ARTIGO: THE DAY AFTER BELORIZONTINO (imagens inéditas)


Por Léo Junqueira: Belo Horizonte é uma cidade surpreendente. Nela estão repousando figuras ilustres da nossa história, que fizeram da cidade uma grande metrópole. Por muitos anos Belo Horizonte sustentou o título de “Cidade Jardim” por sua fabulosa arborização urbana, pelo clima ameno, comercio forte e uma população acolhedora e conservadora das tradições de raízes bem mineiras.

Porém, com o passar do tempo e o desenvolvimento “sem pudor” comum nas grandes capitais, muita coisa mudou. Não temos mais um clima ameno e nem as brisas suaves vindas das montanhas. Não temos uma cerveja confiável, que apenas refresca e dá prazer nas celebrações com amigos… Não temos espaços públicos elaborados com estudos de impactos ambientais tão importantes e talvez, por esse motivo, os córregos e ribeirões que cortam toda a cidade resolveram se rebelar com o apoio incondicional de São Pedro.

Mesmo com as previsões mais tenebrosas, o belorizontino menosprezou as advertências sobre o período de chuvas abundantes na cidade. Acreditando que as catástrofes naturais são coisas de seriados da Netflix, continuaram a rotina do dia a dia sem perceber, que a natureza estava chegando para cobrar uma dívida pelo descaso das autoridades e da população.

Na região Centro/Sul, onde estão localizados bairros nobres, como Lourdes (próximo ao Palácio da Liberdade e Assembleia), São Bento, Cidade Jardim, Buritis (a Ipanema de BH) testemunhamos o que pode ser um “the day after” (o dia seguinte) genuíno de uma catástrofe natural que não deveu nada aos bombardeios incessantes da guerra civil na Síria.

Foram 3 horas de chuva intensa, ventos de até 50km/h, ruas alagadas, enxurradas violentas e a experiência do pânico das pessoas, que não moravam ou viviam em áreas de riscos, mas em sofisticados apartamentos com todo tipo de segurança… Menos contra a natureza.

Sim… Não tinham seguro contra a ira da natureza, que não seleciona pobres ou ricos, ateus ou crentes. Simplesmente a chuva veio como uma grande vassoura limpando tudo o que via pela frente.

Nos bares e restaurantes da moda era assustadora a cretinice da água, que em alguns estabelecimentos chegou a 1,80m de altura, fazendo casais românticos, aniversariantes, atendentes e proprietários disputarem lugar sobre geladeiras fugindo da fúria da água. Em restaurantes mais sofisticados era possível ver “camarões” e comida fina navegar pela água que passava sobre suas mesas de jantar.

Lojas comerciais de móveis sofisticados, para gostos nobres tornaram-se “pau e pano” sujos de lama.

O local por onde passo todos os dias a caminho do trabalho está sujo e escorregadio. Pessoas antes arrogantes e individualistas estão dividindo o rôdo e pano de chão com vizinhos que a arrogância nunca lhes permitiu saber o nome.

Há males que vêm pro bem, como diz o ditado. Espero que a lição tenha sido aprendida, mesmo que seja apelo temor de novas chuvas que já foram anunciadas, ainda para esta semana.

 

Por: Léo Junqueira

 

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