O CAFEZINHO: Escândalo Pasadena é primeiro fracasso da nova gestão da SECOM (Secretaria de Comunicação da Presidência da República)

Publicado por: suporte


A saída encontrada por Dilma Rousseff para lidar com recente reportagem do Estadão, segundo a qual a presidente (então ministra de minas e energia e presidente do conselho da petrobrás) assinou documento que chancelava a compra, pela Petrobrás, da refinaria de Pasadena, foi a pior possível.
Um desastre completo.

A culpa maior é da própria Dilma, que indicou Traumann, ex-porta voz da presidente, para chefiar Secom. Como porta-voz, Traumann deve estar acostumado a apenas obedecer Dilma, e não, como devia, impor uma opinião própria, independente, crítica. Com isso, ele não ajuda em nada.

Continua depois da publicidade

Além disso, deve ter contribuído para o erro essa visão submissa à mídia, que deixa a cúpula do governo inquieta com qualquer notícia de jornal. Ao invés de rebater com serenidade e inteligência, o faz de forma atabalhoada, nervosamente.

Ao culpar um relatório falho, ela criou um fato novo e jogou fogo num escândalo que tinha tudo para esfriar em alguns dias, visto que é uma notícia velha. Lançando a culpa em terceiros, passa uma rasteira na Petrobrás e transmite a imagem de que a presidente está fugindo de suas responsabilidades.

A compra de Pasadena foi equivocada, à luz do que aconteceu depois, mas poderia também ter sido um sucesso. A mudança nas variáveis, como a descoberta do pré-sal no Brasil, um ano depois, e a crise financeira mundial em 2008, produziram uma inversão do cenário.

Se aceitarmos culpar Dilma pelo fiasco de Pasadena, é justo então que ela mereça o crédito pelo sucesso da empresa nos anos seguintes, com as descobertas sucessivas de novas reservas de petróleo e a aprovação de uma lei própria para assegurar a nossa soberania sobre o petróleo descoberto. A própria Dilma, se quiser levar crédito pelos trunfos da Petrobrás, terá também que aceitar o ônus de seus erros.

A obrigação da presidência da república é defender a Petrobrás, não atacá-la! A mídia está distorcendo as informações sobre a refinaria. Uma das falácias é falar que a Astra Oil comprou-a por US$ 42,5 milhões em 2005, sem contextualizar como se chegou a esse preço. Incluía estoques, dívidas, impostos atrasados?

O preço pago pela Petrobrás em 2006 era um preço competitivo de mercado, até mesmo abaixo da média, conforme demonstrou cabalmente Sergio Gabrielli em sua audiência pública no Senado.

Continua depois da publicidade

Em última instância, caberia à presidente, num gesto de nobreza, assumir a responsabilidade pelo erro, explicando à sociedade porque ele foi cometido. A população perdoa quando entende que não foram erros cometidos por má fé ou incompetência, mas porque houve mudança brusca nos cenários, e o mercado de petróleo sempre envolve algum risco.

Quando será que os governos do PT entenderão que uma política de comunicação é a mãe de todas as batalhas, e não pode ser improvisada?

Nota: Miguel do Rosário é editor do blog ” O Cafezinho”

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados