Mobilidade Urbana deixa a desejar, uma vez que nossos passeios são irregulares para os não portadores de deficiências físicas, o que dizer para quem tem problemas com acessibilidade. Portadores de deficiência visual, cadeirantes e idosos enfrentam no dia a dia, sérios problemas no ir e vir, por que os passeios principalmente no centro da cidade são como armadilhas e não seguem um padrão específico. Nosso sistema viário aos poucos se torna caótico, uma vez que perde a capacidade de suportar o número crescente de veículos automotivos (carros). Por falta de opção viária o viaduto da Goiás/Porto Velho recebe além da área central todo o trânsito (vai e vem) de toda a região sudeste da cidade. Condomínios horizontais fechados sendo liberados e muros extensos cortam as seguências das vias urbanas de vários bairros. Uma vergonha ao observarmos a manta asfaltica que em algumas ruas mal chega a um centímetro de espessura, se desfazendo complicado o trânsito de veículos. O transporte público ineficiente de qualidade duvidosa onde se perde 45 minutos na espera do ônibus desejado e as estradas rurais irregulares no que diz respeito a conservação.
Planejamento Urbano – Nosso revisado Plano Diretor mais parece um bloco de rascunho, onde a todo momento se passa a borracha para apagar o que foi exaustivamente debatido. O Executivo e o Legislativo jogam no lixo todo um trabalho, pago com o erário público, como se o Plano Diretor fosse papel embolado. Modificam aquilo que não agrada um empresário ou uma pessoa influente. A revelia à Lei Federal 12.608 (Lei da Defesa Civil), à contra mão do Conselho Nacional das Cidades, do Estatuto das Cidades, ao próprio Plano Diretor e sem audiências públicas, o Legislativo e o Executivo constantemente tentam com projetos de leis inconstitucionais, descaracterizar e dar nova atribuição ao zoneamento urbano para atender interesses individuais. A administração pública até participa na elaboração de projetos que permitem os saltos quilométricos no já desorganizado processo de expansão urbana, que avança desnecessariamente sobre a zona rural. Atos que contrariam as determinações dos técnicos da prefeitura, que tentam de forma honesta e imparcial planejar a cidade, mas tem o trabalho prejudicado pela falta de bom senso dos membros da Comissão de Uso e Ocupação do Solo. A maioria dos membros da CUOS não entende nada de planejamento urbano e segue orientações dos presidentes como se os mesmos fossem capazes de planejarem a cidade com seus argumentos.
Saúde: um caos quando pessoas padecem nos postos de atendimento público, farmácia popular sem remédios, exames de urgências com datas para mais de meses, mesmo assim quando se consegue marcação. Constantemente os médicos entram em grave para reivindicar melhores salários, segurança e melhores condições de trabalho, devido ao estresse de quem busca um posto de saúde. Mas nem tudo está perdido, por que o atendimento que alguns postos de saúde prestam à noite, foi uma boa medida.
Segurança: outro caos principalmente quando se depara com inúmeros postes por toda a cidade com suas lâmpadas queimadas por meses e por incompetência administrativa, ainda não foi definido a empresa que prestará os serviços. Como em todo o Brasil aqui a população e os comerciante estão doentes com o número crescente de assaltos e alguns atendem a clientela por de trás de grades.
Educação: pelo sistema público deixa muito a desejar com o ensino fraco, professores mal valorizados, com medo do corpo docente e apenas tocam o barco, ou seja, empurra os alunos cuja a maioria não está preparada para as próximas etapas do ensino.
Lazer – Inexiste, a população essencialmente os adolescentes e crianças não tem opção para o lazer a não ser a praças do Santuário e da Catedral. Não se tem parques descentes, locais de lazer e visitação pública ao ar livre em meio a natureza. Nos faltam áreas nos moldes de Belo Horizonte onde se tem o parque municipal e parques de diversão públicos. Em Divinópolis o lazer para os jovens maiores de dezoito anos se resume às festas das bebedeiras, como rodeio, festa da cerveja, do cavalo, divinafolia que são o máximo que o município consegue produzir em termos de atrair turistas.
Recursos Hídricos – Abandonados às traças, pode se dizer que Divinópolis é uma enorme caixa d’água, toda a água que vem de a montante sul, aqui praticamente repousa para formar centenas de nascentes, dezenas de córregos assim como de lagoas, além de dois rios importantes, o Rio Itapecerica e Rio Pará que padecem nesta cidade. Nossas águas são mal tratadas, quase todo nosso manancial hídrico está contaminado e poluído pela exagerada carga de esgoto in natural, indiscriminadamente lançada nos corpos d’água, sem nenhum pudor. Não temos uma política municipal para os recursos hídricos que gerencie e zele por estes recursos naturais. Nos falta uma política dotada de medidas preventivas para qualquer emergência como foi o caso dos aguapés. Nosso sistema de rede pluvial segue o trivial, ou seja, livrar o quanto mais rápido das águas das chuvas, que deixam de cumprir o ciclo natural, devido a falta de um modelo inteligente de captação destas águas. A todo momento temos noticias de uma nascente e lagoa sendo soterradas, bota fora nas margens dos cursos d´água, edificações e aterros nas áreas de risco e inundáveis.
Áreas verdes – Não temos matas a serem destinadas como florestas urbanas preservadas ou áreas verdes garantidas por tombamento que serão preservadas. O que temos é um sistema imobiliário selvagem que devasta grandes áreas verdes loteadas para atender um mercado cada vez mais especulativo e com isso áreas de matas privadas estão na mira de alça para se transformarem em loteamentos ou condomínios horizontais fechados. Terrenos públicos são permutados ou doados de forma irregular pelo Executivo para empresários. O nosso índice metro quadro por habitante está bem abaixo da meta estabelecida de 12 m² ou seja, seriam necessários 2. 592. 000 m² de área verde, contando com àrvores de passeio para atender 216.000 habitantes. Isso, seria o mesmo que dizer que cada pessoa residente em Divinópolis teria uma árvore cuja a área verde medisse 12 m².
Infelizmente não pude estar no evento e perdi a oportunidade de ter ouvido o que o prefeito Vladimir Azevedo disse em termos de sustentabilidade. Não pode ouvir a falácia de sempre, – “fizemos o aterro controlado onde antes era um lixão a céu aberto, definimos o nosso sistema de tratamento do esgoto, temos uma ETE (Estação de Tratamento de Efluente – esgoto) pleno funcionamento e a previsão para entrega de todo o sistema de esgotamento sanitário pronto é para 2016. Fizemos a revisão do nosso Plano Diretor, elaboramos nosso política de resíduos sólidos, plantamos várias árvores nos passeios, instalamos o Olho Vivo, melhoramos nosso atendimento à saúde através do SIM – Sistema Integrado Municipal de Saúde e bla…bla…bla.”
Eu acredito!!! no caminho sustentável, mas não acredito que sejamos competentes o bastante para colocarmos os pés nesta estrada. É muito fácil falar de sustentabilidade o dificil é aplicá-la. É um caminho árduo que vai muito além de tudo aqui apresentado. O tema requer que superemos desafios que exigem sacrifícios, pelos quais a grande maioria da população mundial, nenhum governante do mundo, tampouco os gestores públicos municipais estão dispostos a experimentar, passar ou sequer enfrentar. Sustentabilidade não significa apenas desenvolver com essencial respeito ao meio ambiente é necessário restringir muito coisa principalmente o consumo e o lucro. A produção deve seguir de acordo com a demanda, que acaba afetando a oferta de postos de emprego. Quem está disposto a ser sustentável tem de estar preparado para mudar de hábitos, enfrentar qualquer tipo de consequência, uma vez que o remédio bom quase sempre é o mais amargo, não tão suave como dizem nos discursos.
.jpg)


