enfrentar candidatos que ascenderam na política graças à “tecnopolítica” e à popularidade de Jair Bolsonaro. Nesse cenário, Marília Campos pode emergir como a principal candidata do centro e da esquerda para competir com figuras de extrema direita e direita, que são utilizadas nas redes sociais como uma ferramenta estratégica para campanhas eleitorais.
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