Em depoimento, Pedro Lacerda nega à Policia agressão ao segurança que morreu; Delegado diz que não foi encontrado soco inglês; PCMG trata caso como lesão corporal seguida de morte (vídeo)


Nesta segunda-feira (27), o delegado Flávio Tadeu Destro, chefe do  7º Departamento de Polícia Civil em Divinópolis, o delegado Regional, Cleovaldo Marcos Pereira, da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Divinópolis, mais o Delegado Renato Alves da Fonseca que investiga o caso e quem esteve no local fazendo as primeiras oitivas concederam uma coletiva de imprensa, sobre a morte do segurança Edson Carlos, golpeado por Pedro Lacerda num evento que ocorreu no último fim de semana, no Parque de Exposições.

O chefe do 7º Depto da Civil, Delegado Flávio Destro frisa que a PC não vai dar tratamento diferenciado a qualquer autor ou vítima, independente da classe social, gênero, etnia ou outra condição. “Nas investigações, nós buscamos o resultado mais próximo da verdade dos fatos, com o máximo de informações possível. A Polícia Civil não investiga levando-se em conta classe social nem de autor e nem de vítima. Nem levando-se em conta a cor da pele de autor e vítima. Nem se é homem ou se é mulher. Se é criança ou se é idoso. A PC é uma instituição do estado isenta de interferências externas.”, frisou.

Ele complementa. “Dentro do prazo que Código do Processo Penal, a Polícia Civil irá apresentar os resultados para conhecimento de todos, seja qual for o resultado. Nós estamos buscando a verdade. E a verdade uma vez descoberta, seja qual for, ela será informada e as pessoas cabíveis serão responsabilizadas.”, complementou Flávio Destro.

Divergências nos depoimentos

O delegado Renato Alves da Fonseca, que estava de plantão na noite da morte do segurança confirma que foram ouvidas algumas testemunhas e revelou que os depoimentos colhidos foram contraditórios, não sendo possível aferir até então o que de fato ocorreu. “As testemunhas alegam terem presenciado um atrito instantes antes, devido o segurança ter impedido o autor de acessar o camarote, pela falta de credenciamento. No entanto, alguns depoimentos se contrapõem, pois algumas pessoas dizem ter visto Pedro ter usado o soco inglês, outras dizem não ter visto. Seguranças que trabalhavam com a vítima deteram o autor do crime, mas não encontraram a arma. E também até o momento não há indícios e nome de alguma pessoa que teria auxiliado ele a sumir com o instrumento usado no golpe.”, revelou.

Renato destacou na coletiva que, ao chegarem na Delegacia, Pedro, acompanhado de seu advogado confirmou  que estava na festa, mas negou que deu o soco em Edson. “Quando o autor chegou a DRPC, ele confirmou que estava no Parque de Exposições, mas refutou que teria tido qualquer atrito com a vítima e que tenha lhe agredido fisicamente. Ele negou que tivesse dado um soco e que tenha usado um soco inglês.” destacou o delegado.

Ainda segundo o Delegado Renato, de acordo com o Artigo 129 Parágrafo 3° do Código de Processo Penal tipifica a conduta de lesão corporal seguida de morte com pena prevista de 4 a 12 anos. O delegado explana a lei e diz que só a investigação irá revelar. “Ele foi tipificado neste artigo, porque até aquele momento não havia outros elementos pra indicar que ele (Pedro) queria causar a morte da vítima (Edson). O homicídio simples tem a pena mínima de 6 a 20 anos. Neste momento do flagrante nós temos que se ater ao contexto dos fatos e nos depoimentos prestados, para se fazer a diferenciação.”, pontuou.

Andamento e previsão de conclusão do inquérito

O delegado pondera que ainda não há elementos suficientes para dar andamento e tão pouco para haver a conclusão do inquérito. “Nós não temos nenhum elemento que foi utilizado arma de fogo. Que foi utilizado faca. Que ele foi agredido reiteradas vezes. Que ele foi espancado. Ou que ele foi agredido em região vital do corpo. Ainda não temos esses elementos para falar então que houve um homicídio. Então nós estamos tratando inicialmente com lesão corporal seguida de morte.”, explicou.

Na sequência, o Delegado Renato qualifica quais os próximos passos do inquérito e faz uma previsão do tempo de conclusão do caso. “Agora durante a investigação que caminha, nós temos mais 10 dias para concluir a investigação. Vamos ouvir a equipe de segurança envolvida. Quem mais presenciou o fato. Quem realizou a detenção do suspeito. Qual foi a primeira versão dele dada lá no momento. E isso pode no decorrer da investigação confirmar essa tese inicial ou pode mudar a figura desse delito. Nós precisamos saber. Houve atrito antes do investigado com a vítima? Houve alguma ameaça anterior? Ainda não tem isso no auto de prisão em flagrante.”, qualificou.

Necrópsia avalia o que matou Edson

Sobre o exame de delito e a parte do corpo aonde Edson teria sido golpeado, os delegados Flávio e Renato responderam. “Estamos aguardando o corpo de delito. A equipe médica do Instituto Médico Legal (IML) irá realizar a necrópsia, a qual irá apontar mais dletalhes. Este exame ainda não está pronto. Até o momento colhemos depoimentos com os dois policiais militares que fizeram a prisão e mais três testemunhas que reconhecem ele (Pedro) como o autor. As informações concedidas inicialmente foram as que possibilitaram naquele instante enquadrar o caso como lesão corporal seguida de morte, mas não são provas conclusivas. As investigações serão avançadas e esse quadro pode ser revertido. As oitivas podem mudar o entendimento. A causa da morte nós ainda não sabemos.”, esclareceu a PC.

O ponto onde o soco foi desferido por Pedro contra Edson ainda é questão de divergência entre os depoimentos das testemunha e também no entendimento da PC. “Os relatos das testemunhas naquele momento são que o golpe foi na região da têmpora (lateral do crânio). Outras dizem que foi na traqueia (Garganta). E depoimentos que contradizem as versões. Há quem diga que a vítima caiu logo após ser golpeada. Outras dizem que houve uma separação dos envolvidos e que o investigado teria se deslocado para o interior do camarote, logo após a vítima ter caído ao solo. Então essas certezas só virão ao ouvirmos outras testemunhas e com o laudo da perícia e do médico legista, para complementar esse trabalho inicial.

Autor do crime segue detido

O Delegado Renato reitera que Pedro foi detido na Delegacia Regional da Polícia Civil e em seguida encaminhado para o Presídio Floramar. E reafirmou a audiência de conduta ocorrida no domingo (26) a tarde, a qual o juiz da 2ª Vara Criminal do Fórum de Divinópolis, Mauro Riuji Yamane reverteu a prisão em flagrante e proferiu a sentença da prisão preventiva do autor, Pedro Lacerda. “Ele está preso. Não cabe fiança na delegacia. Não cabe fiança. Foi encaminhado o auto de prisão para o Judiciário e o Ministério Público. Eles vão avaliar e fiscalizar o nosso trabalho. Se concordam com o enquadramento, com a ratificação, se mantém da forma como está ou se alteram.”, reiterou Renato.

Racismo

Ao serem indagados se alguma testemunha relatou ter havido injúria racial ou racismo, os delegados Flávio Destro e Renato Abreu afirmam que nenhuma declaração relata tais condutas. “Dos dois policiais militares ouvidos e das três testemunhas que nos depuseram, não houve nenhuma declaração relacionada a racismo. Pode acontecer de profissionais da saúde, médicos e pessoas ligadas ao direito terem comentado no âmbito da internet, mas qualquer comentário fora dos inquéritos policiais, são meramente especulativas. Informações que não venham da própria Polícia Civil não devem ser levadas em consideração.”, ponderou os delegados.

Credenciamento dos seguranças

Perguntado se procede a informação que a empresa de segurança que atuava no local não possuía credenciamento para trabalhar no evento, o Delegado Renato responde que esses e outros fatos serão apurados dentro do inquérito. “Questões de vínculo empregatício, causas trabalhistas, alvarás de funcionamento, tudo isso será investigado.”, respondeu.

Mobilização popular em torno do caso

Mais adiante, no fim da coletiva, perguntado sobre o clamor popular que tem mobilizado as pessoas nas ruas e na internet a respeito do caso, o Delegado Flávio Destro defendeu o direito dos coletivos em realizarem as reivindicações. “É direito das pessoas se mobilizarem. É direito delas reivindicarem. Desde que seja de forma ordeira e pacífica. É importante deixar claro que a Polícia Civil age motivada apenas pela verdade dos fatos. Isso é feito de forma imparcial. De forma técnica. A Polícia Civil não leva em consideração a questão das classes sociais, gênero, etnia ou qualquer outra condição.”, reafirmou e concluiu Flávio Destro.

 

Geraldo Passos

Com: Vinícius Xavier

3 comentários em “Em depoimento, Pedro Lacerda nega à Policia agressão ao segurança que morreu; Delegado diz que não foi encontrado soco inglês; PCMG trata caso como lesão corporal seguida de morte (vídeo)

  • 28 de setembro de 2021 em 16:50
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    Parece que tem muito ativista louco para incendiar o país que vai sair deste caso com o “rabo ” entre as pernas….esse povinho adora dividir o país e jogar as pessoas umas com as outras. Que as penas máximas sejam aplicadas, de acordo com o crime cometido, e não de acordo com a ira dos ativistas de meia tijela.

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  • 27 de setembro de 2021 em 17:39
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    Ver ou não ver se o indivíduo usava esse tal soco inglês, é porque tem gente menos observadora aos detalhes. Agora houve uma morte e não foi de forma natural. Ou será que esse monstro é tão forte e preparado que mata com simples soco. Estranho.

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Comentários

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