Pesquisas dizem que Lula tem quase um terço do eleitorado; e que pode transferir parte significativa de votos; briga é pelo espólio


Segundo newsletters enviado pelo O Globo, ao anunciar que o PT deveria ficar “à vontade” para decidir sobre a candidatura do partido à Presidência, Lula abriu o caminho para os candidatos da esquerda darem início à batalha por seu espólio eleitoral. Apesar do discurso de união na defesa do ex-presidente, é difícil acreditar que a luta por seus votos será tranquila.

Por seu tamanho e histórico de hegemonia, é improvável que o PT abra mão da cabeça de chapa. Mesmo após a crise que o engolfou, o partido ainda tem a maior bancada da Câmara, Lula segue exercendo uma liderança incontestável sobre quase um terço do eleitorado e, de acordo com as pesquisas, pode transferir parte significativa de seus votos.

No entanto, hoje, o ex-prefeito Fernando Haddad, mais provável nome do PT na disputa, não passa de 2% das intenções de votos. É o mesmo patamar de Manuela D’Ávila (PCdoB), que chega a 3%, e de Guilherme Boulos (PSOL), que não passa de 1%.

Na esquerda, Ciro Gomes (PDT) tem, de longe, o melhor desempenho nas pesquisas, batendo 9% nos cenários sem Lula. No entanto, um eventual apoio a Ciro é visto com enorme resistência dentro do PT. Além do incômodo com a relutância do pedetista em se irmanar com Lula na hora da prisão, petistas avaliam que uma eventual vitória de Ciro colocaria em risco o controle do PT sobre seu principal bastião político: o Nordeste.

Embora, de acordo com as pesquisas, o apoio de Lula possa carregar cerca de um terço do eleitorado para seu indicado, essas sondagens mostram que metade dos eleitores se recusa a votar no nome que for apresentado pelo ex-presidente.

Ainda tentando sair da condição de nanicos nas pesquisas, Manoela D’Ávila, Fernando Haddad e Guilherme Boulos nada têm a perder aparecendo constantemente ao lado do ex-presidente: trata-se apenas do caminho mais óbvio para tentar conquistar algum naco do eleitorado lulista. Disputando as primeiras posições na pesquisa, Ciro vive situação distinta. O apoio explícito de Lula certamente impulsionaria sua candidatura no primeiro turno, mas poderia inviabilizá-la no segundo.

Até o momento, Ciro e Marina Silva (Rede) aparecem nas pesquisas como os grandes beneficiários da saída de cena de Lula. No PSB, existe grande expectativa de que Joaquim Barbosa também consiga absorver uma fatia desse eleitorado. A avaliação é que ele tende a herdar naturalmente parte considerável dos votos de Lula em função da semelhança biográfica: ambos vieram de famílias pobres e “venceram” por seus próprios méritos.

No entanto, nem Marina nem Barbosa têm qualquer interesse em se associar diretamente à imagem do petista – que deve ser ainda mais tisnada quando o conteúdo da delação de seu antigo companheiro Antonio Palocci vier à tona.

Em 2005, o ex-deputado Roberto Jefferson explicava o Mensalão como uma forma de o PT usar os aliados “como amante”, garantindo seus votos no Congresso sem precisar aparecer com eles “à luz do dia”. Treze anos depois, os papéis se inverteram: todos querem os votos de Lula, desde que não haja casamento no horizonte.

 

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