Em 21 de abril, no feriado de Tiradentes, a influencer digital Tatielle Scarlat, de 28 anos morreu após dar entrada na UPA Padre Roberto, em Divinópolis, tendo sentido sintomas e diagnosticada inicialmente como dengue. Entretanto, cinco dias depois, entre idas e liberações médicas na unidade, o estado clínico dela piorou com uma infecção bacteriana pulmonar, que acarretou uma pneumonia até sua morte, na madrugada daquela data. Após quase dois meses da fatalidade, o marido dela e pai dos três filhos do casal, segue indignado. Dessa vez com o resultado da sindicância feita pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) apontar que não houve erro médico na morte da jovem. O relatório foi publicado em nota no site da Prefeitura. Na ocasião do fato, em entrevista ao Divinews 10 dias depois do ocorrido, ele chegou a dizer que o prefeito tem “o sangue da parceira em suas mãos” e agora promete ir até o final para fazer Justiça pela perda da esposa.
Procurado novamente pela reportagem depois da conclusão da sindicância, Jeremias diz que não irá descansar em relação ao parecer técnico emitido pela Semusa que absolve a equipe médica envolvida entre o atendimento até o óbito de Tatielle. “Toda nossa família está indignada. Deram alta para ela três vezes. Eu vou até o fim, embora ela (Tatielle) não volte. Vou entrar com processo, já tenho um advogado para fazer e ver se iremos acionar o IBRAPP ou a Prefeitura. Quero é Justiça!”, exclamou.
Ainda em contato com o Divinews, o ex-marido da jovem detalha a saudade que os filhos dela sentem. “As crianças me perguntam: ‘Cadê a mamãe?’. Meu filho do meio diz que ela é o Sol e fica olhando para o céu.”, revelou.
Jeremias avalia que com a conclusão final do laudo do relatório, Tatielle foi morta duas vezes.
Leia na íntegra a seguir a nota da sindicância
Nota sobre a conclusão da sindicância
“A Prefeitura Municipal de Divinópolis, através da Secretaria Municipal de Saúde, informa a conclusão da Sindicância instaurada para apurar a ocorrência de eventual erro/imperícia médica no atendimento dispensado à paciente Tatielle Scarlat Ferreira.
Após análise do histórico dos atendimentos dispensados à paciente no âmbito da UPA Padre Roberto Cordeiro Martins, a análise técnica indicou a não existência de relação causal entre as condutas médicas e o desfecho fatídico do caso. No entanto, a comissão, de forma conservadora, recomendou o encaminhamento da ocorrência ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais para conhecimento e análise. A recomendação da Comissão foi acatada pela Secretária Municipal de Saúde que promoverá o acionamento do conselho em questão.
Diferente do que popularmente se pressupõe, é bastante complexo caracterizar inequivocamente o erro médico, uma vez que nem todo desfecho desfavorável de um caso configura-se necessariamente como erro médico. Ademais, como a medicina não é uma ciência exata, nem toda conduta está fundamentada em padrões técnicos absolutos. Análises feitas isoladamente por profissionais médicos podem trazer opiniões divergentes sobre a conduta ideal em determinada situação, pois estas podem conter critérios subjetivos que não necessariamente externam unanimidade ou a opinião majoritária.
Oportunamente, reforçamos nosso compromisso com a transparência e manifestamos nosso desejo de que a elucidação técnica e imparcial do ocorrido tranquilize não só as partes envolvidas, mas também toda a população de Divinópolis.”






