Cidadã diz na Câmara que, a crise na saúde de Divinópolis tem nome, Gleidson Azevedo e Janete Aparecida

Publicado por: Geraldo Passos

Na reunião ordinária da Câmara de Vereadores desta quinta-feira (13) a cidadã Débora Donini, que é enfermeira, e ocupou a Tribuna Livre para falar sobre a alarmante situação de saúde de Divinópolis. Antes de  tecer suas veementes criticas contra a situação da saúde publica no município, lembrou da criança Thallya que morreu na UPA, segundo ela, por falta de recursos e investimentos. Ainda de acordo com Débora, a mãe da criança, que tem mais dois filhos, está passando por problemas psicológicos gravíssimos e sem sequer conseguir amamentar  a filha que ainda é uma bebê –  A enfermeira disse ainda que, Divinópolis tem uma gestão, referindo-se ao prefeito Gleidson Azevedo, que banaliza, ironiza e faz piadas com o sofrimento dos usuários do SUS na cidade. “Enquanto  crianças, mães de família, jovens, perdem a vida por falta de recursos na saúde, os nossos representantes, aqueles que nós escolhemos, que nós votamos, estão gravando vídeos de dancinhas, comendo batata chips, bebendo café e, o pior de tudo, postando esses vídeos nas redes sociais em troca de likes e engajamento”.

Reprodução da fala da tribuna

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O caos na saúde, ele tem um nome, que é o prefeito, a vice-prefeita, o secretário de saúde, eles foram responsáveis por vetar mais de 3,5 milhões de emendas impositivas destinadas por vereadores dessa casa para melhorias na saúde. 

E para quem não acredita, o relatório está aqui, um relatório que foi assinado pelo assessor de articulação política da prefeitura, onde consta no ofício que esses valores eram inviáveis. Isso é um absurdo, isso é inaceitável. E como assim esses valores são inviáveis? Pedem dinheiro o tempo inteiro, mas nós temos uma fila do SUS de aproximadamente mais de 34 mil pessoas aguardando a realização de exames de alta complexidade, um ultrassom, uma tomografia, uma ressonância magnética, exames extremamente importantes para fechar um diagnóstico e iniciar o tratamento desses pacientes. 

Eu tenho relatos de pacientes que precisam realizar ultrassom ginecológicos que estão na posição 1.500 na fila, 1.500. Pense uma mulher que precisa realizar esse exame e está na posição 1.500, ela não vai conseguir realizar. E se ela não tiver dinheiro para pagar esse ultrassom, ela vai ser mais uma vítima? Ela vai morrer? É isso que está acontecendo. Hoje a gente tem um senhor de 74 anos com uma infecção gravíssima de pele que está mais de um ano aguardando para uma consulta com um dermatologista. 

Eu tenho uma colega, ela é amiga minha, mãe de duas crianças, dois meninos pequenos, que está mais de um ano esperando para realizar uma endoscopia. E se ela tiver um câncer, e se ela tiver uma doença grave, vai ser mais uma vítima que vai morrer e deixar mais duas crianças órfãs? Essa é a situação. Nesse ritmo que nós temos, quantas vítimas mais nós vamos ter desse sistema que está sucateado e negligenciado? E a UPA, uma única unidade de pronto atendimento para atender uma população de 250 mil pessoas, mais oito cidades da região que nós temos aqui? A UPA não vai conseguir atender essa demanda, porque isso é impossível. 

Ela não tem recursos físicos e não tem mão de obra suficiente. Além disso, a UPA atende sem retaguarda hospitalar. Então o paciente fica dias internado aguardando uma vaca de transferência para um hospital. 

A UPA não tem esse objetivo. A UPA não é para o paciente ficar internado. A UPA é para estabilizar o paciente, prestar o primeiro atendimento e depois encaminhar o paciente para um serviço especializado para ele ter o tratamento que ele necessita. 

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E esse é um dos motivos pelos quais a UPA só fica superlotada. O usuário fica internado, a atenção primária não resolve o problema do paciente por falta de médico especialista e por falta de planejamento. A SEMUSA, junto com o ex-secretário de Saúde, não fez o planejamento necessário para a gente passar por esse momento que nós passamos esse ano. 

300%, 150% de taxa de superlotação. Isso foi falta de planejamento. Hoje os nossos pacientes ficam quatro, cinco, seis, sete, oito horas aguardando atendimento para no final não serem atendidos e escutarem a seguinte frase. 

Amanhã você procura o posto de saúde porque hoje a gente não vai conseguir te atender. Isso aconteceu segunda-feira lá na UPA. O relato de uma moça foi, eu fiquei seis horas esperando atendimento, uma e vinte da manhã eles me mandaram embora, não tinha ônibus e eu não tinha dinheiro para pegar um Uber. 

Sabe quanto é um Uber esse horário lá na UPA? Mais de 50 reais. A população nem tem dinheiro para pegar um ônibus para chegar na UPA. Quanto mais pegar um ônibus, um Uber, uma hora da manhã para ir embora. 

E ela ainda relatou que tinha um senhor vomitando sangue lá na UPA, sentado numa cadeira dura. Os relatos são cruéis do que está acontecendo com a nossa população. Falando da atenção primária, hoje ela é zero-resolutiva e ainda nessa gestão, o que que a gente escuta? Que foram abertas mais de 18 unidades de saúde, mas na verdade são casas pintadas de azul e branco que não resolvem o problema do usuário do SUS, porque essas unidades não têm um médico especialista, não faz uma cirurgia ortopédica, não faz um pequeno procedimento, não faz um exame complexo, então a prioridade hoje do usuário do SUS aqui em Divinópolis é justamente essa, passar com um médico especialista, fazer um exame complexo, ter um atendimento de qualidade, conseguir pegar um remédio de alto custo, mas isso não tem acontecido. 

O que a gente viveu na UPA aqui em Divinópolis, como o caso da Dengue, que é uma doença prevista, a epidemiologia prevê os surtos de Dengue no verão, as doenças respiratórias no inverno, então tudo isso tinha que ser planejado com antecedência e não deixar a bomba estourar como a bomba estourou aqui em Divinópolis esse ano. O que nós vivemos foi falta de planejamento, foi falta de gestão, foi falta de articulação do ex-secretário, do atual secretário da Saúde, para a compra de leitos em hospitais particulares, para a compra de leitos com a regulação do Estado de Minas Gerais, para a abertura de um ambulatório com antecedência. O que nós vivemos é falta de gestão. 

Mas sabe por que a bomba estourou? Porque saúde não dá voto, saúde não é prioridade, saúde não é importante. O que eu tenho escutado de pequenos grupos de empresários, pequenos grupos de pessoas que têm plano de saúde, que têm condição de pagar um atendimento médico, é a prioridade dessa gestão não é saúde, a prioridade dessa gestão é outra. Mas eu nem sei qual a outra prioridade que é, porque se a gente der uma volta aqui em Divinópolis, a cidade está largada, abandonada, cheia de lixo, com surto de escorpião, que prioridade que é essa, que não resolve problemas básicos, que inclusive problemas esses são problemas de saúde pública. 

O problema da saúde em Divinópolis não é da UPA, não é do profissional da saúde que trabalha todos os dias sobrecarregado, cansado, porque não aguenta mais trabalhar com falta de recursos, os profissionais de saúde são ameaçados pela população, porque a população também não aguenta mais essa negligência, nós trabalhamos com uma demanda muito mais do que nós conseguimos suportar. Então a culpa é da falta de gestão, que não prioriza a saúde, que na verdade prioriza o carçamento de ruas, o asfaltamento e a reforma de praças. Essa é a prioridade, mas eu volto a falar, se a gente der uma volta aqui em Divinópolis, as ruas não estão carçadas, estão cheios de buracos, os lotes estão todos sujos, com mato, cheio de lixo, com as queimadas que agravam ainda mais os problemas respiratórios, qual prioridade que é essa? E por incrível que pareça, nós temos um vereador e enfermeiro, e por ele ser profissional da saúde, que estuda, que entende de gestão, ele deveria ter feito mais, ele deveria ter feito a diferença no seu mandato, ele deveria ter fiscalizado os 4 anos de mandato, e não só quando a bomba estourou lá na UPA e as pessoas começaram a morrer, ir lá fazer vídeo na hora que as pessoas morrem, é muito fácil, vai lá os 4 anos, vai lá fiscalizar, porque os relatos que a gente tem dos profissionais de saúde que estão lá, é ninguém nunca veio aqui, ninguém nunca gravou um vídeo, ninguém nunca falou nada, ninguém nunca fez nada, a gente está aqui há 4 anos, largado as traças, e eu estou falando que eu sou profissional da saúde, eu trabalho com pessoas que estão lá na UPA todos os dias, essa é a realidade dos profissionais que estão trabalhando lá. 

E o pior de tudo ainda, o relato que eu tive há 2 sábados atrás, um único médico na UPA, para atender porta, urgência, internação e pediatria. Esse médico é um super herói, as equipes que estão lá são super heroínas, eu dou, eu presto toda a minha solidariedade, eu parabenizo, porque eles estão fazendo muito mais do que eles conseguem, nós profissionais da saúde não aguentamos mais ser desvalorizados, nós profissionais da saúde não aguentamos mais ver essa falta de recurso e a gente não poder fazer pelo paciente o que o paciente precisa, que é isso que está acontecendo lá, a mídia não está noticiando 1% do que está acontecendo lá na UPA, 1%, tenham conversas com os médicos que trabalham lá, para ver por que os pacientes estão morrendo, porque não conseguem transferência para hospitais, esse é o problema, enfim, é isso, o problema é muito maior, o nosso problema é crônico, a população pede socorro, enquanto a população pede socorro, sabe o que a turma da política está fazendo, dancinha em buraco, dançando, postando, e é isso que dá voto, mas sabe o que eu falo, vereadores e a vereadora da casa, saúde não dá votos, mas nessa eleição eu tenho certeza que vai tirar muitos votos, porque é a dor da população, é a dor que a população está sofrendo. “

 

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