Ney Latorraca, um dos mais versáteis e icônicos atores brasileiros, morreu na manhã desta quinta-feira (26), aos 80 anos, vítima de uma sepse pulmonar decorrente do tratamento de um câncer de próstata. Ele estava internado há seis dias na Clínica São Vicente, na Gávea, Rio de Janeiro. A informação confirmada pelo hospital.
Com uma carreira marcada por personagens inesquecíveis e performances memoráveis, Latorraca era natural de Santos, litoral paulista, onde nasceu em 27 de julho de 1944, filho de artistas que se apresentavam em cassinos.
Trajetória brilhante
A trajetória de Ney começou cedo, aos seis anos, em uma radionovela na Rádio Record. Nos palcos, estreou aos 20 anos, em 1964, com a peça “Pluft, O Fantasminha”, de Maria Clara Machado. Seu talento logo o levou a São Paulo, onde trabalhou com grandes nomes do teatro, como Cacilda Becker e Flávio Rangel.
Na televisão, Latorraca ganhou notoriedade ao participar de novelas marcantes, como “Escalada” e “Estúpido Cupido”. Nos anos 1980, consolidou sua popularidade com o inesquecível velhinho Barbosa, da TV Pirata. Em “Vamp”, viveu o memorável Conde Vlad, um dos personagens mais queridos da teledramaturgia brasileira.
No teatro, brilhou ao lado de Marco Nanini em “O Mistério de Irma Vap”, peça que permaneceu 11 anos em cartaz e entrou para o Guinness Book como o espetáculo de maior duração no Brasil.
Uma vida dedicada à arte
Com quase 60 anos de carreira, Ney Latorraca transitou com maestria pelo cinema, televisão e teatro, deixando um legado artístico inestimável. Entre seus sucessos no cinema, estão “O Beijo no Asfalto”, “Ópera do Malandro” e “Carlota Joaquina”.
Latorraca nunca deixou de expressar seu amor pela arte de atuar. “Representar é uma grande trepada. Talvez a melhor de todas, porque tem o aplauso no fim”, disse ele certa vez, resumindo sua paixão pelo ofício.
Desafios pessoais e generosidade
Em 2012, o ator enfrentou uma grave complicação após uma cirurgia na vesícula, mas superou as adversidades, encarando o período como uma “segunda vida”. Generoso, Ney planejava destinar seu patrimônio a instituições de amparo a artistas e doentes.
Ele deixa o marido, Edi Botelho, com quem compartilhou 30 anos de uma relação marcada por amor e parceria.
Despedida de um gigante
Ney Latorraca se despede deixando um legado incomparável, construído com humor, sensibilidade e paixão pela arte. Sua ausência será sentida, mas suas obras continuarão a inspirar gerações. O Brasil se despede de um dos maiores artistas de sua história, com o aplauso eterno de quem teve o privilégio de assistir à genialidade de Ney Latorraca em ação.
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