De acordo com a comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos de Divinópolis e Região (Sintram), o Rio Itapecerica, em Divinópolis, volta a enfrentar um problema crítico: a rápida proliferação dos aguapés, uma planta aquática que se espalha em ambientes poluídos. Recentemente, trechos extensos do leito do rio foram tomados pela vegetação, que pode expandir sua cobertura em até 60 metros quadrados em apenas 24 horas, segundo um biólogo entrevistado pelo Sintram. Este cenário levanta preocupações sobre a possibilidade de um desastre ambiental, semelhante ao ocorrido em 2014, quando os aguapés cobriram totalmente o rio na área urbana, resultando em grande mortandade de peixes devido à falta de oxigênio.
Na última quinta-feira (29), o Sintram registrou imagens da situação do rio, capturadas a partir da ponte que liga o Centro ao Bairro Porto Velho. As fotos mostram a densa cobertura de aguapés em direção aos bairros Esplanada e Niterói, sugerindo que, sem intervenção, o problema pode se agravar rapidamente. Já nesta sexta-feira (30), a reportagem do Divinews esteve no local e confirmou o fato.
10 anos atrás, ainda na administração do ex-prefeito Vladimir Azevedo foi necessário o uso de uma balsa equipada com uma máquina especial para remover os aguapés. O quadro do rio serve como um alerta ambiental. Em 2014, foram necessárias semanas para limpar o leito do rio. Na ocasião, os ambientalistas registraram altos índices de mortandade de peixes, atribuídos à falta de oxigenação das águas.
O panorama do Rio Itapecerica é agravado pela longa estiagem e pela contínua poluição. Isto porque 90% do esgoto urbano ainda é despejado sem tratamento no rio. Esse cenário propicia o crescimento desenfreado dos aguapés. Além disso, a administração municipal nos últimos oito anos não adotou medidas efetivas para a limpeza das margens ou para a implementação de políticas ambientais específicas voltadas ao rio. A promessa de que o tratamento do esgoto solucionaria todos os problemas ainda não se concretizou, e não há previsão de quando isso acontecerá.
Conforme especialistas da Universidade Estadual de São Paulo, os aguapés se proliferam em águas poluídas e se tornaram um problema global devido à sua alta capacidade reprodutiva. Em águas limpas, a planta pode se aprofundar, dificultando a penetração da luz solar e prejudicando outras formas de vida aquática. Além disso, os aguapés podem se tornar um criadouro para mosquitos, contribuindo para a disseminação de insetos.
Imagens comparativas de 2014 com 2024






