Por Jairo Gomes: “Na marca do pênalti”

Publicado por: suporte

 

Manifestação SOS Rio Itapecerica
A colocação de um gol no Rio Itapecerica (08/08), de uma bola na marca do pênalti e de uma placa com os dizeres “Jaz o rio só não vê quem não quer,” tendo o prefeito Vladimir como goleiro, foi fruto da união de esforços dos ambientalistas, um ato de protesto contra a atual situação do nosso rio. Na manifestação foram gastos R$ 76,00 reais, arrecadados de pessoas apenas envolvidas com a causa ambiental ou social, sem aspirações políticas. O evento contou com o empréstimo de um barco, cujo dono bancou a gasolina e o transporte. Também foi preciso muito esforço físico para abrir com as mãos e uma foice, mais de 20 metros de caminho fluvial entre uma barreira quase que intransponível de aguapés.

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Parte da mídia não quis divulgar o protesto por alegar questões eleitorais, quando na verdade o prefeito Vladimir, alvo da manifestação, nestas eleições não concorre a nenhum cargo político. A manifestação não teve nada de conotação política, mas de revolta contra um gestor público que diante de um fato previsível e evitável, preferiu deixar que o mesmo chegasse ao ponto de absurdo, ao optar que os aguapés proliferassem por um ano, no aguado que as chuvas realizassem o trabalho “sujo.”

O evento foi aberto ao público, sem restrição de quem deveria participar, se houve uso político, a responsabilidade é de quem aproveitou das imagens para fazer delas o que desejasse. O objetivo (alcançado) foi o de chamar a atenção da população em relação a lastimável condição do rio. Com sucesso o ato foi postado nas redes sociais, para que todos observassem o resultado do descaso da atual administração com o Rio Itapecerica.

Falta zelo no trato da coisa pública
No dia 9 de agosto, o prefeito Vladimir se mostrou bastante eficiente no retirar o gol do leito do Rio Itapecerica, mas não demonstrou a mesma eficiência com os aguapés.

A que se ter responsabilidade com o erário público, por isso, além de ser denunciado no Ministério Público por negligência no trato de várias questões ligadas ao meio ambiente, o prefeito foi denunciado por mau uso do dinheiro do contribuinte. O prefeito foi apontado como responsável direto pela proliferação dos aguapés no leito do Rio Itapecerica, por não ter enfrentado esta questão que se atacada com medidas preventivas no ano de 2013, não chegaria ao extremo. Nosso gestor público também foi acusado por danos causados a ictiofauna, através da agonia e morte de milhares de peixes, fenômeno que se arrasta deste o dia 13 de julho, até a presente data.

A situação dos peixes é grave, alguém precisa tirar a bunda da cadeira para apurar as causas destes animais sofrerem com a ausência de oxigênio na água, com as doenças que vão desde a perda de escamas, corrosões, perda de viscosidade e protuberâncias que tanto podem ser provocadas por bactérias, parasitas, como também por substâncias químicas corrosivas presentes na água fluvial. Animais como lontras, peixes predadores, aves pescadoras e algumas pessoas consumem estes peixes, cujos males talvez possam ser transmitidos de uma espécie para outra e nenhuma analise é realizada, como autopsia nos peixes combalidos.

Se estivéssemos num país sério, cujas leis fossem respeitadas, composto por uma população participativa, onde as instituições atuassem de forma implacavelmente contra gestores públicos que cometem erros grosseiros e de improbidade administrativa, nestas alturas os aguapés não estariam na condição de praga. Nossos peixes não estariam morrendo e o prefeito Vladimir seguramente seria punido no próprio bolso, por se mostrar inerte diante de um problema evitável, para o qual estava ciente, mas não agiu previamente tendo meios e condições de evitá-lo. A agora gasta o dinheiro do contribuinte sem ser punido por não cumprir a atribuição de gestor público zeloso com o meio ambiente e pela falta de ação preventiva.

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Como meia dúzia se preocupa com as questões de interesse coletivo, o povo divinopolitano arcará com uma despesa na ordem de R$ 300.000,00, na contratação da balsa para retirar os aguapés do rio, como o prefeito anunciou. No entanto, não houve previa apresentação pública do contrato de locação da balsa e o nome da empresa contratada. É fácil gastar o que não sai do próprio bolso e para lançar mão no erário público, basta anunciar Estado de Emergência, que o Legislativo aprova sem contestar.

A ala da mídia que optou não divulgar a nossa manifestação (o que é democrático) por achar que tinha conotação política, deveria noticiar que passado um ano da presença dos aguapés no leito do Rio Itapecerica, nossos dois deputados federais e nosso deputado estadual, sequer manifestaram sobre o fenômeno ou se apresentaram como partes integrantes da solução do problema. Talvez atarefados com os compromissos e obrigações que os cargos exigem, não tiveram tempo de reparar a lastimável situação do Rio Itapecerica. Quem sabe não quiseram entrar na discussão das plantas aquáticas, por acharem que o prefeito não precisava de apoio, por que a questão é de restrita responsabilidade da administração pública municipal.

“É louvável indignarmos com esta situação, mas é importante pensar no que cada um de nós pode fazer para
evitar que aconteça novamente.” (Jairo Gomes Viana).

 

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