URGENTE E EXCLUSIVO: Prefeitura destrói meio ambiente de Divinópolis ao autorizar novo loteamento na Mata do Noé com cortes de centenas de árvores, denuncia morador
Empreendimento compromete e prejudica a fauna, flora e qualidade de vida dos moradores
Com o mundo sofrendo uma gravíssima condição climática, atingindo em cheio o Brasil, com enchentes como as que ocorreram recentemente no Rio Grande do Sul, e com as queimadas em quase todas regiões do país, de São Paulo ao Amazonas, afetando também Minas Gerais, sendo Divinópolis a cidade com maior número de focos de incêndio. Não é que, segundo denúncia do morador Geraldo Miquilino, a Mata do Noé, a mais importante área verde próximo da zona urbana, servindo como seu pulmão do município, com aproximadamente 350 hectares e contornada por pelo menos 15 bairros, está sob ameaça de um novo desmatamento, com o corte de centenas de árvores, para a construção de um outro loteamento residencial.
Fato é que, de acordo com Geraldo, morador do Bairro Cidade Jardim, há quase 40 anos, a área em questão, além de ser um importante “pulmão verde” da cidade, abriga diversas espécies de animais silvestres, como macacos, quatis, capivaras, jaguatiricas, pacas e até cobras jiboias. A devastação dessa região traria impactos irreversíveis para o ecossistema local e para a qualidade de vida dos habitantes dos bairros ao entorno, sendo eles: Antônio Fonseca, Belvedere, Catalão, Cidade Jardim, Córrego do Paiol, Dom Pedro II, Esplanada, Elizabeth Nogueira, Maria Peçanha, Nova Holanda, Quinta das Palmeiras, São José, São Miguel e Santos Dumont.
O morador entrou em contato com o Divinews na última quinta-feira (26), avisando que havia alguns homens de uma empresa adentrando a Mata do Noé, por isso ele ficou preocupado e decidiu fazer o contato. No dia seguinte, ele mesmo tirou fotos e conseguiu conversar com os trabalhadores, que explicaram o que estava fazendo. De acordo com o relato, eles estavam catalogando e demarcando arvores nativas, como exemplo o pequi, para futuramente, ao derrubar as demais espécies para a criação de um novo loteamento, informar aos órgãos competentes a necessidade de compensação.
“O que está acontecendo aqui é o seguinte: estão liberando a mata do Noé para fazer condomínio. A própria prefeitura liberou aqui como área urbana para beneficiar quem vai fazer o loteamento”, afirmou Geraldo. Ele destacou a presença de árvores centenárias e a importância das nascentes d’água da região, que também seriam impactadas pela obra. “Há 40 anos, esse jacarandá era jovem, hoje ele está com mais de 40, 50 anos. O Ipê grande ali embaixo tem mais de 70 anos. Vai cortar isso para quê? Só para beneficiar empresários?”, questiona.
Na Administração do prefeito Gleidson alguns foi que alguns limites da área da Mata do Noé
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Segundo ele, o loteamento não traria benefícios para a comunidade local, mas sim prejuízos. “Nós que moramos aqui vamos perder a saúde, nossos netos não vão ver mata aqui mais. O que estão fazendo é tirar o nosso futuro”, alertou. Além da degradação ambiental, Geraldo pontua que os animais silvestres, que já sofrem com queimadas e com a ação humana, ficariam ainda mais vulneráveis. “Os quatis estão vindo para as nossas casas porque lá está fechando o cerco para eles”, relatou.
A área de preservação da Mata do Noé é uma das poucas remanescentes de vegetação nativa no perímetro urbano de Divinópolis, sendo vital para a regulação climática e para a conservação da biodiversidade local. Segundo especialistas, a urbanização sem planejamento de regiões como essa pode agravar problemas ambientais, como a escassez de água, o aumento da temperatura e a perda de espécies animais e vegetais.
A denúncia de Geraldo inclui ainda uma crítica à falta de transparência no processo de liberação do empreendimento. Ele menciona que, de acordo com informações de funcionários envolvidos no projeto, há possíveis relações familiares entre autoridades municipais e o proprietário da construtora responsável pelo loteamento. “Quem está sendo beneficiado aqui são os empresários. Nós só vamos perder, perder espaço para a saúde. Isso aqui podia ser um parque ecológico para a preservação dos animais”, sugeriu o morador.
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A área de preservação da Mata do Noé já sofreu impactos significativos com a construção de outro loteamento, mais abaixo, nas proximidades do bairro Nossa Senhora das Graças. Segundo Geraldo Miquilino, morador do bairro Cidade Jardim, a devastação que ocorreu nessa região foi um primeiro sinal da expansão desordenada sobre áreas verdes, e agora, com a nova empreitada, o cenário tende a se agravar. “Lá embaixo, já liberaram 20 alqueires para fazer condomínio, e agora querem liberar o resto aqui. O que vai sobrar dessa mata?”, questiona o morador.
Geraldo também denunciou a conivência de servidores municipais, como Dreyfus Rabello, que, segundo ele, estaria beneficiando diretamente a empreitada. “O Dreyfus, que fiquei sabendo que é neto do Noé, está por trás dessa liberação. A família dele tem interesse nessa área, e quem está ganhando com isso são só os empresários. A prefeitura liberou tudo como área urbana para facilitar essa destruição”, afirmou. Ele reforça que, com o apoio de autoridades, a região está sendo devastada, comprometendo o equilíbrio ambiental e o futuro das próximas gerações.
A mobilização popular contra o desmatamento da Mata do Noé começa a ganhar força entre os moradores dos bairros afetados. Eles buscam o apoio de organizações ambientais e estão organizando ações para tentar barrar o projeto. “Vamos lutar, lutar para evitar esse desmatamento. Precisamos preservar essa área para as futuras gerações”, finaliza Geraldo.
A destruição de áreas verdes urbanas para a construção civil é um problema recorrente em diversas cidades brasileiras, e casos como o da Mata do Noé evidenciam a urgência de políticas públicas que conciliem desenvolvimento urbano com preservação ambiental. A luta dos moradores de Cidade Jardim é mais um capítulo nessa disputa por um futuro mais sustentável para Divinópolis.