O julgamento dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, acusados de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, inicia-se nesta quarta-feira (30) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Após anos de investigação, o caso finalmente chega ao júri popular, com repercussão nacional e internacional, destacando-se como um marco na luta pela justiça e contra a violência política.
A sessão contará com o depoimento de nove testemunhas, sendo sete delas convocadas pelo Ministério Público e duas pela defesa de Lessa. Élcio Queiroz optou por dispensar as testemunhas inicialmente indicadas em sua defesa. O julgamento ocorre de forma híbrida, com os réus participando por videoconferência direto das penitenciárias onde estão detidos: Lessa na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, e Élcio em uma unidade de Brasília.
Devido à grande visibilidade do caso, o tribunal decidiu restringir a presença no plenário, permitindo apenas a entrada das pessoas diretamente envolvidas no julgamento. A medida busca minimizar tumultos e aglomerações, considerando o interesse público e o impacto emocional que o caso causa.
O crime que chocou o Brasil e o mundo
Marielle Franco, socióloga e ativista dos direitos humanos, havia sido eleita vereadora pelo Rio de Janeiro e exercia seu mandato há pouco mais de um ano quando foi morta a tiros no bairro do Estácio, no centro da cidade. Na noite do crime, em 14 de março de 2018, Marielle voltava de um evento de mulheres negras na Lapa. O carro em que estava foi interceptado, e 13 disparos foram efetuados, matando Marielle e o motorista, Anderson Gomes. Uma assessora da vereadora, que também estava no veículo, sobreviveu com ferimentos causados por estilhaços.
A execução brutal gerou um clamor popular e atraiu a atenção internacional, sendo vista por muitos como um atentado à democracia brasileira e à luta pelos direitos humanos.
Investigações e novos acusados
Após cinco anos de investigações e reviravoltas, além da prisão de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz como executores, o caso agora inclui suspeitos de serem os mandantes do crime. Recentemente, em 2024, foram presos o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão e seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão. As investigações indicam que eles teriam encomendado o assassinato de Marielle.
Além dos irmãos Brazão, o ex-delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa também está sendo investigado. Ele prestou depoimento no último dia 24 ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde negou envolvimento no crime. Segundo ele, sua relação com Marielle era baseada em ações em defesa dos direitos humanos, com a vereadora funcionando como elo entre ele e o deputado Marcelo Freixo.
Os irmãos Brazão, por sua vez, alegaram não conhecer Lessa, que, em delação premiada, confessou ser o autor dos disparos e os apontou como mandantes. Domingos Brazão, em depoimento, afirmou que Lessa o acusou apenas para obter benefícios legais. Já Chiquinho Brazão relatou ao STF que sua relação com Marielle era boa e que ela tinha um “futuro brilhante”.
Desdobramentos e expectativas do julgamento
A expectativa é que o julgamento traga respostas e alguma forma de justiça para a família de Marielle Franco e de Anderson Gomes, bem como para os movimentos sociais e defensores dos direitos humanos que veem neste caso um símbolo da resistência contra a violência política. O caso continua atraindo atenção pela complexidade das investigações e pela busca incessante por justiça em um país ainda marcado por desafios na segurança pública e na proteção de lideranças sociais.
O julgamento dos executores e, futuramente, dos supostos mandantes, no STF, é acompanhado de perto e promete novos desdobramentos. A cada depoimento, a expectativa aumenta, e a sociedade aguarda que este caso traga respostas claras e efetivas.






