Lobão ao chegar na Avenida Paulista, ponto de encontro do protesto, vestindo uma camiseta com a palavra “democracia”, Lobão se deparou com um carro de som do MBR (Movimento Brasileiro de Resistência), que pedia a intervenção militar no país. Irritado, o cantor deu meia volta e foi embora.
O cantor não foi o único incomodado. O protesto se dividiu por completo por volta das 16h. Antes disso, chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar.
Um grupo permaneceu na Paulista, enquanto outro, maior, caminhou em direção à Praça da Sé. Ambas as divisões pediram o impeachment de Dilma e a anulação do resultado das eleições de outubro.
Já um terceiro grupo, com número menor de pessoas, defendia a intervenção militar. Eles –os que aborreceram Lobão– seguiram até o Segundo Comando Militar do Sudeste.
Lobão se queixou, no Twitter, daqueles que pregam a volta da ditadura: “Cilada infame! Eu chego no MASP [Museu de Arte de São Paulo] e a primeira coisa que vejo é um mega caminhão com um cartaz com os dizeres ‘Intervenção Militar Já’! Palhaçada!”
“Um monte de gente indo embora desapontadíssima com essa invasão de cretinos da extrema direita”, acrescentou.
Durante a campanha, Lobão causou polêmica ao dizer que deixaria o país caso Dilma fosse reeleita. Mas voltou atrás após a vitória da presidente.
A concentração do ato começou às 14h e a maior parte dos presentes pedia o impeachment de Dilma e a anulação do resultado das eleições de outubro.
“Fora PT”, “Fora Dilma”, “Não ao controle da mídia”, “Liberdade econômica e política” e “Lula e Dilma eram os chefes do Petrolão” foram algumas das mensagens em bandeiras e cartazes erguidos pelas pessoas, a maioria delas vestindo camisetas do Brasil.
“Estamos aqui hoje não pela intervenção militar, mas pela liberdade. Fora PT”, disse um representante do movimento Revoltados Online, um dos responsáveis pela organização.
Algumas bandeiras de Aécio Neves (PSDB), derrotado na disputa pelo Planalto, eram erguidas em meio aos cartazes.
Depois que o protesto estava completamente dividido, Lobão anunciou no Twitter que iria se reencontrar com as cerca de mil pessoas–segundo contagem da PM– que foram em direção à Praça da Sé. São os manifestantes que são contrários a Dilma, mas não chegam a pregar a intervenção militar.
“Todo mundo pra praça da Sé!”, postou na rede social por volta das 17h. Devido às próprias indas e vindas, Lobão teve que desmentir boatos de que sua conta no Twitter havia sido hackeada e vandalizada. “Atenção rapaziada, aqui vai um vídeo para mostrar que eu não fui hackeado e convocando a galera pra sé”, escreveu ao compartilhar um filme como prova de que anda estava sob controle da própria conta.
No vídeo, se posiciona novamente contra a volta da ditadura.
‘NÃO É O CASO’
O senador do PSDB Aloysio Nunes (SP), candidato a vice na chapa derrotada de Aécio, esteve no protesto.
“Vim para participar da manifestação”. Questionado se era a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o tucano disse que “não é o caso no momento”.
“Nosso centro tem que ser o combate à corrupção, apuração das denúncias e punição dos responsáveis. O impeachment é questão a ser vista quando tiver provas concretas, provas jurídicas”, explicou. “Claro que PSDB apoia [a manifestação], estou aqui”.
Deputado eleito pelo PSC, Eduardo Bolsonaro discursou e disse que “uma plateia seleta, tem o meu crédito”. “Aqui não tem baderna, a Polícia Militar não vai deixar ter baderna”, afirmou.
Coronel Telhada, deputado eleito pelo PSDB, por sua vez, afirmou que “lugar de bandido é na cadeia, e não governando”.
Com informações da Folha






