Segundo o jornalista e ex-empresário de calçamento, a denúncia foi repetida no Ministério Público face à recondução do principal envolvido (Simonides Quadros) à Secretaria de Obras, desta vez, como titular. “É a continuidade delituosa” – afirmou.
Itamar faz questão de lembrar que os principais personagens do escândalo das pedras, os que fizeram da CPI a tradicional pizza, foram todos eles posteriormente nomeados secretários do prefeito reeleito, Vladimir Azevedo. Pastor Paulo César, à época presidente da Câmara, Antônio Paduano, relator da CPI, e o próprio Simonides Quadros, foram conduzidos à secretarias municipais. A saída do relator da CPI, Edson Sousa (ex-vereador de oposição) foi forçada pelo esquema que não desejava o opositor na relatoria. Foi quando nomearam Antônio Paduano e tudo ficou mais suave para a Administração.
O jornalista afirmou que somente procurou o MP por força das circunstâncias, pois se à época havia maioria da base do prefeito na Câmara, hoje ela é ainda maior. Pedir a reabertura da CPI seria tentar enxugar gelo.
“CPIs somente dão resultados quando os principais postos da Comissão Parlamentar mostram-se equilibrados entre situação e oposição, o que não aconteceu. Presidente e Relator pertenciam à base do governo. Eles são os principais líderes; o resto é constituído por simples figurantes” – afirmou.
Argumenta Itamar de Oliveira, que não havia qualquer clima de apuração por parte dos componentes da Comissão. Eles se mostraram dóceis à Administração e desinteressados quando eram exibidas provas materiais, ou na ocasião em que solicitou auditoria independente que foi negada, sob o argumento de que a Câmara não dispunha de verbas para custear o estudo técnico.
Desta vez, testemunhas que foram cerceadas para desconversar durante os depoimentos, resolveram botar a boca no trombone. Um deles, José Moacir da Cruz, relatou que a prefeitura transformou pedras em moeda de troca, quando em inúmeras ocasiões pagou com o produto por serviços prestados ao município pelos pequenos empresários do calçamento. Afora isso, Moacir confessou que ele mesmo desviara dezenas de caminhões de pedras não contabilizadas (ver e ouvir gravação) em outras ocasiões, facilitado pela falta de fiscalização e controle por parte da prefeitura. O empresário de calçamento de apelido Cinquentinha disse ter um crédito de R$16 mil reais com a prefeitura, que seriam quitados com pedras. Cinquentinha é outro a ser chamado a depor pela promotoria.
Durante seu depoimento na Câmara José Moacir fala que foi constrangido por Simonides Quadros (com ofertas – que ele aceitou – de ruas para calçar) e por Antônio Paduano, que o cutucava por debaixo da mesa, sempre que as perguntas se mostravam capciosas (de parte de uma única opositora) e arriscadas para os verdadeiros objetivos da CPI. Segundo ele, estas foram as verdadeiras razões pelas quais os testemunhos não robusteceram as denúncias.
“Esse filme vem de longe, mas com os mesmos atores” disse o segundo depoente, Stélio Gomes Pereira. Os beneficiados de ontem (governo Demetrius Pereira) são os mesmos privilegiados de hoje, (governo Vladimir Azevedo) assegura Stélio. “É a turma do Simonides, pessoal lá do Belvedere.” E desfiou um novelo de nomes e empresários do ramo, que segundo ele, são apadrinhados pelo atual Secretário de Obras.
João Batista Ribeiro apenas repetiu o que havia dito em seu depoimento à CPI, e que segundo ele, agora fica robustecido e comprovado pelas novas revelações de outros participantes.
O empresário de calçamento, de apelido Cinquentinha, revelou aos colegas que tem um crédito de R$16 mil com a prefeitura, valor que foi congelado assim que o escândalo das pedras pipocou. Cinquentinha é outro a ser chamado a depor pelo Ministério Público.
Itamar de Oliveira faz uma ilação interessante. Para ele, sob o argumento oficial de que tem de por a situação em pratos limpos, as prometidas obras de calçamento deixarão de ter seu reinício.
“Na época da CPI também foi assim. Não havia verbas para adquirir material e o prefeito culpou a CPI pela paralisação dos calçamentos. Juntou a fome com a vontade de comer. Agora deverá comportar-se de maneira igual. Com as verbas do PAC retidas, não lhe caberia desculpa melhor. Vai começar tudo de novo.” concluiu o jornalista.”
ATUALIZAÇÃO MATÉRIA: Há informações que, Moacir, quem concedeu a entrevista para o Divinews e prestou depoimento no MP teria sido ameaçado pelo secretário de Obras, Simonides Quadros, de que iria prendê-lo. Também segundo fontes, Moacir, estaria disposto a fazer queixa na policia, contra o secretário se ele persistir nas ameaças por telefone.
| {youtube}fJV0j_o5Cak{/youtube} |
Nota do Editor: Esta gravação foi realizada antes da ida dos envolvidos ao Ministério Público – O Divinews gravou na segunda-feira (20) à tarde e eles foram ao MP na terça-feira (21)






