Para tentar reverter esse quadro, a Semad está intensificando a fiscalização de todos os terrenos que tiveram autorização para desmatamento da Mata Atlântica desde 2011. A primeira operação, realizada entre 29 de julho e 12 de agosto, foi feita nos cinco municípios considerados mais desmatadores: Itinga, Jequitinhonha e Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha, e Manga e Águas Vermelhas, no Norte de Minas.
Dos 51 empreendimentos fiscalizados, 47% apresentavam irregularidades. Foram 25 autos de infração lavrados em 24 empresas – uma delas recebeu duas autuações. Segundo a Semad, a principal irregularidade encontrada foi excesso de desmatamento, ou seja, intervenção em áreas superiores àquelas previamente autorizadas. As empresas podem ser punidas com multa, suspensão ou embargo das atividades.
Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente, Adriano Magalhães, a Semad está, a partir de um diagnóstico, traçando estratégias para frear a destruição da Mata Atlântica em Minas. “Quando trazemos o desmatamento para uma discussão pública, é para colocar abertamente as iniciativas que estão sendo feitas e colher as contribuições da sociedade”, destaca. Ainda segundo ele, R$ 1 milhão já estão garantidos para essa força-tarefa de prevenção e combate ao desmatamento.
Presente na reunião pública, a diretora da SOS Mata Atlântica e coordenadora da última edição do “Atlas dos Remanescentes Florestais”, Márcia Hirota, aprovou as iniciativas apresentadas. “Essa era a resposta que gostaríamos de receber de Minas, após a divulgação do atlas. Acredito que o Estado está cumprindo seu papel de fiscalizar ao passar esse pente-fino”, avaliou.
Amda critica ações sem conexão
Para a superintendente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas, as ações apresentadas pelo governo do Estado são insuficientes para resolver o desmatamento da Mata Atlântica em Minas. “Louvo a iniciativa. Mas, como está sendo feita, acho a força-tarefa insuficiente. A fiscalização da Semad, sozinha, não vai resolver o problema”, afirma.
Segundo ela, é preciso maior integração entre as instituições governamentais. “Se combater o desmatamento é uma política de Estado, todas as secretarias, incluindo a de Agricultura e de Desenvolvimento Econômico, precisam estar envolvidas”.
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