EDITORIAL: “Tá com tempo sobrando”


Quem vê as atitudes do vereador Edson Sousa (MDB) acredita piamente que Divinópolis é uma cidade livre de problemas, e não precisa de representantes para trabalharem em prol de seu desenvolvimento. Desde que voltou ao seu posto de vereador, em janeiro de 2017, o parlamentar tem se mostrado bastante preocupado com seus desafetos pessoais. Quem acompanha os bastidores da política local deve se lembrar muito bem do embate entre Edson Sousa, e seu colega de partido, Adair Otaviano (MDB).

Circulava nos corredores da Câmara, na época, que as constantes brigas entre os vereadores estavam relacionadas ao fato de o prefeito Galileu Machado (MDB), ter apoiado a candidatura de Adair Otaviano à presidência do Poder Legislativo, e não a de Edson, sobrando para este o cargo de líder do governo. Dizem que o fato gerou ciúmes, e que Sousa não aceitava ter lhe sobra a função de defender os interesses do governo municipal no Poder Legislativo. Edson exerceu o cargo por pouco mais de seis meses. E, foi assim, da noite para o dia. O vereador dormiu líder do governo, e acordou oposição ferrenha do prefeito. Logo após anunciar que deixaria o cargo, em agosto de 2017, Edson começou uma campanha aos quatro cantos de Divinópolis contra Galileu.

Na época alguns até se esforçavam para entender seu posicionamento. Afinal, o Poder Executivo não ia nada bem. Mas, a situação começou a ficar crítica, quando em dezembro de 2017, o vereador começou a querer cercear a imprensa. Em outubro daquele ano, a Prefeitura aportou na Câmara dois projetos de lei importantíssimos, ambos tratavam da revisão da planta de valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O dia 22 de dezembro de 2017 foi o divisor de água. Após uma reunião tumultuada, vários órgãos de comunicação estavam entrevistando Edson, quando o mesmo perdeu a compostura, e atacou uma jornalista, no exercício de sua profissão.

O fato foi parar nos noticiários, e o parlamentar não gostou, de vê-lo com o dedo em riste no rosto da jornalista Pollyanna Martins. Ao que tudo indica, o vereador queria que o fato ficasse escondido. Bastou 2018 “chegar”, para que Edson “distribuísse” processos para todos os lados. Como se Divinópolis não tivesse bastante problema, o vereador processou o editor do Divinews, Geraldo Passos 14 vezes; processou Pollyanna Martins duas vezes; a diretora do Jornal Agora, Janiene Faria uma vez, e também a advogada Adriana Ferreira. Até o momento, o vereador perdeu três processos contra o editor do Divinews. E, em todas as decisões, o Judiciário afirma que “Não cabe ao Judiciário cercear o direito constitucional da liberdade de expressão em razão daqueles que não conseguem lidar com uma discussão provocativa ou mal direcionada”.

Vale ressaltar, que além de não saber lidar com as críticas que lhe são dirigidas, devido ao cargo que ocupa, e de perder tempo com audiências em que tenta censurar a imprensa, Edson também “trava” o judiciário com tantos processos. Nesta última decisão, o juiz entendeu que “Assim, diante da total ausência de prova quanto a prática de qualquer ato ilícito ou mesmo de ofensa ou dano a(s) parte(s) autora(s), a improcedência do pedido, em relação a parte ré José Geraldo Passos e Sandra dos Santos Passos, é medida que se impõe, pois esta não se desincumbiu do ônus que lhe cabia”, inocentando Geraldo e sua esposa, Sandra Passos das acusações do vereador. Sim! Até mesmo a esposa do editor do Divinews teve que enfrentar a fúria do vereador, sem ter qualquer coisa a ver com a história.

Mas, é assim, basta contrariar o que o edil quer, para que ele saia como um caminhão desgovernado, levando todos, até os que não têm contato algum com ele. E, em sua decisão, o juiz ressalta ainda, que Edson poderia simplesmente ter se valido do direito de resposta, para publicar sua versão dos fatos, ao invés de recorrer ao judiciário para “afrontar direitos e garantias constitucionais, este Juízo cercear o sacramentado direito de liberdade de expressão da parte ré, impedindo-os de replicar notícias em grupos de conversas, tampouco proibir-lhes, de forma generalizada, o direito à livre opinião e manifestação do pensamento”.

De Adair, a Pollyanna, a Geraldo, a Sandra, a Galileu, a Adriana, a Janiene, a Delano, a Print Júnior, a pergunta é: qual o próximo desafeto do vereador? Vale ressaltar, que se o nobre edil gastasse em prol de Divinópolis a mesma energia que gasta para tentar cercear a imprensa, talvez a cidade não estivesse tão abandonada como está agora. Fica a lição para o povo escolher melhor seus representantes, pois valer-se de cargo político para perseguir desafetos pessoais, e intimidar via judiciário, não é trabalho, muito menos representatividade de um povo. Divinópolis precisa mais do que isso. Seguimos à espera.

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