Solicitada a falar sobre o seu currículo, Janete disse que foi professora e também coordenadora do curso de medicina da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais e depois que se aposentou, a UFSJ a convidou para coordenar o curso em Divinópolis, que ela mora de segunda a sexta-feira na cidade e depois vai para Belo Horizonte nos fins de semana.
A coordenadora explicou que o problema de estágio não é novo, começou mais a partir da década de 90 quando a faculdades particulares começaram a pagar os médicos diretamente pelos estágios. E, claro que as Universidades particulares pagam mais, disse Janete.
Quando a coordenadora explica que desde que o Campus da UFSJ foi inaugurado na cidade que eles tentam viabilizar um convênio com o Hospital São João de Deus (HSJD) e não conseguem e a seguir diz que o médico Alair Ribeiro é o coordenador de estágio da Universidade de Itaúna, supervisionando o internato. Fica nitidamente explicado porque os alunos de medicina de Divinópolis são preteridos.
É bastante interessante esta situação. O HSJD solicita auxilio da população divinopolitana, mas na hora de auxiliar os alunos que são formados na cidade, um dos diretores do hospital vai em auxilio de alunos de outro município.
O valor que o Governo Federal, através do Ministério da Saúde paga por estagiário para os hospitais são R$ 630,00 e mais R$ R$ 1.050,00 para o preceptor. Enquanto, as Universidades articulares chegam a pagar três vezes mais que este valor. Aí está a causa da preferência pelos alunos das particulares.
No convênio com os municípios não existe contra partida financeira direta das Universidades Federais, além do compromisso que a UFSJ tem com a melhoria da qualidade de atendimento da saúde para a população.
Recentemente, no ano passado, foi liberado o recurso de aproximadamente R$ 1 milhão para ser aplicado na Policlínica. Mas foi o governo de Divinópolis que decidiu como seria aplicado
Outro benefício que a UFSJ tem feito em prol da saúde do município sãos os trabalhos de extensão e pesquisa, grupos PET*. Segundo a coordenadora tais grupos são financiados pelo governo federal que paga bolsas para um tutor (docente) e 6 preceptores que são funcionários da SEMUSA (Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis).
Mais um dos inúmeros benefícios da instalação do Campus Dona Lindu na cidade são as aberturas de vários ambulatórios para os alunos atenderem a população sempre sobre a supervisão de um docente, que realiza o atendimento junto com os alunos. “Já abrimos cerca de 10 ambulatórios desta forma são atendimento otorrino, endocrinologia, pneumonologia, cardiologia, cirurgia ambulatorial, pré-natal de alto risco. Os atendimentos de tais ambulatórios são realizados na policlínica – Fora a ortopedia, reumatologia e dermatologia que são feitas fora da Policlinica”, afirmou a coordenadora.
O que é difícil de entender e com certeza, a partir de tais informações, a população questionará mais ainda. É Divinópolis ter disponível uma força tarefa de 290 alunos de medicina e não existir um planejamento de sanar os problemas e gargalos da saúde do município. Claro, sempre com acompanhamento e supervisionado com explicou a coordenadora do curso. Parece que falta gestão, planejamento e boa vontade na interação do município com este potencial que a cidade tem em mãos e não usa no limite total como deveria. Afinal conforme informações frisadas pela coordenadora o aluno desde o 1º período atende através do PSF e depois das UBS e são cem por cento das vezes acompanhados por docentes, “É um plus a mais quando o município recebe nossos alunos” disse Janete.
Atentem para esta declaração da coordenadora do curso de medicina do Campus: “A UPA É ESSENCIAL PARA OS ALUNOS EM FORMAÇÃO”. Ela reconhece que não resolveria em todo os problemas de atendimento do Pronto Socorro, mas poderia ser bastante minimizado, inclusive nos fins de semana. Por que mesmo no 9º, 10, 11º e 12º períodos, os alunos nos atendimentos tem que estar acompanhados de um preceptor.
Ela identifica um dos problemas de atendimento: “A nossa grande dificuldade é buscar o preceptor principalmente nos domingos e feriados”.
Ela faz outra revelação preocupante até para a formação dos estudantes e para a qualidade do atendimento “A UIT (Universidade de Itaúna) não manda docente para supervisionar os estagiários”.
No Hospital São João de Deus, segundo a coordenadora, são apenas 36 alunos em sistema de rodízio, isto porque os preceptores preferem os estagiários de Itaúna, pois ganham mais da UIT.
PASMEM CIDADÃOS DIVINOPOLITANOS. A solução que a UFSJ encontrou para solucionar os problemas de estágio para os alunos foi buscar parcerias em outros municípios, no hospital Nossa Senhora Conceição em Pará de Minas, na Santa Casa de São João Del Rei, no Sofia Feldman em Belo Horizonte. Pelo jeito, a saúde de Divinópolis não tem problema algum, já está até exportando mão de obra.
“O pior é que a UFSJ faz isto forçadamente, pois dificulta em muito a logística”, finalizou Janete, a coordenadora do Curso de Medicina da Universidade.
Conclusão: a saúde pública no municipio de Divinópolis vai muito bem, obrigado.
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