Continua depois da publicidade
Fale um pouco de sua mãe, como ela era, quantos filhos ela teve?
Minha mãe era doméstica, chamava-se Ana Clotildes Corrêa e, aos 19 anos, casou-se com João do Prado Filho. Teve os seguintes filhos: Adélia, Antônio, Maria Célia,Teresinha, Maria José, Maria das Graças e morreu grávida, aos 35 anos. Seríamos, portanto, 7 filhos. Já faleceram Antônio, Maria Célia, Maria das Graças e o que morreu antes do nascimento. Era uma pessoa religiosa, inteligente e sensível, também melancólica, coisa que sempre atribui a sua saúde frágil.
E você como mãe? Quantos filhos? Quantos homens? Quantas mulheres? Quantos netos e netas?
Eu tenho cinco filhos: Eugênio, Rubem, Sarah, Jordano e Ana Beatriz. Os nove netos são: Eduardo, Júlia, Paula, Ariel, Ana Olívia, Pedro, Henrique, Rafael e Thiago. Seis adolescentes e 3 crianças.
Sei que foi professora. Por que esta escolha?
Minha opção era a de quase toda menina, fazer o curso Normal e trabalhar como professora.
Continua depois da publicidade
Como descobriu sua veia poética?
Desde muito cedo era encantada pela poesia. Mas, só muito mais tarde, já casada e com os cinco filhos, tive a certeza de minha vocação.
Já fez poesia para seus filhos?
Já, poesia e prosa.
Se puder comparar. Como você leu a maternidade da sua geração, e como lê a maternidade desta geração que estamos vivendo?
Maternidade na minha geração não era sacrifício, mas um desejo e uma missão aceita com gosto, orgulho e alegria. As dificuldades eram encaradas como normais e ninguém se gabava porque estava cuidando do filho nem se atribuía nenhum heroísmo por acordar de noite, trocar fraldas, preparar a comida, amamentar e ficar limitada na ‘vida social’. Me parece que hoje,para grande parte dos casais, a maternidade, os filhos são considerados um estorvo. Estou generalizando, é claro que ainda há casais, mães formidáveis. Mas a família está em crise, sem núcleo, sem referência da amorosa autoridade paterna que governe e oriente seus membros; e gravíssimo: mães e esposas que não permitem o desabrochar do feminino e competem com o homem. E enquanto dura a guerra sofrem todos e, de maneira cruel, os filhos.
Você acredita que seus filhos te admiram por ser você a mãe deles e tudo o que os ensinou, ou esta admiração foi construída a partir de sua projeção?
Os pais necessitam ser amados ainda que não ofereçam motivos para admiração. Me sinto amada, o que é melhor de tudo. E gostam do que escrevo, o que é um prêmio a mais. A projeção deve ser colocada no lugar dela. Primeiro é a vida real, a vida vivida.
Em sua poesia, em que você afirma: Mulher desdobrável Eu sou, você fazia um paralelo com sua mãe?
Meu paralelo é com “O Poema das Sete Faces” do Carlos Drummond de Andrade. Não falo de mim, nem de minha mãe, mas da mulher em geral, ou melhor, do feminino..
Vale um áudio para as Mães?
Áudio não, mas o poema vai com todo carinho para as mamães:
DECLARAÇÃO DE AMOR
Mãe, eu gosto de você
Porque você tem sombra
E é tão bonita e boa como se
Fosse assim,
Um pote de água fresquinha
Uma cesta de pães
Um cobertor quentinho
Mãe eu quero chamar você
De árvore
De sol
De leite e mel
Te dar um abraço e pôr
VOCÊ no coração de
DEUS
Adélia Prado
Por: Sandra Passos
![]() |







