2º turno consolida derrota nas urnas de Bolsonaristas e petistas


Bruno Covas (PSDB) foi reeleito neste domingo (29) prefeito de São Paulo para o mandato 2021-2024 – Ele teve 59,38% dos votos válidos, contra 40,62% de seu adversário no segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL). O tucano recebeu 3.169.121 votos, enquanto o líder dos sem-teto teve 2.168.109 votos.

Mesmo derrotado, o líder de movimentos de moradia ganhou projeção política como nome da esquerda por chegar ao segundo turno no maior colégio eleitoral do país, especialmente em meio ao enfraquecimento do PT de Lula, que não venceu em nenhuma capital brasileira.

A vitória de Covas, que era de vice de João Doria e assumiu o cargo em 2018, pode impulsionar o projeto do governador paulista para o Planalto em 2022 —apesar de este ter sido escondido da campanha municipal devido à sua alta taxa de rejeição.

Também consolida um dos fracassos simbólicos de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano. O presidente, que trata Doria como um dos seus principais rivais, teve a maioria de seus candidatos derrotados já no primeiro turno, incluindo Celso Russomanno (Republicanos) em São Paulo.

Agora, Bolsonaro também viu Marcelo Crivella (Republicanos) sofrer ampla derrota no Rio para Eduardo Paes (DEM), Capitão Wagner (Pros) perder para Sarto (do PDT de Ciro Gomes) em Fortaleza e Delegado Federal Eguchi (Patriota) ser derrotado por Edmilson Rodrigues (PSOL) em Belém.

Na capital paulista, Covas reforçou neste domingo a promessa de cumprir os quatro anos de mandato, em meio a uma campanha marcada pela pressão sobre seu vice, Ricardo Nunes (MDB) , que é ligado a entidades gestoras de creches investigadas por supostas irregularidades.

O prefeito, que passa por tratamento contra um câncer, terá como uma das provas de fogo os desdobramentos da pandemia da Covid-19. Diante da alta de casos, a cidade de São Paulo poderá retroceder de fase no Plano SP contra a doença, com anúncio de medidas já nesta segunda-feira (30).

Após falha em aplicativo e atraso na divulgação dos resultados no primeiro turno, não houve grandes problemas tecnológicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no segundo turno, que, com as mudanças de calendário em razão do novo coronavírus, foi o mais curto da história.

A alta taxa de ausências em meio à pandemia, porém, se repetiu. No primeiro turno das eleições, o Brasil registrou 23,14% de abstenções, o maior índice em pleitos municipais dos últimos 20 anos.

Agora, com quase a totalidade das urnas apuradas, o país registrou 29,5% de abstenções no segundo turno, o maior índice desde 1996. No segundo turno de 2016, foram 21,6% de abstenções e, em 2012, o índice foi de 19,1%.

Em São Paulo, a taxa de abstenções foi de 30,81%, valor superior às duas eleições anteriores —em 2016 a cidade não teve segundo turno.

Das 14 cidades que o PT disputou neste domingo (29), a vitória veio em apenas quatro: Juiz de Fora (MG), Contagem (MG), Diadema (SP) e Mauá (SP).

A candidata do PC do B à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila, perdeu de Sebastião Melo (MDB), em outra derrota da esquerda. Mesmo internado há 38 dias devido a complicações causadas por uma infecção de Covid-19, Maguito Vilela (MDB) venceu em Goiânia. Ele estava sedado neste domingo.

QUEM GANHA E QUEM PERDE EM 2020

GANHA

Ciro Gomes

Bloco da centro-esquerda faz um cinturão em capitais do Nordeste. O PDT de Ciro manteve Fortaleza e Aracaju. Principal aliado, o PSB venceu no Recife e em Maceió

João Doria

Vitória do aliado Bruno Covas em São Paulo dá sobrevida ao projeto do governador paulista do PSDB. A sigla ainda venceu em Natal, Palmas e Porto Velho

DEM

Partido venceu em quatro capitais e ainda disputa Macapá (que teve o pleito adiado por causa da crise energética no estado). No Rio de Janeiro, vitória de Eduardo Paes fortalece Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Na Bahia, ACM Neto saiu forte com derrotas do PT no 2º turno

PSOL

Partido se fortalece no campo da esquerda: venceu em Belém com Edmílson Rodrigues e teve bom desempenho em São Paulo com Guilherme Boulos

PERDE

Jair Bolsonaro

A maioria dos candidatos apoiados pelo presidente da República foi derrotada, e ele ainda viu a ascensão de possíveis rivais para 2022, como Doria, Ciro e Boulos

Lula

O PT não conseguiu emplacar seus candidatos no Recife e em Vitória. Também perdeu em 10 das outras 13 cidades onde disputou o 2º turno

Flávio Dino

O governador maranhense perdeu em São Luís após ver naufragar a tentativa de união de partidos de sua base. Seu partido, o PC do B, também perdeu em Porto Alegre

Sergio Moro

Neófitos na política não tiveram vez. Candidatos com discurso parecido com o do ex-ministro perderam em capitais como Cuiabá, Recife e Aracaju

 

Fonte: Folha

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