Em 5 de dezembro de 1956 oitenta e dois gatos pingados desembarcaram do iate Granma no pântano cerca da praia Las Coloradas. No lugar conhecido por Alegria de Pio sofreram as primeiras derrotas; foram quase que completamente dizimados pela aviação e pelas forças terrestres do ditador Fulgêncio Batista. Menos de vinte desses gatos pingados atingiram o destino que era a Sierra Maestra. Dali iniciaram a Revolução Cubana, que marcaria a história da América Latina e do mundo. Muito embora se possa não concordar com seu o desenrolar, foi uma das epopeias e das insurreições mais envolventes do século passado.
Quatro gatos pingados invadiram a Câmara Municipal de Divinópolis. Do lado de fora dois acólitos remunerados riam a bandeiras despregadas fazendo troças pela ousadia daqueles gatos pingados. Com pouco tempo não riam mais. Eram cinco, eram dez, eram quarenta gatos pingados que subverteram a ordem da Câmara e colocaram o prófugo Rodson Krisnamurti de joelhos.
Os vereadores reclamavam da “intromissão” do Ministério Público em seus assuntos internos, como se votos comandados pelo Executivo Municipal não fosse o resultado de uma submissão indevida e criminosa. Acabaram por se render à autoridade dos promotores públicos que se transformaram na tábua de salvação para eles, encurralados pelos manifestantes.
Não obstante, as autoridades deixam de compreender (ou subestimam) o alcance e a profundidade do movimento popular. A maioria segue forjando alternativas inócuas, sem mudanças visíveis, transferindo culpas, insucessos, e pasmem, fazendo auto-promoção, como se o momento fosse apropriado ao marketing costumeiro e insidioso.
Suas ações mostram um governo em crescente decadência, depois de catapultado pela força de grupos ortodoxos, que escolheram métodos anti-populares para permanecer no poder. Fazem uso do próprio veneno.






