Atrasou, mas saiu: RÁDIO CITY

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Buraco Pai, Buraco Júnior

O buracão continua lá, impávido colosso, com manifestação festiva prevista para o próximo dia 27, quando se comemoram os 500 dias de sua abertura. O prefeito garantiu que inaugura a obra em junho. Já os fãs do precipício acham que nada acontece antes de dezembro, ao passo que os comerciantes juntam raiva e perdem dinheiro. Pessoalmente considero essa gente muito mau-humorada. Eu, por exemplo, fui visitá-lo diversas vezes e tenho notado que a obra, teimosamente, ao contrário de avançar recua. E ver caminhão atolando na ladeira escorregadia com apenas duas caçambadas no lombo chega a ser hilariante. Nesses momentos a pá-carregadeira lambuzada deixa a sua função e vai dar uma ajudazinha com estocadas nos traseiros do veículo de carga. As chuvas não dão trégua e os operários não sabem mais o que fazer. Para mim, virou ponto turístico. Esse buracão da Paraná é extraordinariamente resistente. Enquanto que o Buraco Júnior, na Espírito Santo, foi devidamente aterrado, o Buraco Pai não perde a fleuma e prossegue sua carreira astuta e heróica.

A lenda de Hamelin
Uma dezena de curiosos juntou-se na tarde de terça-feira (16) ao redor de um saco de lixo bem de frente à Câmara Municipal. Nele se concentrava pelo menos uma dúzia de ratos de esgoto, daqueles marrons, bem graúdos, remexendo o interior do plástico em busca de alimentos. De vez em quando mamãe ratazana, uma exuberante Rattus Norvegicus, como ensina o Google, dava uma olhadinha ao redor, movia graciosamente os bigodes e voltava para o interior da embalagem. Como na praga de Hamelin, eles pouco se incomodavam com os passantes.

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Platéia crescente, aos poucos os ratos foram abandonando o abrigo sumindo entre os buliçosos pés de tomate que cresciam naquele local e foram capinados no dia seguinte. Aqueles bancos onde pode estar concentrada a urina do roedor recebem mulheres, crianças e idosos, muito próximos da leshimaniose, que é mortal. Mas pelo menos aquela fazenda modelo colabora para a queda da inflação. Os preços dos tomates andam pela hora da morte, pena que acabaram com a plantação.

Zé Guela

Recomendaria aos nobres admiradores dos pagodes e sertanejos universitários, aos funkeiros, calypsos e afins, que tirassem um tempinho para ouvir as músicas do Zé Guela, grupo que atualmente faz a melhor música de Minas Gerais. “…vou então guardar vocês, em caixas de papel, juntar o que fez parte de mim…” Jeito poético/mineiro de despedida. Vá ouvir Zé Guela, a música de Kiko Lara, meus prezados acadêmicos, futuro do país.

Capina Química
Não resta dúvida de que os três poderes devem ser independentes entre si. A Constituição Federal assim o recomenda. Mas nenhum dos poderes deve posicionar-se acima das leis maiores, às quais deve se reportar. A capina química é uma delas. Condenada por todos os órgãos ligados ao meio ambiente, ademais de Lei Federal, o projeto foi aprovado na Câmara Municipal. O presidente Rodyson Krishnamurt alega que a advertência do Ministério Público é uma interferência do Judiciário em tema legislativo. Os promotores, por sua vez, prometem considerar a prática como improbidade administrativa. Cabe ao prefeito decidir se veta o projeto da Câmara ou se encara um processo a mais dentre os vários que já coleciona.

Associação de Jornalistas
O sujeito nos aborda na rua com reclamações e denúncias. Relata um monte de coisas e no final solicita mui espertamente ao profissional que faça a denúncia, e em seguida, invariavelmente, profere a frase mais odiada pelos jornalistas: “…mas não cita o meu nome não!” Quer dizer: no da gente tudo bem, mas no dele, jamé! Por vezes nos pedem para examinar textos, apreciá-los, em outras redigi-los, tudo na base do 0800. Não demonstram o mínimo respeito pela profissão mais miseravelmente paga do mercado. A criação de uma Associação será a forma de abandonar o glamour e equiparar-se a outras profissões tão importantes, mas muito melhor remuneradas. A primeira reunião do grupo de trabalho, conjugando de jornalistas, radialistas, publicitários, comunicólogos e afins, acontecerá na semana que vem no Bar do Pepê. Se der em nada, pelo menos todo mundo sairá de barriga cheia e levemente embriagado.

Cocopasa

Vinha eu de fugaz visita à casa de mamã; pelo retrovisor espremia aqueles cravinhos que dão na cara da gente, quando me deparei com a turma da capina bem na confluência do Danilo Passos com a Vila Romana, perto daquela rotatória no final da rua. Oba! – pensei. A turma trabalha de pau arriado (ops!) bastante acordada e ativa.

Mas as boas surpresas em Divinópolis têm curta duração. Cerca de trinta metros adiante uma canalização de esgoto arrebentada jogava todas as merdas do mundo para cima. Fedor horrível e sacrifício para a vizinhança. Pelo estoque que fluía escorrendo para o córrego adjacente, parecia que aquilo já levava tempo. Na jornada da podridão, uma flotilha composta de caça-minas, torpedeiros e submarinos, navegava no meio dos efluentes. Com a Cocopasa, despoluição do Itapecerica é assim: ou leva merda, ou leva bosta.

Como funcionam as assinaturas
Assinaturas solteiras não cassam prefeito algum. Elas servem apenas para o desgaste cotidiano e de alerta para os eleitores. Mas as assinaturas conjugadas com outras ações são fatais. Por exemplo: o prefeito tem maioria na Câmara, onde é impossível a abertura de uma CPI valendo-se desse ou outros argumentos quaisquer. Mas jogar no colo dos vereadores a responsabilidade e em seguida acionar o Ministério Público pode ser uma solução para os agentes das oposições. E parece que nos próximos dias isso acontecerá. A desvantagem será a explosiva publicidade em torno da ETE do bairro Santa Lúcia, que embora incapaz de “despoluir o rio Itapecerica”, será um bom mote para abafar o movimento de assinaturas de repúdio à administração pública.

Bananeiras
Para a cavalgada da Cachoeirinha levada a efeito (com muito sucesso, diga-se) no mês passado os organizadores tiveram de botar abaixo um vestiário que estava condenado pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Com cavalgada ou sem cavalgada ele representava perigo e tinha de ser derrubado. Mas a confusão se deu porque o que ninguém sabia e nem sabe direito ainda, é que o terreno pode pertencer a uma empresa particular. Ou seja, uma área aparentemente de propriedade do município, pode não sê-lo. O campeonato rural está para começar e o estádio não dispõe de um vestiário. A prefeitura não tem recursos para reerguer a construção e a associação muito menos. De repente os atletas irão usar as moitas de bananeiras para se trocar e cuidar de outras necessidades mais prementes.

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O que eles disseram:
No momento estou vivendo da generosidade dos amigos e pequenos golpes na praça.

Garcia Júnior

Essas imagens foram colhidas em frente à Câmara de Divinópolis,
na terça-feira (16), um dia antes que o Executivo se dignasse a capinar

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