Em meio à pandemia, alto índice de queimadas amplia risco de doenças respiratórias em Divinópolis


A combinação entre Covid-19 e a fumaça gerada pelas queimadas urbanas e incêndios florestais, prática cultural em Divinópolis, nesta época do ano, ampliam as internações e atendimentos de pessoas que apresentam quadro de doenças respiratórias.

O número de incêndios em lotes vagos inclusive tem sobrecarregado o Corpo de Bombeiros. Só neste ano, foram registrados 111 focos de incêndio no município, cerca de 35% a mais que o mesmo período do ano passado, com recorde em maio, em que foram 60 ocorrências desse tipo atendida pelos bombeiros.

O batalhão do Corpo de Bombeiros também divulgou que 122 pessoas precisaram de atendimentos para dispneia, ou seja, falta de ar ou dificuldade em respirar, muitas vezes acompanhada de opressão torácica e mal estar. Os picos de atendimento à essas vítimas, coincide com a alta incidência das queimadas.

O problema acontece todos os anos, principalmente nas épocas de seca. Moradores limpam seus lotes e, por falta de um plano educação ambiental por parte do poder público, acabam ateando fogo em grandes montes de galhos secos e palhadas, gerando poluição do ar e causando transtornos para a maioria dos cidadãos, sendo os mais afetados aqueles que sofrem algum tipo de doença respiratória, como bronquite alérgica e asma.

Aumento de internações

Um estudo realizado por professores da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG/Divinópolis) e faz uma avaliação da influência da poluição atmosférica nas hospitalizações por doenças respiratórias na cidade.

O artigo faz uma análise das internações hospitalares de jovens e idosos em Divinópolis por problemas respiratórios e avalia o impacto que a poluição atmosférica em cima delas. De acordo com o estudo, os autores puderam concluir que a poluição atmosférica de Divinópolis pode provocar um aumento de pelo menos 5% no número de internações por doenças respiratórias na cidade.

A porcentagem pode ser um agravante para a atual situação de pandemia pela Covid-19, por isso a Secretaria de Meio Ambiente firmou um acordo com o Corpo de Bombeiros em que os proprietários dos lotes serão multados com base nos boletins de ocorrências feitos pelos bombeiros.

O artigo foi elaborado pelos professores de Engenharia Civil, Tiago Novais e Mauro Cardoso, com participação dos alunos Elizarama Pelegrino e Emanuel Cândido, contando, também, com a parceria da professora Mônica de Abreu, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Atear fogo é crime

Vale destacar, que é crime ao meio ambiente o ato de atear fogo diretamente em uma área de mata ou pôr fogo em lixo ou folhas secas. Segundo o decreto municipal 4.748, a queimada ilegal pode render multa leve a grave, que varia de R$ 55 a R$ 11.980.

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