Todo inicio de mandato e de legislatura, é assim mesmo. Tudo são flores, principalmente se o vereador é novato. O love story do Legislativo com o Executivo é quase total. À medida que o tempo avança é que os vereadores vão percebendo as dificuldades e começam a mostrar “as garras”.
A ex-vereadora Heloisa Cerri (PV), assim como Edson Sousa, na legislatura passada não começaram seus mandatos em 2009 já na oposição. Começaram aliados do governo, com uma posição neutra. Embora no caso do ex-vereador Edson Sousa tenha sido diferente, o edil começou o mandato já bastante chateado pelo acordo de fazê-lo presidente da Câmara não ter sido honrado, pelo prefeito, segundo informações dele.
A história vai devagarzinho se repetindo, só que desta vez o controle do Executivo sobre o Legislativo é bem maior. Mas, a situação vai avançando e se deteriorando.
Segundo reclamações de alguns vereadores no “corredorpress” da Câmara, e lamuriações não explicitas pelos cantos, escondidinho com medo de retaliações do Executivo e o atendimento dos pedidos feitos às diversas Secretarias não sair mesmo, existem centenas de indicações, sendo mais exato, até a quarta (24) 497 de todos os 17 vereadores.
Indicações são os pedidos que os vereadores fazem para as mais diversas Secretarias, através do Gabinete do Prefeito, do Chefe de Governo, até então, Antônio Faraco, para que sejam providenciadas capina em determinados locais, instalar placas, colocar quebra-molas, limpar lotes, abertura e asfaltamento de ruas, entre outros inúmeras solicitações.
Existem indicações que são meramente eleitoreiras. O vereador sabe que não será atendido, mas para que o eleitor solicitante veja que ele enviou o pedido para a Prefeitura, claro, ele faz. Sabendo de antemão que não será atendido tão cedo ou nunca. O eleitor sai feliz da vida com o vereador que transferiu a responsabilidade para a Prefeitura. É claro que, se a Prefeitura atender os seus pedidos, ele fica bem no filme com os eleitores. O asfaltamento é uma das indicações que está no rol das que dificilmente serão atendidas com a presteza que o eleitor imagina. E quando são.
O vereador, o médico Delano, na reunião do dia 23/04, reclamou das condições do Posto de Saúde do bairro Ipiranga que as paredes estão mofadas, à pedido de um médico que lá atende e solicitou que ele falasse sobre o assunto. E o médico informou para o vereador (Delano) que já teria feito a mesma reclamação para a SEMUSA mais de uma vez, e que a sala de vacina deveria estar interditada por estar mofada, no entanto a sala está funcionando a todo vapor com mofo e tudo.
O vereador/medico ou o médico/vereador, irritado afirmou: “Espero que quem da SEMUSA que estiver nos vendo tome uma providencia, porque agora a Comissão de Saúde tem que agir com uma fiscalização já iniciada hoje e que amanhã (quarta-feira 24/04) estarei lá fazendo esta supervisão de saúde, se ele realmente estiver mofada e tiver recebido a visita hoje, que segundo informações teve uma visita da vigilância sanitária e nada foi feito, com certeza a gente vai tomar uma postura enquanto Comissão de Saúde” ameaçou o vereador/médico.
Nitidamente sem paciência, o vereador afirmou que não iria falar somente sobre o Ipiranga, mais de outros dois postos de saúde o do Tietê e do Bom Pastor, locais em que ele trabalha. E fez uma séria denúncia: “O Tietê não tem como mais trabalhar – O posto está em construção há mais ou menos dois anos parado – Eu procurei a Secretaria Municipal de Saúde, eu procurei as pessoas que deveria saber quando a obra deveria ser retomada, e obtive a informação de que a obra seria retomada no 1º trimestre deste ano”.
O vereador confirma as inverdades que normalmente são ditas pelo governo. Delano disse que é só procurar a fala dele em plenário que o fato seria comprovado. Ele chegou a dizer para o seu interlocutor no governo de que não seria melhor falar que as obras seriam concluídas no semestre e não no trimestre e insistiram “não as obras serão concluídas no primeiro trimestre”. E continuou: “então só comunicando as obras do posto estão orçadas em R$ 770 mil reais e o dinheiro já está depositado e com ele as obras deveriam ter sido retomadas – O mato já sobressai” afirmou.
“A gente tenta ser o menos polêmico possível, mas não tem mais condição de atender em um local que existe escada, que tem 10 cadeirantes, em um local que foi alugado há dois anos, com a promessa do posto ser inaugurado com uma verba de R$ 770 mil reais que já está depositada e aplicada, segundo o Ministério da Saúde”.
“Então não dá mais para agüentar, eu estou sendo muito cobrado pela população do Tietê, estou dando o retorno aqui, que eu fiz e estou fazendo o possível – Primeiro de conversa, tentar acalmar a população – Mas a gente tem em Divinópolis uma UPA na Ponte Funda, a gente tem em Divinópolis mais três Unidades Básicas de Saúde, sem terminar. E isto causa uma ansiedade tremenda para a população dos bairros. E causa ainda uma sensação pior em mim, que sou vereador e médico dessa população fazem cinco anos e cobram e pedem a todo momento, ajude a população do Bairro Tietê”
Os vereadores e em especial o vereador Dr. Delano, como médico que é, está sentido na pele que as reclamações da ex-vereadora Heloisa Cerri (PV) e do ex-vereador Edson Sousa (PSB) não eram picuinhas, são fatos reais de vários equívocos que aconteceram no governo passado e continuam a acontecer neste. Já que as “figurinhas” são as mesmas, só mudou o ano, ou os anos.
Diante da pressão que a população está fazendo e cada vez mais, vai aumentar. É questão de tempo para quase todos os vereadores se rebelarem em busca do atual voto perdido, tentar reconquistá-lo para 2016.
Em tempo: segundo informações ainda não confirmadas, o Poder Executivo, ou seja, o prefeito, que é o responsável direto pela administração do município, não está respondendo as indicações e os requerimentos de informações dentro do prazo regimental. Tal procedimento é passível de improbidade administrativa, segundo fontes.






