POR JAIRO GOMES: Miss Terra e o Vesper, valores antagônicos

Publicado por: suporte

   
Não se pode achar que os projetos ecológicos bem intencionados das missis são novidades e que a lâmpada foi inventada a partir do sorriso deslumbrante da eleita a mais bela entre as demais beldades.
 
Nada será resolvido sem o empenho que a causa ambiental necessita, mas que está longe de ser alcançada. Foi apenas mais uma noite de glamour, do simbolismo, para no dia seguinte a mesmice voltar a reinar. Quem não ficaria deslumbrado com a beleza de corpos esculturais, privilegiados das belas mulheres, que a natureza esculpiu com todo zelo?   
  
É de ficar boquiaberta diante de figuras estonteantes que nos faz acreditar que o paraíso existe; que todas as propostas defendidas pelas missis apresentadas ao som de vozes meigas, são novidades ainda não pensadas, não apresentadas e nunca tentadas. 
 
Certamente que nada vai mudar como acontece desde o primeiro evento, a tendência é a do esquecimento, da continuidade dos problemas ambientais, próprios das atividades humanas, mas que não são reparados por questões financeiras, do interesse individual, da falta de respeito conveniente e do descaso proposital.
 
Seria importante dizer das controvérsias, da realidade que não são apresentadas nos eventos. Na terra que promove o concurso Miss Terra, árvores dos passeios são indiscriminadamente cortadas, nascentes são soterradas e as lagoas entregues ao abandono.  Não existe um curso d’água que não esteja poluído e contaminado pelo esgoto.
 
O Rio Itapecerica é o retrato do desrespeito ao meio ambiente em Divinópolis. As margens do rio que abastece 90% desta cidade usadas como ponto para descarte de entulhos, principalmente na margem esquerda na região dos shoppings. O Itapecerica foi esquecido depois que a Copasa assumiu o tratamento do esgoto e o fenômeno das ervas aquáticas no leito do rio virou praga folclórica, só falta o Legislativo instituir o dia municipal do aguapé e do cipó d’água. Os bota-foras irregulares chegam a uma centena espalhados pelos quatro cantos da cidade, usados para sucumbir às áreas de preservação permanentes e as autoridades parecem não saber ou fingem que não veem o que salta aos olhos.

Na Divinópolis que recebeu as mais belas mulheres, as ruas estão sujas, os passeios são armadilhas e quem dita os rumos da expansão urbana desordenada são os empresários do setor imobiliário.
 
 

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A coleta seletiva fracassou e tonelada de matéria prima que poderia voltar à indústria é desperdiçada. O lixo é jogado nas vias urbanas como se o ato fosse natural, cultural e involuntário, por que a população não exerce a consciência dos tres erres, Reduzir, Reciclar para Reaproveitar.  

 

    

Na cidade que foi o centro das atenções da beleza feminina, a mata do Noé está ameaçada de extinção e pasmem, um médio empresário do setor imobiliário adquiriu parte expressiva desta mata, enquanto o prefeito Vladimir de Faria Azevedo como seus antecessores diz não ter meios para comprar a mata do Noé.
 
A administração alega falta de condições financeiras para a preservação total da mata do Noé, mas dilapida os imóveis públicos a preços que chegam abaixo de um quilo de chuchu, R$1,55 o m² e promove a desafetação de várias ruas para atender aos empresários.
 
Qual o destino dado aos R$ 16.0000.000,00 da Copasa? Este recurso poderia ser investido na compra da mata do Noé, que seria um tributo ao Rio Itapecerica, mas o meio ambiente não é prioridade, o Centro Administrativo é mais importante dá mais voto do que preservar o mato.
 
 
 
 

Vigie vossos passos, para que neles não tropeçais.

 
     É deselegante comentar algo diante de tamanho esforço na promoção do concurso Miss Terra, mas por parte de quem promoveu o evento, o empresário José Alonso Dias, nota se uma enorme discrepância entre o discurso e a pratica. Pode ser dizer com provas que a mesma mão que promoveu um acontecimento de tamanha magnitude, é a mesma mão que cometeu agressões contra o meio ambiente, na concepção do Condomínio Horizontal Fechado Residencial Vesper, da empresa Liderança Empreendimentos Imobiliários Ltda, e propriedade do referido empresário.
 
Discursar é uma coisa, agora agir conforme o discurso é outra coisa.
 
     Na preparação da área para instalação do empreendimento, várias foram as irregularidades cometidas contra o meio ambiente, sob a chancela da prefeitura, que foi benevolente com o empresário ao negociar uma APP de 21.0000,00 m² ao preço de R$ 1,55 m².
 
       No local ocorreram intervenções em APP (Área de Preservação Ambiental) sem vistoria do IEF (Instituto Estadual de Florestas). Não houve apresentação de licenciamento ambiental que permitisse as intromissões na APP, que afetaram as margens do córrego do Engenho e de uma lagoa. Ocorreu canalização irregular de um trecho do referido córrego, fatos que foram registrados a partir do dia 14 de junho de 2011, nos BOs da Policia Militar Ambiental e nas autuações da SUPRAM-ASF, mas que até a presente data persistem.
 
       Neste caso o discurso não está em consonância com a pratica e a produção de um evento grandioso como o Miss Terra, não pode ofuscar a ação degradadora vinda da mesma pessoa. A relação de um fato com o outro soa como empáfia do “façam o que peço, mas não me peçam que eu faça o que peço.” (Jairo Gomes Viana).
 

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