Divinópolis está prestes a ganhar mais um “presente de grego”, uma área onde será armazenada o lixo de 33 municípios, que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Aterro Sanitário (CIAS). Além da população ter que pagar a taxa de esgoto sem que ele seja tratado, igualmente vai pagar junto com a conta de água outra taxa, a do aterro sanitário. A cobrança será feita por metro cúbico e vai variar para cada contribuinte, dependendo da metragem. Para além disso, há denúncia que o terreno onde o aterro já está sendo preparado foi desapropriado ilegalmente, sem que os donos da terra recebessem indenização. Fora isso, também existe uma grave ameaça para o meio-ambiente no que se trata de poluição do ar, da água e especialmente da superfície do solo até os lençóis freáticos do local. O documento desse projeto de aterro, na íntegra, possui 32 páginas (Veja no rodapé da matéria).
O prefeito Gleidson Azevedo foi em suas redes sociais nesta última quarta-feira (19), para contestar a informação sobre o CIAS, que segundo ele é perseguição e fake news da oposição. Contudo, o chefe do Executivo, não falou tudo, por que esqueceu, ou por que quer de fato esconder dos munícipes. Ou seja, que a população vai pagar uma taxa de R$ 3,88 m³ (por metro cúbico) mensalmente.
Essa situação foi abordada em LIVE no Divinews há uma semana com duas moradoras, Letícia Arruda e Luzia Pereira, que residem próximas onde o aterro será construído. O tema também foi alertado na reunião da Câmara Municipal na última terça-feira (18), pelo vereador Ademir Silva, que também é pré-candidato a vice-prefeito na chapa de Laiz Soares, pré-candidata a prefeita.
Confira a seguir nessa reportagem os trechos dessa dupla abordagem a respeito do tema.
Letícia Arruda, convidada do Divinews e moradora da região onde pode ser levantado o projeto, introduz que tem pelejado para que a ideia não se torne realidade e que teve parte do seu terreno o desapropriado ilegalmente. “Venho procurando vários meios para se divulgar isso, porque é uma coisa que já vem se estendendo há anos. E a gente, eu e a minha família, vem sendo ferida há anos com esse aterro. E agora, sim, já afeta não só a minha família, como a população divinopolitana. Os crimes ambientais que vêm acontecendo naquela região, vêm afetando toda a população de divinópolis. Eu já tenho requerendo na Prefeitura, alguns documentos, sabe? Porque eles apropriaram um pedaço do imóvel nosso, aí eu protocolei na Prefeitura, não tive retorno, meu protocolo de 2022, já andei toda aquela Prefeitura e não tive retorno. E foi aí que eu fui investigar a fundo, e vi que realmente.”, introduziu.
GERALDO PASSOS: Foi feita a desapropriação do seu terreno?
LETÍCIA ARRUDA: Sim. Mas não fizeram desmembramento da área. E aí, como isso vem causando danos, vem ferindo o direito de propriedade da nossa família há anos, nós não recebemos indenização, dentro do próprio processo de indenização, tem lados policiais que confirmam que o lençol freático está todo contaminado, que a região está toda degradada, e o que precisa ser feito, a solução, seria fazer o transbordo do lixo de Divinópolis para um aterro controlado.
GERALDO PASSOS: Quando foi feita essa audiência pública?
LETÍCIA ARRUDA: Essa audiência foi no dia 29 de fevereiro, onde eles iam apresentar o plano de concessão do consórcio CIAS. E, desse consórcio, no plano de concessão, eu levei questionamento ao monte que seria instalado esse novo aterro. Porque ali a área já está toda saturada, já não tem mais.
Não existem licenças ambientais para estar funcionando aquele chão. O questionamento era isso. E que foi falado para mim na audiência que ele não tinha um lugar adequado para isso, e que ali teria que ser desativado. E eu fui representando toda a comunidade que eu moro ali, e o pessoal está afetando todos os bairros, porque o lixão já está havendo uma área urbana. E o resultado que eu tive sobre isso é que lá foi falado desse consórcio que vai ser implementado. Já tem o edital que está publicado no site da sua prefeitura.
Eu ainda achei muito estranho porque falaram que, no plano de concessão, que esse consórcio vai ser tarifado por metros curtos de água que cada cidadão de Divinório vai pagar uma taxa sobre isso. Só que o parecer técnico do regedor do município foi que está sendo feito um estudo da área que é esse novo aterro ao lado do lixão. Então, assim, é próximo. E, assim, eles estão degradando muito rápido lá estão fazendo buraco e a gente consegue ver. Que foi isso que foi falado em uma audiência pública, que eu acompanhei no dia do plano de concessão.
GERALDO PASSOS: Nós vamos ver daqui a pouco.
LETÍCIA ARRUDA: A resposta que eles me deram, na geral, é que estão tirando terra para aterrar o lixão, que está tudo a céu aberto, irregular. Isso eu tive resposta do SUPRAM, que é o algo ambiental.
GERALDO PASSOS: Vamos aqui separar as coisas. Vamos contar algumas coisas. Primeiro, tem o aspecto do seu terreno, do terreno da propriedade da família, que foi feita uma desapropriação. Essa área onde está sendo instalado esse suposto aterro controlado.
LETÍCIA ARRUDA: Esse imóvel que está sendo instalado é da prefeitura. O nosso imóvel foi desapropriado. Um pedaço, uma parte. Foi desapropriado em 2001. E nós, assim, não recebemos indenização. A desapropriação ainda está. Alguns não receberam. Foi totalmente injusto. E agora já vem. Eles vêm querendo o direito de propriedade da gente ali.
GERALDO PASSOS: Desde 2001 foi feita a desapropriação. Não foi paga?
LUZIA PEREIRA: Não foi paga. E eles continuam lá jogando isso. Inclusive, o CREVISA, eles entraram na surdina.A gente, quando assustou, eles já estavam lá fazendo a terra planagem para fazer o CREVISA.
GERALDO PASSOS: O CREVISA, né?
LUZIA PEREIRA: Isso. E não foi feito um acordo. A gente tentou, mas não deu certo. Eles não aceitaram o preço.
GERALDO PASSOS: Essa é uma discussão. Agora vem a outra discussão.
LETÍCIA ARRUDA: É. Eu acredito que agora a discussão ficou mais séria porque hoje os crimes ambientais que estão acontecendo naquela região afetam a saúde pública porque como o lençol freático está todo contaminado e existem postos de artesiano da Copá lá no fundo do lixão onde já tem uma. O chorume escorre. Você vê a céu aí. E tem nascentes, né? Nascentes do Rio Pará, no fundo. Então, assim, isso eu estou te falando de acordo com o que eu li nos processos e nos laudos periciais. E esse laudo pericial é da. É do perito, do técnico que foi feito uma análise dentro da ação de indemnização que a gente entrou.
Então, assim, dentro dessa própria ação confirma que existem vários insetos infectuosos a água está toda contaminada e as pessoas, a população de nós não tem conhecimento de que a gente está bebendo uma água contaminada porque se o lençol freático. 80% do Rio Pará é abastecido pela nascente. É abastecido pelo arredicionamento da Copása.
Então, assim, eu até procurei para fazer novas análises, né? Além do que eu tenho aqui, do material que eu tenho para ver como está a atualidade porque como a gente vê o que está acontecendo agora não afeta só a minha família e toda a região que vem reclamando.
GERALDO PASSOS: Quando você está falando de região é aquela região ali da…?
LETÍCIA ARRUDA: Bairro Lagoa Park.
GERALDO PASSOS: Então, a poluição desse lençol freático afeta o Lagoa, o Parque, o Santa Lúcia… Afeta o Santa Lúcia também?
LETÍCIA ARRUDA: Os gases também, entendeu?
LUZIA PEREIRA: Principalmente o Lagoa, o Parque e o Santa Lúcia.
LETÍCIA ARRUDA: São mais do lado lá, sabe? Do lixão.
LUZIA PEREIRA: Como é que chama, o poço?
LETÍCIA ARRUDA: Poço artesiano.
LUZIA PEREIRA: Está bem no pé da serra onde tinha a nascente, onde cai o choro.
GERALDO PASSOS: É isso que a senhora queria que eu fosse lá para mostrar. Então, nós vamos, com informação e compromisso. Nós vamos lá para mostrar.
(CONFIRA A LIVE NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI)
Situação foi pauta na Câmara Municipal
Em reunião da Câmara Municipal de Divinópolis na última terça-feira (18), um vereador que abordou o assunto, usou a maior parte do seu tempo em plenário para falar do que o Divinews em live abordou no dia 14
O vereador inicia sua fala com a alerta de que o prefeito possa vir a tentar a criar narrativas quanto a implementação do Consórcio Intermunicipal do Aterro Sanitário. Previsão inclusive que se configurou, uma vez que o Chefe do Executivo já foi as redes sociais para postar um vídeo a respeito do tema. “Antes que o prefeito vá para a rede social falar que é mentira, como ele fez quando eu falei que ia cobrar a IPTU de galinheiro, quando eu falei que ia cobrar a IPTU de casinha de cachorro, a primeira coisa que ele fez foi ir para a rede social, para o rádio e para a TV e falar que o vereador era mentiroso. Então eu vou contar aqui para o divinopolitano o que está prestes a acontecer aqui na nossa cidade novamente, novamente. Então, pessoal, às vezes quando a gente vê as manifestações acontecerem lá do outro lado da cidade, a gente pensa, não, não vou apoiar, não, vou ficar tranquilo aqui do meu lado, vou ficar aqui na minha casa, não vou nessa manifestação, não, porque eu não tenho nada a ver com isso.”, previu.
Ademir complementa a reincidência de encarecimento em outras tarifas para fazer uma provocação a população. ” Aí eu vou mostrar para você, divinopolitano, que você tem a ver também, vai mexer no seu bolso. Sabe por quê? Vamos lá, vamos devagarzinho aqui. Eu vou fazer uma pergunta para vocês meio irônica. Alguém aqui gosta de pagar mais caro a conta de água? Ou melhor, alguém gostaria que Divinópolis começasse a importar lixo de outros municípios, trazer lixo de outros municípios para cá? E se eu dissesse que a nossa cidade está prestes a fazer os dois ao mesmo tempo? Sim, é isso mesmo. Nossa querida Divinópolis não só vai receber lixo de 32 municípios, como também vai fazer pagar mais caro a conta de água por este ‘privilégio’. Parece uma piada, mas, infelizmente, é a dura realidade que estamos enfrentando aqui.”, provocou.
O vereador prossegue e ironiza. “A Prefeitura de Divinópolis, ao ingressar aos Cias, consórcio intermunicipal multifacetário do Centro-Oeste de Minas, tomou decisões que nos colocam nessa posição desconfortável. O Cias foi criado para encontrar uma solução coletiva para a destinação dos resíduos sólidos dos municípios da nossa região. E adivinhe quem foi escolhido como centro das operações. Divinópolis. Oh, que beleza. Divinópolis ganhou o prêmio. Vamos trazer lixo de 32 cidades e socar aqui na nossa cidade de qualquer jeito. Vamos começar a importar o lixo de quase 600 mil pessoas, de diversos municípios, 32. Em outras palavras, além de termos que lidar com o nosso próprio lixo, que é a obrigação do município cuidar do seu próprio lixo, agora vamos começar a aumentar consideravelmente nosso novo depósito de lixo, que está supersaturado o atual.”, ironizou o parlamentar.
Em seguida, o edil denuncia as outras agravações que a implementação do projeto, do modo como está planejado, pode acarretar. “Mas não é para… Mas não para por aí. A prefeitura desapropriou o terreno de uma família sem realizar o pagamento devido e já anunciou as obras sem licenciamento ambiental necessário. É isso mesmo que vocês ouviram. Além de importarmos lixo, estamos cometendo um crime ambiental. Essa é a administração que deveria cuidar e proteger nossos interesses e também o nosso meio ambiente. Estamos levando essa denúncia, essa grave denúncia de irregularidade ao MP, mas nós não nos podemos parar para aí. Nós precisamos nos indignar e agir. Nós não podemos ficar calados. Nós não podemos ficar quietos, gente. É uma coisa que vai impactar não só a região sudeste, mas toda Divinópolis, toda Divinópolis. O seu bolso aí de casa vai sair R$ 3,88 por cada metro cúbico de água que você utilizar. E quem paga tudo isso? Nós, os cidadãos de Divinópolis.“, denunciou.
Nova tarifa e água mais cara?
Ademir explica como pode haver o aumento nas contas de água, caso o projeto seja executado. “A conta de água de cada residência terá um acréscimo extra de R$ 3,88 por metro cúbico de água consumido. Para uma casa comum que consome cerca de 16 mil litros cúbicos a água por mês, isso significa um aumento, como eu disse lá da minha casa, mais ou menos R$ 58,22. Então além de pagarmos o esgoto que não temos, que também não é tratado, pagaremos para trazer lixo de outras cidades. É isso mesmo que queremos para a nossa cidade? E o impacto não se limita às nossas contas diárias. Pensem nos moradores daquela região sudeste, que estão lá, terão suas propriedades desvalorizadas. Quem vai querer morar perto de um lixão importa lixo de outras cidades, em vez de termos nossos imóveis valorizados, estamos criando um ambiente insalubre e desvalorizado.“, explicou.
Por fim, o vereador salienta novamente a onda de promessas da prefeitura para trazer progresso a cidade, mas que não se concretizam. “Essa é a administração que promete desenvolvimento, mas chega a degradação. Infelizmente, uma administração que prometeu uma gestão de fora para dentro, as regiões mais periféricas do nosso município estão ganhando, gente, é lixo. As regiões mais periféricas do nosso município estão ganhando lixo. Divinópolis precisa de investimento em saúde, mais médicos, mais leitos hospitalares para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes e, em vez disso, a administração atual é focada em trazer mais lixo para a nossa cidade e aumentar as contas de água dos nossos moradores.”, salientou.
O parlamentar conclui e instiga aos divinopolitanos. “A nossa cidade merece mais e nós, como cidadãos, temos o dever de exigir isso. Não podemos deixar que a ganância e a má administração comprometam o futuro da nossa cidade. Sabe por que eu falo isso, gente? Porque no dia que começou a cobrar esgoto sem tratamento, todo mundo se calou na gestão de Vila de Minas de Zé Verde, todo mundo ficou quietinho e caladinho. Hoje eu estou falando aqui, para sua conta não ser aumentada, se vocês não me ajudarem daqui uns dias tem aumento aí no seu bolso.”, concliu Ademir.
LEIA O PROJETO NA ÍNTEGRA
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ASSISTA A FALA DO VEREADOR
Ademir Silva – Parte 1
Ademir Silva – Parte 2







Cadê a liberdade de expressão.
Por que não pública meus comentários.????
Como essa coluna gosta de falar mal da atual administração pública.
Como foi publicado, esse referido terreno foi desapropiado em 2001.
Se não me engano o prefeito era o Sr Galileu.
Como essa coluna gosta de falar mal da atual administração.
Como essa coluna publicou a referido terreno foi desapropiado em 2001.
Se não me engano o prefeito era o Sr.Galileu
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