“O que está acontecendo aqui é o seguinte: estão liberando a mata do Noé para fazer condomínio. A própria prefeitura liberou aqui como área urbana para beneficiar quem vai fazer o loteamento”, afirmou Geraldo. Ele destacou a presença de árvores centenárias e a importância das nascentes d’água da região, que também seriam impactadas pela obra. “Há 40 anos, esse jacarandá era jovem, hoje ele está com mais de 40, 50 anos. O Ipê grande ali embaixo tem mais de 70 anos. Vai cortar isso para quê? Só para beneficiar empresários?”, questiona.
- Na Administração do prefeito Gleidson alguns foi que alguns limites da área da Mata do Noé

Continua depois da publicidade
Segundo ele, o loteamento não traria benefícios para a comunidade local, mas sim prejuízos. “Nós que moramos aqui vamos perder a saúde, nossos netos não vão ver mata aqui mais. O que estão fazendo é tirar o nosso futuro”, alertou. Além da degradação ambiental, Geraldo pontua que os animais silvestres, que já sofrem com queimadas e com a ação humana, ficariam ainda mais vulneráveis. “Os quatis estão vindo para as nossas casas porque lá está fechando o cerco para eles”, relatou.
A área de preservação da Mata do Noé é uma das poucas remanescentes de vegetação nativa no perímetro urbano de Divinópolis, sendo vital para a regulação climática e para a conservação da biodiversidade local. Segundo especialistas, a urbanização sem planejamento de regiões como essa pode agravar problemas ambientais, como a escassez de água, o aumento da temperatura e a perda de espécies animais e vegetais.
A denúncia de Geraldo inclui ainda uma crítica à falta de transparência no processo de liberação do empreendimento. Ele menciona que, de acordo com informações de funcionários envolvidos no projeto, há possíveis relações familiares entre autoridades municipais e o proprietário da construtora responsável pelo loteamento. “Quem está sendo beneficiado aqui são os empresários. Nós só vamos perder, perder espaço para a saúde. Isso aqui podia ser um parque ecológico para a preservação dos animais”, sugeriu o morador.
Continua depois da publicidade
A área de preservação da Mata do Noé já sofreu impactos significativos com a construção de outro loteamento, mais abaixo, nas proximidades do bairro Nossa Senhora das Graças. Segundo Geraldo Miquilino, morador do bairro Cidade Jardim, a devastação que ocorreu nessa região foi um primeiro sinal da expansão desordenada sobre áreas verdes, e agora, com a nova empreitada, o cenário tende a se agravar. “Lá embaixo, já liberaram 20 alqueires para fazer condomínio, e agora querem liberar o resto aqui. O que vai sobrar dessa mata?”, questiona o morador.
Geraldo também denunciou a conivência de servidores municipais, como Dreyfus Rabello, que, segundo ele, estaria beneficiando diretamente a empreitada. “O Dreyfus, que fiquei sabendo que é neto do Noé, está por trás dessa liberação. A família dele tem interesse nessa área, e quem está ganhando com isso são só os empresários. A prefeitura liberou tudo como área urbana para facilitar essa destruição”, afirmou. Ele reforça que, com o apoio de autoridades, a região está sendo devastada, comprometendo o equilíbrio ambiental e o futuro das próximas gerações.
A mobilização popular contra o desmatamento da Mata do Noé começa a ganhar força entre os moradores dos bairros afetados. Eles buscam o apoio de organizações ambientais e estão organizando ações para tentar barrar o projeto. “Vamos lutar, lutar para evitar esse desmatamento. Precisamos preservar essa área para as futuras gerações”, finaliza Geraldo.
A destruição de áreas verdes urbanas para a construção civil é um problema recorrente em diversas cidades brasileiras, e casos como o da Mata do Noé evidenciam a urgência de políticas públicas que conciliem desenvolvimento urbano com preservação ambiental. A luta dos moradores de Cidade Jardim é mais um capítulo nessa disputa por um futuro mais sustentável para Divinópolis.
COLABORAÇÃO: Vinícius Xavier /Carol Xavier
Veja a seguir as fotos do local