Com a proximidade das eleições em 2 de outubro, aparecem pré-candidatos de todas as formas e de todos os perfis profissionais, são advogados, médicos, comerciantes, estudantes, pequenos empresários, donas de casas, profissionais autônomos. E em profusão, servidores públicos municipais, estaduais, federais e líderes comunitários, além de desempregados —- Alguns experimentarão seu potencial de votos pela primeira vez, enquanto outros, pela segunda, terceira, tem até os experts em participar de eleições, sempre participam, quase todas as eleições. Estão na quarta ou quinta tentativa, possuem um eleitorado cativo, mas sempre batem na trave, embora uns cheguem bem longe do travessão, possuem uns votinhos que não os elegem, mas ajudam a eleger o prefeito da sua coligação, por isso tem sempre um lugarzinho ao sol para ele na Prefeitura. São os “mulinha” de votos. Eles sabem que não serão eleitos, mas serão recompensados, se o seu partido estiver do lado correto, o que elegerá o prefeito —- A persistência em alguns casos acaba sendo recompensada. Como exemplo, na atual legislatura da Câmara de Divinópolis, nas eleições de 2008, os agora vereadores Edimar Máximo, Edimilson, Careca da Água Mineral, Hilton de Aguiar, Piriquito Beleza, Nilmar Eustáquio, Edimar Felix, Edimar Máximo e Kaboja, não foram eleitos, só conseguiram cadeiras em 2012, exceto Hilton de Aguiar que entrou na legislatura anterior, por que Waldemar da Pamer foi cassado e como Hilton era seu suplente, acabou entrando —- A reeleição é também uma grande incógnita para todos. Mesmo com a grande quantidade de entregas de homenagens, que aumentam exponencialmente, à medida que o vereador é reeleito muitas vezes, independentemente de sua atuação parlamentar, já que em apenas uma legislatura, o edil concede 52 Comendas e aproximadamente uma dezena de moções, além de nomes de ruas. Criando uma reciprocidade com o homenageado, que acaba se traduzindo em votos. Daí a preferência dos vereadores em escolher homenageados com um enorme clã. Entretanto, no primeiro mandato do edil, ou até o segundo, isso não significa que suas reeleições estão asseguradas. Existem vários exemplos de vereadores que só conseguiram emplacar uma eleição, na segunda foram defenestrados pelos eleitores, e alguns só conseguem retornar passados um ou dois pleitos —- Em 2012 não foram reeleitos, o que dizem ser pastor, Paulo César dos Santos, na época que era filiado ao PRB que após sua traição ao partido, a legenda lhe foi retirada; o ex-tucano Beto Machado; Geraldinho da Saúde, que em 2008 foi eleito com a expressiva votação de 3.235 votos, e em 2012, foi pulverizado nas urnas obtendo apenas 1.436 votos —–– Voltando ao título da matéria/artigo. Ah! Os marinheiros de primeira viagem. Que os antigos vereadores, e os que estão no cargo somados aos que já participaram de outros pleitos, os adjetivam também de paraquedistas. Existem alguns casos de sucesso, que hoje estão vereadores, porém um dia foram paraquedistas, são os casos do vereador Eduardo Print Junior e o médico Delano Santiago, que conseguiram vagas já na primeira eleição. Contudo, isso não é regra geral, é exceção, como existe em toda eleição –—- Em 2016, muitos candidatos são estreantes, e como todos os novatos de urna, possuem discursos de vitória, já que o otimismo e o positivismo são molas mestras para qualquer candidato. Tem que acreditar que será eleito, senão já entram no jogo derrotados. E as curtidas em post em redes sociais auxiliam muito a criar um ambiente positivo para tais candidatos, o sentimento de “tô eleito” —- Contudo, senão todavia, o pretenso pré-candidato, tem que gastar muita sola de sapato para ir ao encontro dos eleitores, nada substitui o contato físico, o tomar cafezinhos e mais cafezinhos, até em copo de vidro e sujo, nada de xicaras de porcelana. Pegar criança no colo, mesmo que seja “catarrenta”, dar abraços e mais abraços, mesmo que o abraçado tenha mau hálito e cêcê, nada de abraço virtual –– Um pergunta precisa ser feita: ao longo do tempo quais foram as obras, as ações e atuações, que este novo candidato, que os veteranos os olham enviesados, com cara de quem está vendo um paraquedistas cair do céu, sem saber quem é. Um marinheiro de primeira viagem, que passa mal no balançar das ondas, o que fizeram nos últimos anos? Nada! Ah! começaram a se preocupar com a cidade somente em 2016? Por coincidência, um ano eleitoral! Que começaram a enxergar todas as mazelas do município, a partir de janeiro e outros mais recente ainda, de ruas esburacadas, obras terminadas e outras sequer realizadas, problemas na saúde, educação, cultura, esporte, lazer, etc, etc. – Onde estiveram, nos anos anteriores? Em Marte? Plutão? Netuno? Ou no mundo da Lua? – Onde estiveram enquanto muitos líderes comunitários e os chamados “xiitas” guerreavam com a administração pública municipal, para melhorias em seus bairros? Ou fazendo denúncias aos poderes constituidos. Em que locais estiveram, enquanto os próprios vereadores, em mandato, uns mais outros menos, e outros quase nada, bem ou mal trabalhavam, mesmo que por interesse de serem reeleitos, buscavam alguns soluções para coletividade ou individualmente para um ou outro cidadão? —– O eleitor precisa fazer uma análise macro, de todo um período, quais foram os pré-candidatos que de fato estiveram com eles há algum tempo, que lutaram juntos ao longo dos anos. Embora não seja garantia que eleger um com tal perfil, de ele será um bom edil, e a cidade tem exemplos concretos, de ex-lideres comunitários ex-lutadores que depois de eleitos, deram as costas, pois o poder o deixou inebriado. Ao passo que, apenas discursos e rompantes oposicionistas de criticar tudo, apenas por criticar, por que rende votos, também não é garantia de uma boa atuação parlamentar. Não acreditem somente em discursos e também não acreditem somente em ações, mas já é um bom começo –— Saiba que não basta apenas o discurso que vai fiscalizar o Executivo, é preciso saber como fiscalizar. Existem vereadores que fiscalizam depois que a imprensa publica uma denúncia. Não! Não é assim. O cidadão/candidato fiscalizador precisa ter habilidade ou que sua equipe o tenha, em buscar informações em vários órgãos, principalmente no Tribunal de Contas do Estado. Saber quando e quanto de verba federal e estadual foi liberada para o município. Acessar o Diário Oficial do Município, para obter várias informações sobre a gestão da cidade, principalmente de licitações. Etc, etc, etc —– Ter um histórico de atuação ao longo dos últimos anos, já é um bom começo. Então, não acreditem em rompantes, salvadores da pátria. Façam só uma pergunta: COMO, vai fazer isso? Como vai resolver tal situação? Se o candidato se enrolar, é apenas um candidato a “salvador da pátria”.